Nutricionista Rogério Gomes explica sinais de alerta, impactos no desenvolvimento e orienta pais sobre como lidar com a seletividade alimentar em crianças com TEA
A hora da refeição, que deveria ser um momento de cuidado e conexão, pode se transformar em um desafio para muitas famílias de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A seletividade alimentar, comum nesses casos, vai além de uma simples “fase” da infância e pode impactar diretamente a saúde, o desenvolvimento e a rotina familiar.
De acordo com o nutricionista Rogério Gomes, a seletividade alimentar se caracteriza pela aceitação de poucos alimentos e forte resistência a experimentar novidades. “No autismo, isso aparece de forma mais intensa. A criança pode preferir apenas determinadas texturas, cores ou até marcas específicas. Às vezes, pequenas mudanças na forma de preparo já são suficientes para gerar recusa”, explica.

Essa característica difere da seletividade considerada comum na infância, que costuma ser passageira. “Na fase seletiva típica, a criança tende a voltar a aceitar novos alimentos com o tempo. Já no TEA, a recusa é mais persistente e pode limitar bastante a variedade alimentar”, destaca o especialista.
Sinais de alerta
Entre os principais sinais de alerta estão a aceitação de um número muito restrito de alimentos, a rejeição constante de novidades e o estresse durante as refeições. “Quando a alimentação passa a gerar tensão diária ou começa a prejudicar o crescimento da criança, é hora de buscar ajuda profissional”, orienta Rogério Gomes.
A seletividade alimentar no autismo está diretamente relacionada à sensibilidade sensorial. Textura, cheiro, cor e temperatura dos alimentos podem causar desconforto real. “Algumas crianças percebem essas características de forma muito mais intensa. Um cheiro forte ou uma textura diferente pode ser suficiente para provocar rejeição imediata”, afirma.
Além disso, a rigidez na rotina também influencia. Mudanças simples, como trocar a marca de um alimento ou alterar o corte, podem gerar insegurança. Experiências negativas anteriores, como engasgos, também podem reforçar esse comportamento.
Impacto na nutrição
Os impactos nutricionais são uma das principais preocupações. A repetição constante dos mesmos alimentos pode levar à deficiência de nutrientes essenciais. “Os déficits mais comuns envolvem ferro, vitamina D, cálcio, zinco e vitaminas do complexo B. Isso pode afetar crescimento, imunidade, energia e até o desenvolvimento cognitivo”, alerta o nutricionista.
Segundo ele, quando a alimentação é muito restrita, a criança pode apresentar cansaço frequente, maior irritabilidade e até dificuldade de aprendizado. “O corpo e o cérebro precisam de nutrientes variados para funcionar bem. Sem isso, o desenvolvimento pode ser comprometido.”
O acompanhamento nutricional, nesses casos, deve ser individualizado e respeitar o ritmo da criança. “Não existe fórmula pronta. É um trabalho gradual, feito em conjunto com a família e, muitas vezes, com uma equipe multiprofissional”, explica.
Estratégias
Entre as estratégias recomendadas está a introdução alimentar progressiva, sem pressão. “A criança precisa se sentir segura. Primeiro ela pode olhar, tocar, cheirar. Depois, aos poucos, experimentar. Repetir esse processo ao longo do tempo ajuda o alimento a deixar de ser estranho”, orienta.
Forçar a ingestão, segundo o especialista, é um erro comum e pode agravar a situação. “Pressionar aumenta a ansiedade e reforça a recusa. O ideal é criar um ambiente tranquilo, com rotina organizada e sem transformar a refeição em um momento de conflito.”
O ambiente familiar, inclusive, tem papel fundamental nesse processo. Crianças tendem a observar e reproduzir comportamentos. “Quando as refeições acontecem com calma, sem distrações ou cobranças, há mais abertura para experimentar. Já um ambiente tenso dificulta ainda mais”, pontua.
Em situações fora de casa, como escola ou festas, o planejamento pode ajudar. Levar alimentos já aceitos e alinhar expectativas reduz o estresse. “O mais importante é que a criança se sinta confortável. A comida não pode ser motivo de pressão nesses momentos”, reforça.
Para Rogério Gomes, a principal mensagem para os pais é ter paciência e respeitar o tempo da criança. “Cada pequeno avanço deve ser valorizado. Com apoio adequado e sem cobranças excessivas, é possível ampliar o repertório alimentar e melhorar a relação com a comida”, conclui.
Seletividade alimentar no TEA: o que observar
Sinais de alerta:
- Aceita poucos alimentos
- Rejeita novidades com frequência
- Prefere marcas, texturas ou cores específicas
- Estresse durante as refeições
Principais riscos:
- Deficiência de vitaminas e minerais
- Prejuízo no crescimento
- Baixa imunidade
- Impactos no desenvolvimento cognitivo
O que ajuda:
- Introdução gradual de alimentos
- Ambiente tranquilo nas refeições
- Rotina organizada
- Acompanhamento profissional
Forçar a criança a comer pode aumentar a recusa. O caminho mais eficaz é o respeito ao tempo e o incentivo sem pressão.

Caminhada “Passos Pela Vida” mobiliza mulheres em ato por respeito

A Caminhada Passos Pela Vida será realizada na próxima quarta-feira, 08 de abril, às 19h30, no bairro do Arruda, reunindo mulheres em um momento de união, conscientização e luta por uma causa que pede a atenção de toda a sociedade. A iniciativa convida a população a participar do movimento, que busca dar visibilidade à importância do respeito, da justiça e da valorização da vida. A concentração será na Rua Raul Pompeia, nº 45, e a organização orienta que os participantes vistam branco durante a caminhada. O evento reforça a força coletiva como instrumento de transformação social, destacando que cada passo representa um gesto de apoio e uma voz em defesa de direitos.

Abril Marrom alerta para prevenção da cegueira e destaca avanços no tratamento de doenças oculares
| | Campanha reforça a importância do diagnóstico precoce, consultas regulares e hábitos saudáveis para preservar a visão

Abril é marcado pela campanha Abril Marrom, dedicada à conscientização sobre a prevenção e o combate à cegueira. A iniciativa chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento oftalmológico регуляр, fundamentais para evitar a perda visual irreversível e garantir qualidade de vida.
De acordo com o oftalmologista Pedro Falcão, do Instituto de Olhos do Recife, as principais causas de cegueira no mundo são a catarata, o glaucoma e a retinopatia diabética. Entre elas, a catarata se destaca por ser a única com possibilidade de reversão. “A catarata é a única condição, entre as mais comuns, em que a cegueira pode ser revertida, desde que o paciente tenha a retina preservada”, explica.
Os avanços da medicina têm ampliado significativamente as possibilidades de tratamento dessas doenças. No caso da catarata, a evolução das lentes intraoculares tem proporcionado resultados cada vez mais eficazes. “Hoje contamos com lentes monofocais e trifocais mais sofisticadas, além do uso do laser e de tecnologias modernas nos equipamentos cirúrgicos, o que garante alta taxa de sucesso na recuperação visual”, afirma o especialista.
No tratamento do glaucoma, novas abordagens também têm contribuído para o controle da doença. “Além de medicamentos mais modernos, surgiram técnicas cirúrgicas minimamente invasivas, conhecidas como MIGS, que utilizam dispositivos para melhorar a drenagem do humor aquoso e reduzir a pressão intraocular”, explica. Ele também destaca o uso de válvulas e diferentes tipos de laser, como a trabeculoplastia seletiva e a ciclofotocoagulação transescleral.
Já nas doenças da retina, como a retinopatia diabética, as inovações são igualmente relevantes. “Atualmente, utilizamos laser de argônio, microcirurgias e injeções intravítreas para tratar alterações na mácula e neovasos. Além disso, há pesquisas promissoras com células-tronco”, ressalta.
Apesar dos avanços, nem todos os casos de perda de visão podem ser revertidos. O glaucoma, por exemplo, é uma das principais causas de cegueira permanente. “Não há cura para o glaucoma primário, mas é possível controlar sua progressão. O diagnóstico precoce é essencial para evitar a evolução da doença”, reforça Pedro Falcão. Segundo ele, exames oftalmológicos periódicos são a principal forma de prevenção.
Além das consultas regulares, a adoção de hábitos saudáveis também contribui para a saúde ocular. O controle de doenças como diabetes e hipertensão, a prática de atividades físicas, uma alimentação equilibrada, a hidratação adequada e o uso de óculos com proteção UV são medidas importantes para preservar a visão.
A campanha Abril Marrom reforça que cuidar da saúde dos olhos deve ser um compromisso contínuo. Informação, prevenção e acompanhamento médico seguem sendo os principais aliados na luta contra a cegueira.

Justiça obriga cobertura de bomba de insulina por planos de saúde
|| O poder judiciário deixou claro que a autonomia do médico assistente deve ser respeitada

Em uma decisão histórica para milhares de pacientes com diabetes, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) estabeleceu a obrigatoriedade do fornecimento de sistemas de infusão contínua, a chamada bomba de insulina, pelas operadoras de saúde. “A decisão uniformiza as demandas repetitivas que chegam ao poder judiciário, deixando claro que o dispositivo não pode ser excluído da cobertura contratual sob a justificativa de se tratar de tratamento domiciliar ou de não constar no rol da Agência Nacional de Saúde”, explica Igor Campêlo, especialista em Direito da Saúde.
Segundo o advogado, especialista na área médica e da saúde, a decisão representa o ápice de uma longa batalha jurídica e reafirma que qualquer tratamento que seja comprovado, a partir de evidências científicas de alto nível, deve ser aceito pelos planos de saúde, se forem indicados ao contexto clínico do usuário. “O custeio do tratamento deve ser assegurado sempre que houver prescrição médica fundamentada, registro na Anvisa e comprovação científica da eficácia para o caso específico do paciente frente aos outros tratamentos”, afirma Campêlo.
A decisão do STJ não é apenas uma vitória jurídica, mas uma garantia de vida para o segurado. “O tribunal reconheceu que a bomba de insulina é um dispositivo médico essencial, e não um mero medicamento de uso domiciliar, o que afasta as antigas teses de exclusão utilizadas pelas operadoras”, esclarece o advogado.
EVIDÊNCIAS – O poder judiciário deixou claro que a autonomia do médico assistente deve ser respeitada, desde que baseada em evidências e que se comprove que o paciente enfrentou outros tratamentos listados no rol de coberturas, ou se eles forem contra indicados. “Por isso, a fundamentação técnica é essencial para o sucesso dessas demandas. Espera-se agora que as famílias tenham acesso a essa tecnologia que previne complicações graves e internações, beneficiando, inclusive, o equilíbrio do próprio sistema de saúde a longo prazo”, diz Campêlo.
Para o advogado, a decisão serve como um guia definitivo para instâncias inferiores. Com este novo precedente, espera-se uma maior segurança jurídica para os pacientes que dependem da tecnologia para o controle glicêmico rigoroso. “Trata-se de uma importante vitória para os consumidores e para a ciência, porque a decisão prestigia a medicina baseada em evidências e assegura que avanços tecnológicos indispensáveis ao tratamento de pacientes não sejam indevidamente excluídos da cobertura pelos planos”, afirma.

