Planejamento, adaptação sensorial e previsibilidade ajudam a garantir a participação de pessoas com TEA na folia
O Carnaval é uma das expressões culturais mais marcantes de Pernambuco, mas o excesso de estímulos sensoriais — como música alta, multidões e cores intensas — pode dificultar a participação de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Diante desse cenário, especialistas destacam que a inclusão no Carnaval é possível quando há planejamento, informação e respeito às diferenças.
A psicóloga Frínea Andrade, especialista em autismo, mãe atípica e fundadora do Instituto Dimitri Andrade, defende que a participação de pessoas neurodivergentes em eventos culturais deve ser garantida com sensibilidade. “Pessoas neurodivergentes também têm o direito de viver as festas e tradições culturais. Participar dessas comemorações é uma forma importante de estimular a socialização, fortalecer vínculos com a comunidade e se conectar com a nossa cultura”, afirma.
Segundo a especialista, pequenas adaptações podem reduzir significativamente a sobrecarga sensorial durante o Carnaval. Entre as principais medidas estão a disponibilização de espaços mais silenciosos para pausas, o uso de comunicação visual com imagens e a divulgação prévia da programação, facilitando a compreensão da rotina do evento por pessoas com TEA.
A preparação gradual também é apontada como essencial para uma experiência positiva. “Seja nas festas escolares ou em outras programações sociais é fundamental realizar uma aproximação gradual da pessoa com autismo aos estímulos da celebração”, orienta Frínea Andrade. Recursos como histórias sociais, vídeos explicativos, marcação das datas no calendário e o uso de abafadores de som ajudam a reduzir a ansiedade e favorecer a adaptação.
No ambiente familiar, a recomendação é introduzir os elementos do Carnaval de forma progressiva, respeitando os limites individuais. Experimentar fantasias com antecedência, optar por roupas confortáveis e apresentar as músicas de forma lúdica contribuem para a familiarização. “Incluir pessoas com autismo no Carnaval não significa expô-las a situações de sofrimento, mas oferecer condições para que participem com conforto e segurança. Com informação, planejamento e respeito às diferenças, a festa pode ser vivida de forma mais acessível e acolhedora para todos”, conclui a psicóloga.

