A nutricionista Rebeca Pessoa, da Clínica NutriGen, destaca que o autocuidado materno, aliado à alimentação equilibrada, ao manejo do estresse e ao suporte nutricional individualizado, é essencial para promover saúde integral, equilíbrio emocional e qualidade de vida das mulheres
No contexto da maternidade, a sobrecarga física e emocional frequentemente leva à negligência do autocuidado. Do ponto de vista clínico, essa condição pode impactar parâmetros metabólicos, imunológicos e neuroendócrinos, comprometendo não apenas a saúde da mulher, mas também a dinâmica familiar.
“A mãe costuma ser o eixo da organização familiar. Quando há equilíbrio físico e emocional, isso se reflete diretamente no ambiente como um todo”, explica a nutricionista Rebeca Pessoa.
Alimentação e suporte nutricional
Uma alimentação equilibrada é fundamental para sustentar as demandas fisiológicas aumentadas. Micronutrientes como vitamina D, zinco, selênio, magnésio e vitaminas do complexo B desempenham papel relevante na modulação da resposta imune e na produção de energia.
“Além desses nutrientes já conhecidos, outros compostos têm ganhado destaque na prática clínica, como a colina e o iodo, que atuam diretamente na função cognitiva, regulação metabólica e níveis de energia”, destaca Rebeca.
Deficiências nutricionais, mesmo em níveis subclínicos, podem gerar sintomas importantes
“Na prática clínica, é comum observar que alterações sutis, como baixa ferritina, mesmo sem anemia, já se associam a fadiga persistente, queda de cabelo e dificuldade de concentração”, explica.
Estratégias alimentares com alta densidade nutricional, incluindo adequada ingestão proteica e preparações ricas em aminoácidos e minerais, como o caldo de ossos, podem contribuir para integridade intestinal, recuperação tecidual e suporte metabólico.
Composição corporal e desempenho funcional
A ingestão proteica insuficiente e a baixa massa muscular estão associadas à redução da capacidade funcional e da disposição no dia a dia.
“A manutenção da massa muscular é essencial não apenas para estética, mas para metabolismo, imunidade, força e autonomia funcional”, ressalta a nutricionista.
A associação entre alimentação adequada e atividade física é fundamental para otimização do metabolismo energético e melhora da qualidade de vida.
Estresse, sono e regulação emocional
O estresse crônico promove ativação persistente do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, com aumento dos níveis de cortisol, impactando negativamente o sono, a imunidade e a saúde mental.
“Nutrientes como magnésio e vitaminas do complexo B atuam como cofatores importantes nesse processo”, explica Rebeca.
Além disso, componentes alimentares como triptofano e ômega-3 participam da síntese de neurotransmissores relacionados ao humor e ao sono.
“O equilíbrio desses nutrientes influencia diretamente a qualidade do sono e a regulação emocional”, complementa.
A qualidade do sono é essencial para recuperação fisiológica, regulação hormonal e equilíbrio emocional e metabólico.
Suplementação nutricional
A suplementação pode ser uma estratégia adjuvante em situações de maior demanda ou risco de inadequação nutricional, devendo ser sempre individualizada.
“A suplementação não substitui a alimentação, mas pode potencializar resultados quando bem indicada”, afirma.
O autocuidado materno deve ser compreendido como uma estratégia preventiva e terapêutica. A priorização da saúde da mulher impacta diretamente sua funcionalidade, bem-estar e capacidade de cuidado.
“Cuidar de si não é um luxo, mas uma necessidade. É um investimento na própria saúde e no equilíbrio de toda a família”, conclui Rebeca.
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| Autocuidado materno na prática
• Micronutrientes-chave: vitamina D, magnésio, zinco, selênio e complexo B
• Destaques clínicos: colina, iodo, ferritina (avaliação do ferro), ômega-3 e triptofano
• Estratégia alimentar: alta densidade nutricional e ingestão proteica adequada
• Composição corporal: preservação de massa muscular
• Sono: priorizar qualidade e regularidade
• Suplementação: individualizada, com orientação profissional