“Várias mudanças promovidas pela pandemia devem ser perpetuadas no setor da educação” – Revista Algomais – a revista de Pernambuco
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Rafael Dantas

“Várias mudanças promovidas pela pandemia devem ser perpetuadas no setor da educação”

Felipe Furtado, diretor executivo da Cesar School, foi um dos entrevistados na matéria de capa da edição 187.3 da Revista Algomais. Publicamos hoje na íntegra a entrevista concedida ao jornalista Rafael Dantas sobre os desafios do ensino superior no cenário pós-pandemia e fala sobre a experiência da Cesar School no período de isolamento social. Ele avalia que os aprendizados desse período não podem ser esquecidos e conta sobre a decisão da instituição, a partir da escuta dos alunos, sobre a permanência no modo remoto.

Na sua avaliação, quais as principais lições que a pandemia trouxe para o ensino superior?

Quase dois anos se passaram e a “normalidade” ainda não voltou, mas já é possível afirmar que as transformações impostas pelas circunstâncias inéditas promoveram mudanças que devem ser perpetuadas daqui em diante no setor da educação – um dos mais afetados – do ensino básico ao superior.

“No mundo inteiro, 188 países chegaram a fechar as portas de suas instituições de ensino, afetando um total de 1,5 bilhão de estudantes”, de acordo com levantamento da Unesco.

Na CESAR School foram necessárias várias iniciativas para criação de ambientes de aprendizagem não só funcionais, mas também efetivos, seguros e acolhedores para alunos, professores e colaboradores. Acredito que essa foi a principal lição aprendida.

Sentimentos como ansiedade e apreensão estiveram muito presentes desde o início da quarentena. Lidar com esses sentimentos, do ponto de vista de uma instituição de ensino, envolve uma complexidade de fatores.

Para além do apoio estrutural – notebooks, teclados, descansos de pé, flipboards, cadeiras e outros materiais foram enviados aos professores – o suporte emocional se tornou uma prioridade desde o princípio para tornar a experiência de ensino e aprendizagem confortável para alunos e docentes.

Em adição à uma parceria do CESAR com uma startup de psicologia, onde colaboradores podem ter acesso ao tratamento psicoterapêutico com desconto, o atendimento psicopedagógico da própria School foi ampliado com a contratação de mais profissionais.

Após a experiência do ensino remoto imposta pelo isolamento social, o ensino híbrido se torna uma realidade para o ano de 2022? Ou vocês retornarão ao formato 100% presencial?

Para tomar essa decisão, a CESAR School realizou um processo de escuta com os alunos e professores. Um ponto chave no entendimento dos desafios que estão à frente foi uma pesquisa realizada por meio de uma empresa parceira com alunos da graduação e pós graduação que mapeou dificuldades e angústias, a fim de criar medidas e iniciativas que a escola possa tomar para facilitar e amenizar as dores dos estudantes.

Dividido em questões quantitativas e qualitativas, o questionário abordou temas sobre emoções, rotina, estrutura de estudo, dificuldades, impressões sobre a atuação da CESAR School durante o semestre de isolamento, expectativas e sugestões para os próximos semestres.

Mais de 70% dos alunos informaram que suas rotinas foram muito impactadas pela pandemia e os sentimentos mais relatados envolvem sono desregulado, dificuldade em manter o foco e para estudar sem estrutura.

A pesquisa mapeou feedbacks de coisas que poderiam ser melhoradas, como a carga de conteúdos das disciplinas, a comunicação da escola com os alunos, solicitações de maior flexibilidade em relação às entregas e um fato que chamou a atenção: apesar da resistência inicial ao modelo remoto, a maioria dos entrevistados ressaltou que gostaria de voltar às aulas presenciais apenas quando fosse 100% seguro.

Diante desses resultados, estamos fazendo um plano para, quando chegar o momento, voltar a receber os alunos em pequenos grupos e cumprindo todos os protocolos de segurança, para a retomada de algumas atividades práticas que foram interrompidas.

Certamente, com todas as pessoas vacinadas em 2022, voltaremos com um ritmo presencial maior, mas com possibilidades de manter algumas atividades remotas sempre que forem mais produtivas para alunos e professores.

Com a pandemia, os braços de pesquisa e de extensão das instituições de ensino superior ganharam uma maior visibilidade da sociedade. Para o futuro podemos esperar que as instituições de ensino superior tenham maior conexão com os problemas sociais e desafios do lugar onde estão inseridas?

Independente do modelo ser presencial ou remoto, toda instituição de ensino superior deve primar pelas atividades de ensino, pesquisa e extensão. Na CESAR School, as pesquisas sempre estiveram na pauta das principais ações estratégicas, tanto pelo viés de fazer parte de um centro de inovação, o CESAR, quanto pelos quase 15 anos de pesquisas aplicadas com os mestrados profissionais e, recentemente, com o 1o doutorado profissional do país em ciência da computação.

Em relação às atividades de extensão, essas acontecem de maneira orgânica pela natureza como funciona o processo de ensino-aprendizagem. Os alunos da graduação e da pós-graduação são desafiados a resolverem problemas reais da sociedade com a mentoria dos professores do centro de inovação. Além disso, a escola também executa diversos projetos educacionais em escolas públicas guiados por metodologias ativas baseadas no desenvolvimento de projetos.

Com a crise econômica imposta pela pandemia o financiamento é um fator que preocupou vários setores. Como tem sido a experiência do setor da educação e da CESAR School especialmente nessa questão?

A educação pública no país tem sofrido muito com os cortes no setor da educação, especialmente nas atividades vinculadas à pesquisa.

No caso específico da CESAR School, por ser uma instituição sem fins lucrativos e sem dependência de recursos governamentais, o impacto na instituição ocorre em função da crise financeira do país que reflete diretamente no poder aquisitivo dos alunos e responsáveis financeiros.

Para minimizar essas dificuldades, além da possibilidade de alguns alunos recorrerem ao FIES, fundo de financiamento ao estudante do ensino superior que é um programa do Ministério da Educação do Brasil, também contamos com a possibilidade de acordos financeiros, caso a caso, com o máximo de flexibilidade, por exemplo, renegociação das datas de vencimento das mensalidades, abono de juros e multas e parcelamento de mensalidades em atraso.

Destacaria algum projeto que só nasceu devido a pandemia e que deve permanecer na instituição?

Podemos destacar que a transformação digital nos nossos ambientes de aprendizagem foi acelerada pela pandemia. E não estamos falando apenas das tecnologias habilitadoras e do ensino on line, mas, também, como registrado no livro da CESAR School “Transformação Digital, uma jornada possível”, da diagnose dos variados contextos culturais desses ambientes e as pessoas que deles são partes, ponto de partida e agentes principais da transformação. Desse modo, cria-se as condições de buscar novas oportunidades com modelos mais inovadores.
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*Por Rafael Dantas, repórter da Revista Algomais (rafael@algomais.com)

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