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Jademilson Silva

Canetas emagrecedoras: perder peso não significa necessariamente ganhar saúde


A balança pode comemorar uma queda de dez quilos. O corpo, no entanto, conta uma história mais complexa. Quando uma pessoa emagrece durante o tratamento com medicamentos como semaglutida, liraglutida ou tirzepatida, o que diminuiu não é necessariamente apenas gordura. Parte do peso perdido pode vir da massa magra, justamente um dos componentes que sustentam força, mobilidade, metabolismo e autonomia. É nesse ponto que o exercício físico deixa de ser apenas uma estratégia para gastar calorias e passa a ocupar outro lugar no tratamento. “O emagrecimento precisa ser observado além da balança. É importante entender a composição corporal e preservar a massa muscular durante esse processo”, afirma o profissional de Educação Física Elton Alves.

A perda de peso provocada pelos medicamentos está relacionada, entre outros mecanismos, à redução da fome e ao aumento da saciedade. Com menor ingestão energética, o peso corporal tende a cair. Mas o organismo não funciona como uma máquina que elimina exclusivamente gordura. Dependendo do contexto, a redução pode atingir também tecidos magros. “Quando existe uma perda de peso importante, precisamos pensar na qualidade desse emagrecimento. Não basta reduzir o número de quilos se, junto com a gordura, houver uma perda significativa de músculo”, explica Elton.

O músculo tem funções que vão muito além da aparência corporal. Participa da movimentação, contribui para a utilização da glicose, ajuda a sustentar a autonomia e está diretamente relacionado à capacidade de realizar tarefas cotidianas. Subir escadas, levantar da cadeira, carregar compras ou caminhar por mais tempo são atividades que dependem de força e condicionamento. “Uma pessoa pode estar mais leve e continuar com pouca força ou pouca capacidade física. O exercício entra justamente para mudar essa relação entre peso, força e funcionalidade”, diz.

Elton Alves capa II
Elton Alves é Personal Trainer – Foto: Bella Carneiro

Nesse cenário, o treinamento de força passa a ter uma função estratégica. Musculação e outros exercícios resistidos fornecem estímulos para a manutenção e o desenvolvimento da musculatura, especialmente durante períodos de déficit energético. “O treino de força oferece um estímulo importante para a preservação da massa muscular. Durante o emagrecimento, ele deixa de ser visto apenas como uma atividade para quem quer ganhar músculo e passa a ser uma ferramenta de proteção da composição corporal”, afirma Elton Alves.

Isso não significa que todo paciente precise começar imediatamente um programa intenso de musculação. Para alguém sedentário, com obesidade, dor articular ou baixa tolerância ao esforço, a entrada pode ser gradual. Caminhadas, exercícios adaptados, sessões curtas e atividades fracionadas podem fazer parte do início. “Não existe um único ponto de partida. A intensidade precisa considerar a condição física da pessoa. O importante é começar com segurança e criar uma progressão possível de ser sustentada”, observa.

O exercício produz adaptações que a perda de peso, isoladamente, não garante. O treinamento pode aumentar força, melhorar o condicionamento cardiorrespiratório, favorecer a capacidade funcional e melhorar a utilização da glicose pelo músculo. Estudos que analisam a combinação entre medicamentos e exercício apontam justamente para benefícios que vão além da redução do peso.

“Quando a pessoa associa o tratamento medicamentoso ao exercício, ela não está apenas tentando emagrecer. Está criando condições para que o corpo funcione melhor. A melhora da força, do condicionamento e da capacidade de realizar atividades do cotidiano é parte importante desse resultado”, afirma Elton.

A diferença pode parecer pequena no consultório, mas é concreta na vida diária. O medicamento pode ajudar a diminuir o peso. O exercício ajuda a transformar essa perda em capacidade física. “É possível resumir de uma maneira simples: a medicação pode ajudar a pessoa a pesar menos, enquanto o exercício ajuda essa pessoa a se movimentar melhor, ter mais força e sustentar um corpo funcional”, diz o profissional.

A associação entre medicamento e exercício também tem uma explicação fisiológica. Enquanto os medicamentos atuam principalmente sobre mecanismos relacionados à saciedade e ao controle da ingestão alimentar, a atividade física aumenta a demanda energética e promove adaptações musculares e metabólicas. O exercício também favorece a captação de glicose pelo músculo e melhora a sensibilidade à insulina.

“São duas estratégias que atuam em frentes diferentes. A medicação pode facilitar o controle da fome e da ingestão alimentar, enquanto o exercício trabalha diretamente a musculatura, o metabolismo e o condicionamento. Por isso, elas podem se complementar”, explica Elton Alves.

Revisões e meta-análises recentes indicam que a combinação tende a apresentar resultados mais favoráveis para peso, gordura corporal e marcadores metabólicos do que estratégias isoladas. O foco, porém, não deveria ser transformar o tratamento em uma corrida para perder quilos. “O objetivo é melhorar a saúde como um todo. A redução da gordura corporal é importante, mas precisamos olhar também para força, condicionamento, composição corporal e capacidade funcional”, ressalta.

Existe ainda uma questão que ganhou importância à medida que esses medicamentos se tornaram mais utilizados: o que acontece depois da interrupção do tratamento. Estudos mostram que o reganho de peso pode ocorrer após a suspensão, embora a magnitude varie de acordo com o medicamento, o tempo de acompanhamento e as características de cada paciente.

É nesse momento que uma rotina de atividade física pode adquirir outro significado. “O exercício não deve ser pensado apenas como algo que acompanha a utilização da medicação. Ele precisa ser construído como um comportamento que possa continuar independentemente dela”, afirma Elton.

Não há, contudo, evidência suficiente para dizer que o exercício sozinho seja capaz de impedir o reganho de peso após a suspensão dos medicamentos. A questão é mais ampla: manter força, condicionamento e uma rotina ativa pode ajudar a preservar parte dos ganhos funcionais conquistados durante o tratamento. “Não podemos prometer que o exercício vai impedir que uma pessoa recupere peso. O que sabemos é que uma vida fisicamente ativa é importante para a manutenção da saúde e dos resultados funcionais”, pondera.

Há ainda uma dimensão menos mensurável do processo. Para muitas pessoas, começar a se exercitar depois de anos de sedentarismo representa uma mudança na relação com o próprio corpo. A melhora da disposição, do humor, da percepção de capacidade e da autoestima pode influenciar a permanência no comportamento ativo.

“Quando uma pessoa percebe que consegue caminhar mais, treinar, subir uma escada ou realizar uma atividade que antes era difícil, existe uma mudança de percepção sobre o próprio corpo. Ela começa a se enxergar como uma pessoa ativa. Isso pode ser muito importante para a continuidade”, afirma Elton.

Essa mudança comportamental pode ser tão relevante quanto os efeitos fisiológicos. O tratamento da obesidade não termina necessariamente quando a balança chega a determinado número. A manutenção dos hábitos construídos durante o processo pode determinar o que acontece nos meses e anos seguintes.

As canetas também podem trazer sintomas capazes de interferir na prática esportiva. Náuseas, refluxo, constipação, diarreia, vômitos, saciedade precoce, fadiga e desidratação podem aparecer, principalmente no início do tratamento ou após aumentos de dose.

Nessas situações, insistir no mesmo volume de treinamento pode não ser a melhor escolha. “Se a pessoa está enfrentando náuseas, vômitos, tontura ou uma queda importante de rendimento, é preciso adaptar o exercício. Isso não deve ser tratado como falta de disciplina”, afirma Elton Alves.

A presença de sintomas persistentes ou intensos deve ser comunicada à equipe de saúde. O treinamento também pode precisar ser ajustado pelo profissional de Educação Física responsável pelo acompanhamento. “O exercício precisa respeitar a resposta do organismo. Em determinados momentos, reduzir a intensidade ou o volume é uma decisão de segurança, não um retrocesso”, explica.

A popularização das canetas mudou a conversa sobre obesidade ao oferecer uma ferramenta capaz de produzir perdas de peso relevantes. O próximo passo dessa discussão talvez seja justamente deixar de considerar o emagrecimento apenas como uma redução de números.

Peso, gordura corporal, massa muscular, força, condicionamento, saúde metabólica e capacidade funcional compõem um quadro mais completo. “O resultado mais interessante é aquele em que a pessoa não apenas perde peso, mas ganha capacidade de viver melhor. O exercício contribui para transformar o emagrecimento em algo mais funcional e sustentável”, conclui Elton Alves.

A medicação, quando indicada, deve ser prescrita e acompanhada por profissional habilitado. O exercício não substitui o tratamento farmacológico, assim como a medicação não substitui a construção de força, condicionamento e autonomia.

  • Durante o uso de medicamentos para emagrecimento, o acompanhamento pode considerar:
    • Peso corporal: indica a evolução do emagrecimento, mas não revela sozinho a composição da perda.
    • Gordura corporal: a redução da gordura, especialmente abdominal, é um dos objetivos do tratamento.
    • Massa muscular: sua preservação é importante para força, mobilidade, metabolismo e autonomia.
    • Força: mostra se o corpo está conseguindo sustentar e realizar movimentos com eficiência.
    • Condicionamento: indica como o organismo responde aos esforços do cotidiano.
    • Capacidade funcional: subir escadas, caminhar, levantar-se e realizar tarefas diárias são marcadores importantes de saúde.
    • Sintomas: náuseas, vômitos, tontura, desidratação e fadiga podem exigir adaptação do treinamento e avaliação da equipe de saúde.



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O Hospital Santa Joana Recife, da Rede Américas, conquistou o 5º lugar nacional em Oncologia no Ranking IntelLat 2026

O Hospital Santa Joana Recife, da Rede Américas, conquistou o 5º lugar nacional em Oncologia no Ranking IntelLat 2026, estudo que avalia instituições hospitalares privadas da América Latina. No recorte regional, o hospital também ficou entre os destaques, ocupando a 14ª posição em Oncologia na América Latina. A instituição ainda aparece entre os primeiros colocados do ranking brasileiro em outras especialidades: 8º lugar em Cardiologia, 9º em Ortopedia e Traumatologia e 14º em Pediatria. O levantamento avaliou 105 instituições de dez países latino-americanos, considerando critérios relacionados à qualidade, segurança, eficiência, inovação e experiência do paciente. O desempenho em Oncologia ocorre em meio aos investimentos do Santa Joana Recife na ampliação da estrutura e das equipes especializadas, dentro de um projeto voltado ao fortalecimento da assistência oncológica.


Recife Hospital Portugues
Real Hospital Portugûes incentiva saúde e bem-estar para uma longevidade sustentável

O Real Hospital Português realiza, nos dias 26 e 27 de setembro, uma programação voltada à promoção da saúde, prevenção e longevidade. No dia 26, às 10h30, o hospital promove um bate-papo com Daniel Cady e especialistas da instituição, no Salão de Convenções Laura Areias. O encontro é gratuito, com vagas limitadas, e as inscrições estão disponíveis pelo Sympla. No dia seguinte, 27 de setembro, acontece a 5ª edição da corrida do Real Hospital Português, com percursos de 5 km e 10 km. A iniciativa alia esporte e prevenção e chama a atenção para a conscientização sobre os cânceres de mama e próstata. As inscrições estão abertas pelo site www.soucorredor.com.br.


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A proposta é apoiar decisões terapêuticas individualizadas, levando em conta também a preservação da capacidade funcional e da qualidade de vida

A Roche Farma Brasil e o Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica (GBOT) lançaram o Guia Prático para Avaliação de Pacientes Frágeis, voltado a médicos oncologistas que atuam no tratamento do Câncer de Pulmão de Não Pequenas Células (CPNPC). Desenvolvido por um comitê de especialistas, o material reúne orientações, escalas e calculadoras de risco para ajudar na identificação da fragilidade em pacientes idosos ou com múltiplas comorbidades. A ferramenta considera fatores que vão além da idade, como perda de peso não intencional, comorbidades e condições que podem aumentar o risco de toxicidades, complicações e hospitalizações durante o tratamento. A proposta é apoiar decisões terapêuticas individualizadas, levando em conta também a preservação da capacidade funcional e da qualidade de vida.


Mais Saúde


Alexandre Ventura credito Sol Pulquerio Copia
Especialista no tema, o oftalmologista Alexandre Ventura, diretor do Instituto de Olhos Fernando Ventura, destaca a importância do Teste do Olhinho logo após o nascimento do bebê

Ganhou muita repercussão no Brasil, em 2022, o caso da menina Lua, filha do apresentador Tiago Leifert, diagnosticada com retinoblastoma. Raro câncer de olho, a doença tem 90% de chances de cura, caso seja identificado precocemente, de acordo com o Ministério da Saúde.

O órgão, também, levantou que 400 novos casos de retinoblastoma são identificados todos os anos, porém, 50% deles são diagnosticados tardiamente, o que reduz a chance de cura. Especialista no tema, o oftalmologista Alexandre Ventura, diretor do Instituto de Olhos Fernando Ventura, destaca a importância do Teste do Olhinho logo após o nascimento do bebê.

“Esse teste deve ser feito, de preferência, ao nascimento, se possível na maternidade. O acompanhamento de toda criança deve ser feito com o pediatra e o oftalmopediatra. É necessário pelo menos uma consulta no primeiro ano de vida. No caso de Lua, Leifert percebeu por uma foto. Nossa retina transmite um reflexo vermelho, uniforme. No caso de opacidade no olho, ele vai dar uma alteração de coloração. Um dos sinais de que algo está errado é quando fica com a cor branca”, explicou Ventura.

Neste mês de setembro, mais precisamente em 18/09, o Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma é celebrado. Alexandre Ventura ressalta que a fixação do olhar deve ser uniforme nos dois olhos. No caso da filha de Tiago Leifert, Lua tentou desviar o olhar para focar com a outra parte da retina, buscando uma área do olho que não tivesse com problema, o chamado estrabismo.

“O retinoblastoma geralmente se desenvolve no primeiro ano de vida. Sendo no primeiro ano, será um câncer mais grave, podendo ser bilateral ou trilateral, comprometendo células primitivas do cérebro. Mas ele se desenvolve até os cinco anos de idade. Desenvolvendo mais tarde, ele torna-se um câncer mais brando. Mas infelizmente é um câncer maligno, que precisa de acompanhamento e tratamento específicos”, acrescentou o oftalmologista.

O oftalmologista do IOFV destaca que não há um fator de risco sobre a origem da doença. Os tumores nos primeiros anos de vida costumam ter origem genética. Alexandre pontua, ainda, que existem alterações de mutação de células de retina que vão proliferar.

“Depende do tamanho do tumor. Os menores podem ser tratados com laser, crioterapia (congelamento da massa tumoral), ou até a cirurgia, com a remoção intraocular. Em outros casos, a quimioterapia é necessária. Ela é uma ‘bomba’ para matar o tumor, mas hoje conseguimos quimios direcionadas, através de intervenção cirúrgica”, concluiu o médico.


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