De origem Yorubá, a palavra “Aláfia” é traduzida como paz, harmonia, equilíbrio. Título perfeito para o curta homônimo dirigido pela pernambucana Cecília Fontenele. Aláfia (2025) acompanha um dia na vida de Sandra, mulher negra, de 28 anos, cujo cotidiano é fortemente marcado pela presença de três homens: o filho, o marido e o pai, e entrelaçado pela força da ancestralidade e do sagrado.
Na história, Sandra pretende fazer uma oferenda a favor da saúde do pai, que está muito doente. Sai logo cedo com o filho, sacola nas mãos. Nessa pequena jornada até a mata, local onde fará a oferenda, tem alguns momentos de transes. Vê-se no mercado, comprando os materiais para a oferenda, em casa, com o marido e, logo em seguida, visitando o pai.

O curta tem uma estética realista reforçada pelas atuações. Manoa Meliza, que interpreta Sandra, é bom exemplo disso. A atriz pernambucana transmite essa naturalidade que por vezes nos faz enxergar essa pegada quase documental. De grande talento, Manoa encarna essa força ancestral necessária à protagonista para o mover da história.
Aláfia foi exibido em março deste ano no Cine Deburu, em Planaltina (DF). O festival celebra e preserva as memórias dos povos de terreiro por meio da sétima arte. Participou também da mostra competitiva do Festival de Cinema Tela Cariri na cidade de Crato na última semana de março.