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Jademilson Silva

Canetas emagrecedoras: uso sem acompanhamento pode trazer riscos à saúde

A busca por soluções rápidas para emagrecer transformou as chamadas canetas emagrecedoras em um dos assuntos mais populares nas redes sociais. Embora alguns desses medicamentos tenham indicação para o tratamento da obesidade e de outras condições de saúde, o uso por conta própria ou motivado apenas pela busca por um padrão de beleza pode trazer riscos. O uso indiscriminado e sem acompanhamento profissional pode acarretar sérios problemas à saúde, acendendo um alerta entre especialistas sobre a necessidade de diferenciar o tratamento de uma doença crônica do uso por questões estéticas.

Segundo a endocrinologista Renata Bussuan, professora de pós-graduação na Afya Educação Médica Recife, o uso desses medicamentos deve estar relacionado ao tratamento da obesidade e considerar as condições clínicas de cada paciente. A especialista alerta ainda para os riscos da automedicação, para a importância de preservar a massa muscular durante o emagrecimento e para os perigos da compra de produtos de procedência desconhecida.

“As canetas emagrecedoras não são medicamentos para uso estético nem para quem deseja perder poucos quilos. Hoje elas são indicadas para pessoas com obesidade (IMC ≥ 30 kg/m²) ou para aquelas com sobrepeso (IMC ≥ 27 kg/m²) associado a doenças relacionadas ao excesso de peso, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, apneia do sono, dislipidemia ou doença cardiovascular”, explica.

A avaliação, entretanto, não deve se limitar ao número apresentado na balança. De acordo com a endocrinologista, fatores como risco cardiovascular, histórico clínico, composição corporal, hábitos de vida, medicamentos em uso e possíveis contraindicações também precisam ser considerados. “A obesidade é uma doença crônica, e não um problema estético. As canetas devem tratar uma doença, não atender a um padrão de beleza”, Renata Bussuan.

Um dos pontos que precisam ser considerados durante o tratamento com canetas emagrecedoras é a composição corporal. A redução de peso não significa necessariamente que todo o tecido perdido seja gordura: dependendo da velocidade

do emagrecimento, da alimentação e do nível de atividade física, também pode haver perda de massa muscular. Em idosos, esse cuidado é ainda mais importante, já que a redução de músculos pode comprometer força, mobilidade e qualidade de vida. Por isso, o acompanhamento profissional deve avaliar não apenas quantos quilos o paciente perdeu, mas o que está sendo perdido ao longo do tratamento. A estratégia pode envolver alimentação adequada, ingestão suficiente de proteínas e atividade física, especialmente exercícios de força, para ajudar a preservar a musculatura.

Além da perda de massa muscular, o uso inadequado das medicações pode estar associado a desidratação e desnutrição. Entre os efeitos adversos mais comuns estão náuseas, vômitos, diarreia, constipação e sensação de estômago cheio. Segundo a endocrinologista Renata Bussuan, esses sintomas costumam ser temporários e podem melhorar com o aumento gradual da dose. “O objetivo não é perder peso a qualquer custo. O objetivo é perder gordura preservando saúde e massa muscular”, reforça Renata.

A popularização das canetas também trouxe relatos de experiências pessoais e recomendações de influenciadores, o que pode estimular o uso sem avaliação médica. A especialista explica que a resposta de uma pessoa ao medicamento não significa que o mesmo tratamento é adequado para outra. “Cada organismo responde de forma diferente. O medicamento que foi adequado para uma pessoa pode não ser seguro para outra”. A automedicação pode levar ao uso de doses inadequadas, efeitos adversos, interações com outros medicamentos e até ao mascaramento de doenças que precisam ser investigadas. Há ainda o risco de aquisição de produtos falsificados ou sem procedência. “As pessoas podem compartilhar suas experiências na internet, mas esses relatos não substituem um diagnóstico. O tratamento da obesidade deve ser individualizado”. Para a endocrinologista o problema maior está no uso sem critérios e orientação profissional. “Essas medicações são extremamente seguras quando bem indicadas. O problema não é a caneta, mas em um uso sem diagnóstico e sem acompanhamento”.

Outro aspecto que precisa ser considerado antes do início do tratamento é a possibilidade de recuperação do peso após a interrupção do medicamento. Segundo Renata, como a obesidade é uma doença crônica, o cuidado precisa ser contínuo. A manutenção dos resultados envolve alimentação saudável, atividade física regular, preservação da massa muscular, acompanhamento médico, sono adequado e controle do estresse. A especialista resume: “A manutenção do peso depende muito mais da continuidade do cuidado do que do medicamento isoladamente. A caneta ajuda a perder peso. São os novos hábitos e o acompanhamento médico que ajudam a mantê-lo”.

O debate sobre as canetas também ganhou um novo alerta após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informar que a retatrutida ainda não foi aprovada para uso ou comercialização e permanece em fase de desenvolvimento clínico. Produtos comercializados atualmente com esse nome são considerados irregulares. “Isso significa que ele pode estar aplicando um produto falsificado, contaminado ou com dose completamente diferente da informada.” Para quem considera iniciar o tratamento, a recomendação é buscar avaliação profissional antes de utilizar qualquer medicamento. E, diante da pressão estética e da popularização desses produtos, a especialista é clara: “Não existe medicamento milagroso. Existe medicamento corretamente indicado para a pessoa certa, na dose certa e no momento certo”.


Acontece


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Autocuidado e defesa

O Grupo Belz, corretora de seguros, faz uma comemoração diferente pelo Outubro Rosa. Nesta quarta-feira (07), as funcionárias vão participar de uma manhã de autocuidados. Além de uma palestra na área de saúde com a coordenadora de Saúde da Belz, Cybelle Souza, também vão participar de uma ação visando a proteção das mulheres.  O instrutor de Defesa Pessoal, Felipe Alves, vai dar orientações de segurança e defesa pessoal para mulheres, com demonstrações práticas de situações do cotidiano — estacionamento, transporte por aplicativo, abordagem de desconhecidos — e técnicas simples para criar distância, se desvencilhar, e buscar uma rota de saída. Além de dar dicas para as mulheres de como adotar comportamentos preventivos e saber como agir diante de uma possível ameaça. A ideia da Belz é mostrar que prevenção, atenção ao ambiente e informação também fazem parte do cuidado integral com a mulher. A sede da corretora de seguros Belz fica no bairro da Ilha do Leite e recentemente ganhou, pelo segundo ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking Great Place to Work (GPTW) Pernambuco, na categoria Pequenas Empresas. O reconhecimento reforça o compromisso da companhia com a construção de um ambiente de trabalho pautado na confiança, no cuidado e na valorização dos profissionais.


A Afya Jaboatão tem programação especial no Campus 2 da Instituição. Até 9 de outubro, a instituição realiza o Open Day, destinado a estudantes que querem conhecer melhor a rotina dos cursos da área da Saúde, os ambientes de aprendizagem e as formas de ingresso. Interessados podem se inscrever pelo link https://l1nq.com/7BO50HK. 


O Instituto Yduqs e o Hemocione renovam, pelo terceiro ano consecutivo, a parceria para incentivar a doação de sangue e reforçar os estoques dos hemocentros durante o inverno. Em Pernambuco, o Centro Universitário UniFBV Wyden participa da mobilização nesta quarta-feira,7 de outubro, com saída de ônibus às 8h para o Hemope. A iniciativa envolve estudantes e comunidade acadêmica e busca estimular a formação de novos doadores espontâneos. Para doar, é preciso estar em boas condições de saúde, pesar mais de 50 kg e atender aos critérios de idade e intervalo entre doações. Gestantes e mulheres que estejam amamentando não podem doar.

O médico Yuri Barboza reúne alimentação, atividade física, mentalidade e complementos nutricionais no livro 4 Pilares da Longevidade, lançado pela Artêra, selo da Editora Appris. A obra apresenta orientações práticas para quem busca envelhecer com mais saúde, sem recorrer a dietas restritivas ou promessas de resultados rápidos. Pós-graduado em nutrologia, psiquiatria e medicina de família e comunidade, Yuri defende que a longevidade é construída diariamente, a partir de hábitos sustentáveis. O livro também aborda o uso responsável de suplementos e reforça a importância de avaliação profissional antes da suplementação. Para o médico, alimentação equilibrada, movimento, sono adequado e cuidado com a saúde mental devem caminhar juntos.

A advogada Marina Padilha lançou, na Livraria do Jardim, no Recife, o livro Direito dos Pacientes Oncológicos. Com 182 páginas, a obra apresenta, em linguagem acessível, informações sobre direitos relacionados ao tratamento do câncer, incluindo acesso a medicamentos, planos de saúde, benefícios e questões trabalhistas. Com atuação em Direito Médico e da Saúde, Marina é pós-graduada em Direito Médico e da Saúde pela Unicap e integra a Comissão de Direito e Saúde da OAB/PE

O autismo acompanha a pessoa ao longo de toda a vida, mas grande parte das discussões, da formação profissional e das políticas de atendimento ainda está concentrada na infância. É nesse cenário que o Congresso Autismo na Vida Adulta chega à sua quarta edição, nos dias 17 e 18 de outubro, no Mar Hotel Conventions, em Boa Viagem, no Recife. Consolidado como um dos principais eventos do segmento no Nordeste, o congresso reúne profissionais de saúde e educação, familiares, autistas adultos, pesquisadores e empresas para discutir os desafios e as possibilidades dessa etapa da vida. As inscrições estão abertas e podem ser feitas pelo site autismonavidaadulta.com.br.


O Centro Universitário Tiradentes (Unit), o Conselho Regional de Odontologia do Estado de Pernambuco e a Cia Teatral Riso se uniram para levar entretenimento, saúde bucal e responsabilidade social em uma peça para o Dia das Crianças. Inspirado em Alice no País das Maravilhas, o espetáculo orienta, de maneira lúdica, os cuidados com a dentição. A ideia é utilizar o teatro como ferramenta de educação e conscientização. A apresentação dura um hora e estará em cartaz domingo (11/10), no Teatro Barreto Júnior, no Pina, em duas sessões: 14h e 16h. Ingressos já disponíveis no Sympla


Mais Saúde


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Ginecologista Natália Fischer

Apesar do câncer de mama ser um dos mais recorrentes nas mulheres, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), se diagnosticado em estágios iniciais, as chances de cura são altas, devido aos avanços na medicina oncológica. Por isso, a importância de realizar exames de rotina, como ultrassonografia e mamografia (para mulheres acima dos 40 anos), além de manter hábitos saudáveis e seguir orientações médicas. 

A conscientização da prevenção do câncer de mama aumentou nos últimos anos, principalmente após a grande difusão do Outubro Rosa. Os recursos e opções de tratamento também estão mais eficientes, mas enfrentar a doença continua sendo um grande desafio. Uma das questões que preocupa muitas mulheres quando recebem o diagnóstico de câncer de mama é “não vou poder mais engravidar?”. 

Segundo a médica ginecologista Natália Fischer, especialista em reprodução humana, os tratamentos contra o câncer, como a quimioterapia, sim, podem impactar na fertilidade da mulher. Mas há alternativas para preservar a fertilidade dessa paciente e ela conseguir engravidar após vencer o câncer. “O tratamento para o câncer de mama impacta na fertilidade de duas formas. A primeira é o tempo de espera para se engravidar, porque o tempo de tratamento e pós-liberação pode variar, pode ser de dois a três anos ou mais, dependendo da agressividade do tumor”.   

A médica explica que em pacientes que têm receptor positivo no câncer para hormônio, ela vai precisar passar de cinco a 10 anos com a utilização de bloqueio hormonal. A depender da agressividade do tumor, esse tempo pode ser ainda maior. Então, esse tempo também precisa ser calculado para que ela engravide e logo em seguida volte ao bloqueio hormonal. Ou seja, o fator tempo pode impactar em termos de oportunidade de gravidez pela idade e qualidade de óvulos, pois a taxa de fertilidade da mulher cai, naturalmente, após os 35 anos. 

“Outro fator, que é até mais importante, é a questão da quimioterapia, pois ela é tóxica para o ovário. Porém, há possibilidade de proteger a fertilidade da mulher com o congelamento de óvulos”, detalha a médica Natália Fischer. Mas toda paciente oncológica pode fazer o congelamento de óvulos? Há contraindicações? De acordo com a médica especialista em reprodução humana, a princípio, todas podem fazer, mas é necessário que o médico fertileuta converse com o oncologista e com o cirurgião para que eles, juntos, possam tomar a melhor conduta no caso específico da paciente.

Sobre as taxas de gravidez natural após os tratamentos de câncer de mama vai depender muito de vários fatores, como a idade que foi feito o tratamento, a idade da liberação, o tempo de quimioterapia, se houve recidiva ou não, e se ela precisou fazer mais de um tratamento. “Varia muito. Se o ovário voltar a funcionar, se a gente tiver uma boa recuperação ovariana e se for funcionalidade, a gente tem uma boa taxa. Mas se a paciente tiver uma idade mais avançada e o ovário tiver sido mais atingido com a quimioterapia, menor a taxa a gente vai ter de sucesso. Por isso, a recomendação é fazer o congelamento de óvulos antes do início dos tratamentos contra o câncer”, reforça a médica Natália Fischer. 

Já a mastectomia só vai impactar no pós-cirúrgico, na questão da cirurgia em si. Caso a mastectomia seja unilateral, ela pode amamentar pela mama que ela ainda tem. “Há o impacto da notícia, em si, do diagnóstico, e você tem os medos relacionados a isso. Então, a gente tem a parte da autoestima pela mutilação mamária e também a parte da fertilidade”. Por isso, a importância de conversar com o oncologista sobre essas questões de fertilidade e o oncologista ter a consciência da necessidade de encaminhar para um setor especializado para que essa mulher consiga ultrapassar o restante das etapas com menos sofrimento. 

“Hoje, a gente sabe que o câncer de mama tem um alto índice de cura e de sobrevida muito alto. Então, a paciente tem que lidar com o pós. ‘Eu preciso lidar com as sequelas que foi para mim esse câncer’, seja a autoestima, a parte psicológica, a questão de ser mãe ou não, por exemplo. Assim, todas essas sequelas precisam ser lidadas e o apoio emocional é imprescindível”. 

No que diz a respeito do desejo de ser mãe, felizmente, a preservação da fertilidade é uma grande ferramenta da medicina reprodutiva para manter viva a esperança da maternidade. “O câncer é devastador do ponto de vista psicológico e emocional, mas as pacientes saem do processo de preservação com alívio e força para enfrentar o tratamento”, diz a médica Natália Fischer. “Ela sabe que estamos fazendo o congelamento porque acreditamos que ela vencerá o câncer e que terá uma vida reprodutiva pela frente, e esse é um encorajamento a mais”, conclui.

O custo para congelamento de óvulos, de forma particular, pode não ser viável para a maioria das pacientes oncológicas, já que tem um valor aproximado de 20 a 30 mil reais. A boa notícia é que, desde 2023, após decisão do Tribunal de Justiça (STJ), as operadoras de planos de saúde também devem custear o congelamento de óvulos de mulheres que fazem tratamento para o câncer, já que a infertilidade é considerada um efeito colateral desses tratamentos.


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