Coordenadora do Nordeste Transparente aponta lacunas nos planos de governo para PE

Da mobilidade dos pedestres à transparência das filas de atendimento, passando pela alfabetização de jovens e adultos e pelo fortalecimento da estrutura do Estado, diferentes desafios de Pernambuco receberam atenção limitada nos planos de governo dos candidatos. A avaliação é de Raquel Lins, coordenadora da plataforma Nordeste Transparente, que também destaca propostas nas áreas de segurança, educação, inovação e sustentabilidade.

Estrutura pública e segurança

O fortalecimento de órgãos estaduais como CPRH, Condepe/Fidem e IPA aparece entre os pontos considerados importantes pela especialista. Na segurança, Raquel chama atenção para a necessidade de ampliar a estrutura de perícia e investigação para aumentar a capacidade de solução e punição dos crimes contra a vida. Ela também ressalta iniciativas de ressocialização previstas por Raquel Lyra, “ao garantir escolas em todas as unidades prisionais e expandir fortemente as fábricas e espaços laborais”. Outra frente destacada é a criação de instrumentos de acompanhamento das políticas de segurança e Justiça, que “são relevantes para viabilizar um controle social e uma participação mais efetiva da sociedade”.

Educação ainda apresenta lacunas

Na educação, a coordenadora do Nordeste Transparente chama atenção para a alfabetização de jovens e adultos e para a situação do ensino destinado às populações indígenas e quilombolas. Segundo ela, ainda há escassez de profissionais especializados e de unidades voltadas a essas comunidades. Raquel também identifica pouco espaço para políticas de fortalecimento das redes de bibliotecas e modernização de pontos de leitura fora das escolas. No esporte, outra lacuna apontada é o detalhamento de iniciativas para formação de atletas, editais e transparência no acesso às diferentes modalidades.

Tecnologia precisa chegar ao cidadão

A digitalização do Estado é outro ponto que, para Raquel, precisa estar mais diretamente relacionada à experiência da população. Entre os exemplos estão a telemedicina e a possibilidade de ampliar a transparência das filas de atendimento, tanto na saúde quanto em áreas como educação, cultura e esportes. “Afinal, como toda essa nova tecnologia irá se reverter em uma outra interação e prestação de serviço? Eis uma questão que permanece”. No campo da inovação, ela ressalta iniciativas da atual gestão, como Cientista Arretado e Desafios.Gov, além de programas destinados a negócios liderados por mulheres.

Sustentabilidade e mobilidade

Entre as propostas apresentadas por Ivan Moraes, Raquel destaca a retomada do Todos Com a Nota em formato digital e a criação da Nota Verde Pernambuco, com incentivos relacionados a cooperativas, reciclagem, agricultura familiar, economia circular e negócios de baixo impacto ambiental. “Ele foi o único a enfatizar que o Estado precisa entrar em uma nova fase: reduzir o volume enterrado, recuperar recicláveis, compostar orgânicos, fortalecer a logística reversa e remunerar catadores e catadoras como agentes ambientais.” Já na mobilidade, a especialista identifica uma lacuna comum: “Um último ponto de atenção é que a mobilidade pedonal praticamente foi esquecida”. Recuperação e padronização de calçadas, travessias seguras e eliminação de barreiras estão entre as medidas que, na avaliação de Raquel, deveriam receber estratégias mais robustas e articuladas com os municípios.

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