Brasileirão 2017 termina com final feliz para o Nordeste

*Por Houldine Nascimento

Em 2018, o futebol nordestino terá quatro representantes no Campeonato Brasileiro. Há algumas rodadas, o Bahia obteve a pontuação necessária para se manter na elite nacional e o Ceará fez boa campanha na Série B, terminando na zona de acesso. Sport e Vitória, que chegaram à última rodada lutando pela permanência, conseguiram os resultados necessários e também estarão na Série A do próximo ano.

Carga dramática não faltou para os dois rubro-negros nesse domingo (3). Em tese, o baiano tinha a tarefa mais fácil, uma vez que bastava vencer em casa. Já o time pernambucano precisava do triunfo e também de que ao menos um dos concorrentes diretos tropeçasse. Por incrível que pareça, o Sport sofreu menos.

Além de ganhar do time misto do Corinthians por 1 a 0, com gol de André, numa Ilha do Retiro lotada, o Leão do Recife viu os rivais pela permanência sucumbirem nos minutos finais. O Coritiba, que acabou rebaixado, sofreu a virada da Chapecoense (2 a 1) nos acréscimos, na Arena Condá. Por ironia do destino, dois “renegados” do Sport tiveram participação efetiva no gol que determinou o rebaixamento do Coxa: Apodi ajeitou para Túlio de Melo escorar sozinho de cabeça.

É bem verdade que este tento salvou mais a pele do Vitória, que perdeu no Barradão para o Flamengo por 2 a 1 e também de virada no final do jogo. Foi o desfecho de uma péssima campanha como mandante. Pelo saldo de gols, o time baiano permanece na Primeira Divisão. Outro adversário direto, o Avaí não teve forças para derrotar o Santos na Vila Belmiro e empatou por 1 a 1.

Os placares fizeram o Sport chegar aos 45 pontos e o Vitória estacionar nos 43, mesma pontuação de Coritiba e Avaí. Para a sorte do Rubro-negro da Boa Terra, a equipe catarinense tinha uma vitória a menos (11 a 10) e o Alviverde paranaense um saldo de gols pior que o seu (-9 a -8).

De duas quedas iminentes, o Nordeste passa a ter mais um representante na Série A. Com isso, 20% das vagas serão ocupadas por times da região. Se Sport e Vitória chegaram ao fim ameaçados, muito se deve a constantes erros de suas diretorias. Embora não dê para comparar com os principais clubes do Sul e Sudeste, os dois tiveram as maiores receitas da história.

Num breve exercício, as duas equipes baianas partem na frente para a temporada seguinte, sobretudo porque já possuem técnicos. O Bahia, que trocou três vezes de comandante neste Brasileirão, enfim acertou ao contratar Paulo César Carpegiani. E Vagner Mancini ajustou o Vitória, ciente das limitações técnicas do elenco, para funcionar de maneira mais eficaz, com pouca posse de bola e saindo em velocidade nos contra-ataques, o que foi uma arma letal fora de casa, mas ineficaz nos seus domínios.

Agora, os dois treinadores terão a chance de começar uma temporada à frente dos times e montar os respectivos elencos. O Sport sai atrás justo por não ter um técnico. Apesar de salvar o clube do descenso nos dois últimos anos, Daniel Paulista não seguirá no comando. O nome mais ventilado é o de Alberto Valentim, que liderou o Palmeiras na reta final do Brasileirão. Se sua vinda se concretizar, vai mostrar que a diretoria não aprendeu com os erros de 2017. Será mais uma aposta arriscada e que evidenciará uma notória falta de planejamento.

Mesmo com técnico definido, o Ceará é o time nordestino que terá mais dificuldades, ao menos sob o ponto de vista das finanças por não ter o poder de investimento dos outros três clubes da região que vão disputar o Campeonato Brasileiro. O Vozão entra consciente de que a briga é para ficar na Série A.

Será que algum dia esse roteiro manjado dos clubes do Nordeste na Primeira Divisão vai mudar?

 

Deixe seu comentário

Assine nossa Newsletter

No ononno ono ononononono ononono onononononononononnon