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Jademilson Silva

Dor crônica afeta milhões de brasileiros e encontra no Pilates uma ferramenta para recuperar movimento e qualidade de vida

Juliana de Lacerda é fisioterapeuta e instrutora de pilates -

A dor é um mecanismo natural de proteção do organismo. No entanto, quando persiste por meses e passa a interferir na rotina, no sono, no trabalho e na qualidade de vida, ela deixa de ser apenas um sintoma e se transforma em uma condição de saúde complexa. É o que acontece nos casos de dor crônica, um problema que afeta milhões de pessoas e desafia profissionais da saúde por envolver fatores físicos, emocionais e neurológicos.

Clinicamente, a dor crônica é caracterizada pela permanência do quadro por mais de três meses, mesmo após o período esperado de cicatrização dos tecidos. Com o passar do tempo, o organismo pode desenvolver alterações no próprio sistema nervoso, tornando-se mais sensível aos estímulos e ampliando a percepção dolorosa.

Nesse cenário, o tratamento exclusivamente medicamentoso costuma apresentar limitações importantes.

“A dor crônica não depende apenas de uma lesão física. Com o tempo, o sistema nervoso pode se tornar mais sensível, fazendo com que o cérebro interprete estímulos normais como dolorosos. Além disso, fatores como ansiedade, estresse, alterações do sono, medo do movimento e sedentarismo influenciam diretamente na intensidade da dor”, explica Juliana de Lacerda, fisioterapeuta e instrutora de Pilates.

Segundo a especialista, o manejo mais eficaz exige uma abordagem multidisciplinar, que associe exercícios terapêuticos, fortalecimento muscular, reeducação do movimento e mudanças no estilo de vida.

Durante muito tempo, pessoas com dor crônica receberam orientações para evitar atividades físicas. Hoje, o entendimento científico é justamente o oposto. O movimento passou a ser considerado uma das principais ferramentas terapêuticas no controle da dor persistente.

A prática de exercícios estimula a circulação sanguínea, melhora o condicionamento físico, fortalece a musculatura e favorece a liberação de substâncias associadas ao bem-estar e ao controle natural da dor. Além disso, contribui para modular a resposta do sistema nervoso, reduzindo a hipersensibilidade frequentemente presente nesses pacientes.

“O movimento ajuda o corpo a recuperar função, mobilidade e confiança. Quando bem orientado e respeitando os limites individuais, ele não é um inimigo da dor crônica, mas uma das ferramentas terapêuticas mais importantes no processo de reabilitação”, afirma Juliana.

Por outro lado, o sedentarismo tende a criar um ciclo difícil de interromper. Quanto menos o paciente se movimenta, maior costuma ser a perda muscular, a rigidez articular e a sensação de incapacidade, fatores que contribuem para o agravamento do quadro.

Entre as modalidades utilizadas no tratamento da dor crônica, o Pilates vem se destacando por unir fortalecimento muscular, consciência corporal, controle motor e mobilidade em uma mesma prática.

Diferentemente de programas convencionais de exercícios, o método trabalha a qualidade do movimento, a percepção corporal e a estabilidade do corpo durante as atividades do dia a dia.

“Em muitos pacientes com dor crônica ocorre uma desorganização dos padrões motores, levando a compensações, sobrecargas e movimentos inadequados. O Pilates ajuda a reeducar esses padrões, promovendo mais estabilidade, funcionalidade e segurança”, explica a fisioterapeuta Juliana de Lacerda.

Outro diferencial está no fortalecimento da musculatura profunda, especialmente dos músculos estabilizadores da coluna, abdômen, pelve e quadril. Essas estruturas desempenham papel fundamental na proteção das articulações e na distribuição equilibrada das cargas corporais.

Muito citado nas aulas de Pilates, o fortalecimento do chamado core vai além da busca por condicionamento físico. Trata-se de um conjunto de músculos responsáveis pela estabilização do tronco e pela sustentação do corpo durante os movimentos.

Quando essa musculatura não funciona adequadamente, aumentam as compensações e as sobrecargas sobre articulações, músculos e estruturas da coluna vertebral.

“O objetivo não é apenas fortalecer, mas ensinar o corpo a estabilizar melhor durante os movimentos do dia a dia. Com isso, o paciente passa a se movimentar com mais equilíbrio, menos tensão e menor gasto compensatório”, destaca Juliana.

Segundo ela, ao longo do tempo essa melhora na estabilidade contribui para redução das dores recorrentes, melhora da postura e aumento da funcionalidade.

Juliana de lacerda reforme

Um dos desafios mais frequentes entre pessoas que convivem com dor persistente é a chamada cinesiofobia, o medo de realizar movimentos por receio de sentir dor ou agravar o problema.

Esse comportamento acaba gerando um efeito contrário ao desejado. A redução das atividades favorece perda muscular, rigidez, insegurança e mais limitações funcionais.

“A cinesiofobia é muito comum. Muitas pessoas passam tanto tempo sentindo dor que começam a associar qualquer movimento a uma ameaça. O Pilates ajuda porque trabalha o movimento de forma gradual, segura e consciente, reconstruindo a confiança no próprio corpo aos poucos”, afirma.

Para a especialista, esse processo envolve não apenas aspectos físicos, mas também emocionais, permitindo que o paciente volte a enxergar o movimento como algo seguro e benéfico.

Os benefícios do método podem ser observados em diferentes condições clínicas. Entre os quadros mais comuns estão lombalgia crônica, cervicalgia, fibromialgia, dores relacionadas ao trabalho, artrose, hérnias discais, dores miofasciais, alterações posturais e processos de reabilitação pós-cirúrgica.

Nos casos de fibromialgia, por exemplo, o Pilates apresenta a vantagem de ser uma atividade de baixo impacto e facilmente adaptável à tolerância de cada paciente.

“O mais importante é entender que o método não trata apenas a dor isoladamente, mas o indivíduo como um todo, respeitando seus limites e promovendo movimento com qualidade e segurança”, ressalta Juliana.

Juliana de Lacerda Miolo2

Embora muitas pessoas percebam melhora nas primeiras semanas de prática, especialmente em relação à mobilidade e ao bem-estar, os resultados mais consistentes costumam surgir entre seis e doze semanas de acompanhamento regular.

A especialista reforça, porém, que não existe fórmula pronta.

“Dois pacientes com o mesmo diagnóstico podem apresentar limitações, medos e necessidades completamente diferentes. Por isso, a individualização é um dos pontos mais importantes no tratamento da dor persistente”, explica.

Segundo ela, a adaptação da intensidade, da carga, da amplitude dos movimentos e do ritmo dos exercícios é fundamental para garantir segurança, adesão e evolução clínica.

Para quem convive com dor crônica e ainda tem receio de iniciar uma atividade física, a orientação é buscar acompanhamento profissional e entender que o movimento faz parte da recuperação.

“Muitas pessoas acreditam que precisam esperar a dor passar para voltar a se movimentar. Na maioria dos casos, acontece justamente o contrário. O movimento bem orientado ajuda o corpo a recuperar função, autonomia e qualidade de vida. O importante é começar de forma gradual, respeitando o próprio tempo e entendendo que cada pequena conquista faz parte do processo”, conclui Juliana de Lacerda.

Quando conduzido de forma individualizada e segura, o movimento deixa de ser uma ameaça e passa a ser um dos principais aliados no enfrentamento da dor crônica.

• Dor que persiste por mais de três meses

• Limitação para atividades do dia a dia

• Medo de se movimentar por receio de sentir dor

• Alterações no sono relacionadas ao desconforto

• Queda na produtividade ou afastamento do trabalho

• Dependência frequente de medicamentos para aliviar sintomas

• Sensação de rigidez constante ou perda de mobilidade

• Impacto na saúde emocional, com ansiedade, estresse ou desânimo

Nesses casos, a avaliação de profissionais especializados é fundamental para identificar as causas do problema e definir o tratamento mais adequado.

Circuito
FW Miolo corrida
Diogo Barbosa é maratonista

O maratonista e doutor em Educação Física Diogo Barbosa anunciou o calendário 2026 do projeto Maratonas pelo Brasil, iniciativa que tem como objetivo completar uma maratona (42,195 km) em todos os 27 estados brasileiros ao longo de dez anos. A nova temporada prevê a realização de sete maratonas, sendo três delas válidas como etapas oficiais do desafio nacional.

Após concluir provas em Pernambuco, Distrito Federal, Paraíba, Alagoas e Rio de Janeiro, o atleta amplia sua jornada com novos destinos, incluindo Porto Alegre, Salvador e Aracaju. Mais do que um desafio esportivo, o projeto busca incentivar a prática da corrida, promover saúde e valorizar a diversidade cultural do país.

“Cada maratona representa muito mais do que resistência física. É sobre viver o Brasil de forma intensa, conhecer novas culturas, incentivar o esporte e mostrar que é possível ir além dos próprios limites”, destaca Diogo Barbosa.

Os bastidores e a preparação para as próximas etapas podem ser acompanhados no Instagram @oprofcorre.

Algomais Acontece
FW foto oncologia Americas
Investimento de R$ 23 milhões na expansão do setor de oncologia

O Hospital Santa Joana Recife, da Rede Américas, segunda maior rede de hospitais privados do Brasil, avança na ampliação de sua área de oncologia, em um movimento estratégico que reforça o posicionamento da instituição como um dos principais centros de tratamento oncológico do Nordeste. Com investimento físico em infraestrutura e na integração de novos especialistas renomados às equipes médicas, o Hospital está ampliando em 50% a capacidade de atendimento aos pacientes oncológicos.

A nova estrutura da oncologia do Santa Joana Recife, que conta com um investimento de R$ 23 milhões, soma atualmente 13 consultórios exclusivos na nova torre, inaugurados em março, e passará a incorporar mais 34 unidades de internação, além da ampliação, em agosto, dos espaços destinados à infusão de quimioterápicos e outras terapias, que saltam de 11 para 28 posições, crescimento de 154%.

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Oncologistas e hematologistas do Santa Joana Recife

“A expansão da oncologia do Hospital Santa Joana Recife está alinhada ao compromisso da Rede Américas de transformar o cuidado em saúde por meio da excelência assistencial, da inovação e da integração entre equipes multidisciplinares. Estamos fortalecendo uma estrutura capaz de oferecer atendimento cada vez mais completo e resolutivo para os pacientes da região”, afirma Gustavo Fernandes, vice-presidente de Oncologia da Rede Américas. “Investir em qualidade assistencial e oferta de cuidado é um dos pilares da nossa estratégia”, complementa.

O projeto faz parte da estratégia da Rede Américas em fortalecer polos de excelência em oncologia em diferentes regiões do país. Presente em sete estados e no Distrito Federal, a empresa reúne 26 hospitais, 38 unidades oncológicas, mais de 30 mil colaboradores, 35 mil médicos atuantes e mais de 3.800 leitos.

Além dos investimentos em infraestrutura, o hospital pretende fortalecer o seu corpo clínico com a chegada de novos especialistas e a ampliação da equipe multidisciplinar. Entre os reforços recentes estão os oncologistas Bruno Pacheco, Eriberto Marques, Luiz Felipe, Marinus Lima, Rodrigo Arruda e Romildo de Araújo. O movimento se soma à estratégia iniciada nos últimos anos de atração de especialistas e formação de um núcleo assistencial altamente qualificado, que hoje integra mais de 20 médicos dedicados à oncologia na instituição.

“A consolidação de uma equipe médica robusta e altamente especializada é tão importante quanto os investimentos em estrutura. Nosso objetivo é oferecer ao paciente uma jornada integrada, com acesso a especialistas, tecnologia de ponta, atendimento multidisciplinar e, cada vez mais, oportunidades relacionadas à pesquisa clínica e à inovação terapêutica”, destaca Erica Batista, diretora-geral do Hospital Santa Joana Recife.

Nos últimos anos, o Hospital Santa Joana Recife vem acumulando importantes avanços em sua trajetória de crescimento na oncologia e em áreas de alta complexidade.

Em 2023, inaugurou uma nova área dedicada à oncologia e ampliou sua equipe médica especializada. Em 2025, estruturou seu serviço de hematologia, modernizou sua plataforma de cirurgia robótica com a chegada do sistema Da Vinci X, e conquistou destaque internacional no Ranking IntelLat 2025 ao alcançar a 11ª posição em Oncologia entre os hospitais avaliados na América Latina.

Já em 2026, o hospital iniciou a operação da nova área de oncologia na nova torre, celebrou dez anos da cirurgia robótica com mais de 2.300 procedimentos realizados e deu continuidade à ampliação do corpo clínico especializado.

A expectativa é que a conclusão das próximas etapas da expansão consolide o Santa Joana Recife como referência regional em oncologia, fortalecendo um modelo de cuidado que integra assistência, pesquisa clínica, inovação tecnológica e experiência do paciente.

FW diretores Santa Joana
Os médicos Gustavo Fernandes e Érica Batista

A expansão da oncologia no Hospital Santa Joana Recife acompanha o crescimento da Oncologia Américas, plataforma especializada da Rede Américas que já atende mais de 175 mil pacientes, reúne mais de 250 consultórios, 450 boxes de infusão, 12 aceleradores de radioterapia e participa de mais de 300 projetos de pesquisa clínica voltados ao desenvolvimento de novas drogas e novas indicações terapêuticas. A estratégia busca integrar assistência de alta complexidade, pesquisa clínica e incorporação responsável de novas tecnologias, ampliando o acesso dos pacientes a tratamentos cada vez mais modernos e personalizados. Entre os focos de desenvolvimento estão a expansão dos estudos clínicos, o uso crescente de ferramentas de inteligência artificial para apoio à navegação dos pacientes e identificação de possíveis achados oncológicos, além da consolidação de linhas de cuidado voltadas às terapias imunomediadas.

A Rede Américas é a segunda maior rede de hospitais do Brasil, com atuação em sete estados (SP, RJ, PR, BA, PE, SE, RN) e no DF.  São 26 hospitais e 38 unidades oncológicas, resultado da joint venture entre Dasa e Amil.  Com mais de 30 mil colaboradores, 35 mil médicos atuantes e mais de 4.200 leitos, une excelência clínica, inovação contínua e olhar humano. Guiada pelo propósito “Paixão por cuidar”, alia qualidade assistencial e segurança em cada etapa do atendimento aos pacientes.

Mais Saude
FW Hope
Cuidar da saúde para ter um São João com mais bem-estar

A chegada do São João, marcado por quadrilhas, shows e fogueiras, cresce também a preocupação com a saúde respiratória e auditiva. Em Pernambuco, onde o período junino se mistura às chuvas e às oscilações de temperatura, quem convive com rinite, sinusite ou asma costuma perceber um aumento importante nos sintomas. Embora a festa seja símbolo da cultura nordestina e reúna milhares de pessoas em celebrações tradicionais, alguns cuidados podem fazer diferença para garantir diversão sem prejuízos ao organismo.

As fogueiras e o cheiro da pólvora da queima de fogos de artifício estão entre os principais fatores de irritação das vias aéreas superiores durante os festejos. O contato com esses elementos pode provocar ardor, dor, aumento da secreção, sensação de nariz entupido e desconforto na garganta. “A exposição à fumaça irrita toda a via respiratória, inclusive o nariz e a garganta”, explica Raquel Rodrigues, médica otorrinolaringologista do HOPE, Hospital de Olhos de Pernambuco. 

Segundo a especialista, “o problema não acontece por um mecanismo alérgico propriamente dito, mas pela ação irritativa desses agentes sobre as mucosas, situação ainda mais sensível para quem já convive com doenças respiratórias crônicas, como rinite e sinusite. Além disso, esse é um período de chuvas na nossa região, então os pacientes alérgicos tendem a sofrer mais nessa época”, diz a médica. 

Em muitos casos, a inflamação nasal interfere em toda a via respiratória, podendo impactar inclusive o controle da asma. Isso acontece porque nariz, garganta e pulmões funcionam de forma integrada, e um desequilíbrio em determinada região pode repercutir nas demais. “A gente tem uma única via aérea. Quando a rinite e a asma não estão controladas, o paciente sofre mais e pode ter agravamento dos quadros”, pontua.

Pessoas que apresentam quadros parcialmente controlados ou sem acompanhamento adequado ficam mais suscetíveis à piora dos sintomas e às chamadas agudizações, que podem exigir atendimento médico e até internação, especialmente entre asmáticos. Para atravessar a temporada junina com mais tranquilidade, a orientação principal é antecipar o cuidado. Avaliar se o tratamento está adequado e priorizar a hidratação, ajudam o organismo a enfrentar melhor esse período.

 “O ideal é se antecipar às festas e conferir se está tudo certinho, principalmente em relação às medicações”, orienta a médica. “Você pode aproveitar o São João sem ficar literalmente ao lado da fogueira. Outro cuidado é beber bastante água para manter as mucosas das vias áreas úmidas. Além disso, antes e depois de se expor à fumaça, lavar as narinas com soro fisiológico para ajudar a remover partículas de fuligem e poeira acumuladas”, acrescenta. 

Outro ponto de atenção nos festejos é com a saúde auditiva. A intensidade sonora dos shows e o tempo prolongado de exposição ao ruído elevam o risco de lesões no ouvido, principalmente para quem permanece próximo das caixas de som. “Quanto mais perto da fonte sonora, maior a chance de ocorrerem danos na via auditiva que nem sempre são reversíveis”, destaca. Por isso, perda de audição ou qualquer incômodo persistente após apresentações musicais merecem investigação. “Muita gente sai do show com zumbido e acha normal, mas isso pode indicar que há alguma alteração nas estruturas do ouvido”, observa.

Caso surjam sintomas como dor, sensação de audição abafada ou zumbido persistente após shows e fogos, a recomendação é obter uma avaliação especializada o mais cedo possível. “Se aparecer qualquer incômodo auditivo que não passa, é importante  buscar  atendimento com um médico otorrinolaringologista o quanto antes para entender o que aconteceu e avaliar o que pode ser revertido”, orienta.

Com prevenção, controle adequado das doenças respiratórias e atenção aos excessos, é possível aproveitar o São João com segurança. “Tem como todo mundo brincar de forma saudável e se divertir sem sequelas auditivas ou agravamento de quadros respiratórios”, finaliza Raquel Rodrigues.


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