O Réveillon é sinônimo de celebração, encontros ao ar livre e mesas improvisadas na praia. Mas, junto com a alegria da virada, cresce também o risco de intoxicações alimentares, desconfortos digestivos e complicações causadas pelo consumo excessivo de álcool. O calor intenso, o transporte inadequado de alimentos e o tempo prolongado fora da geladeira transformam a noite mais festejada do ano em um período de atenção redobrada com a saúde.
Especialistas alertam: prevenir é mais simples do que tratar e pequenas escolhas fazem toda a diferença para atravessar a virada com segurança e bem-estar.
Por que o risco de infecção alimentar aumenta no Réveillon?
O verão cria o ambiente perfeito para a proliferação de bactérias. No Réveillon, esse risco se intensifica porque muitos alimentos são preparados com antecedência, transportados por longas distâncias e permanecem horas expostos ao calor.
Pratos como salpicão com maionese, carnes, aves recheadas, arroz temperado e sobremesas cremosas são especialmente perigosos quando ficam fora da refrigeração adequada. Na praia, a combinação de sol, areia e manipulação sem higiene favorece a contaminação.
O gastroenterologista Justiniano Luna, da Endogastro Recife, explica que os sintomas nem sempre aparecem imediatamente:
“A infecção alimentar pode surgir poucas horas após o consumo ou somente no dia seguinte. Náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal e febre são sinais de alerta, principalmente quando acompanhados de desidratação.”
Como transportar alimentos para a praia com segurança
Se a ceia vai para a areia, alguns cuidados são indispensáveis:
- Utilize bolsas térmicas de boa qualidade com gelo ou placas congeladas
- Evite alimentos com maionese, creme, leite condensado e ovos crus
- Leve carnes e aves bem cozidas e mantenha-as refrigeradas até o consumo
- Evite preparar alimentos com muita antecedência
- Nunca deixe comida exposta ao sol por mais de duas horas
Justiniano Luna reforça:
“Alimentos de procedência duvidosa ou mal conservados devem ser descartados. Em caso de dúvida, não consuma.”
Empachamento após a virada: o que fazer no dia seguinte
Exagerar na ceia, nos petiscos e nas bebidas pode resultar em empachamento, digestão lenta e mal-estar. No primeiro dia do ano, a orientação é aliviar o sistema digestivo:
- Hidrate-se intensamente
- Consuma frutas ricas em água, como melancia e abacaxi
- Aposte em sopas leves, legumes cozidos e proteínas magras
- Use chás digestivos como hortelã, gengibre e camomila
“O corpo precisa de tempo para processar o excesso de gordura, açúcar e álcool. Alimentação leve e hidratação são essenciais para a recuperação”, explica o médico.
Substituições inteligentes para evitar mal-estar no Réveillon
Quem já sabe que tem digestão sensível pode fazer escolhas mais estratégicas:
- Trocar maionese tradicional por iogurte natural ou versões leves
- Preferir aves e peixes no lugar de carnes gordurosas
- Incluir frutas digestivas, como manga e abacaxi, nas saladas
- Reduzir massas com molhos pesados e optar por legumes grelhados ou assados
Essas substituições ajudam a reduzir inflamação, estufamento e desconfortos após a festa.
Bebidas alcoólicas: cuidado redobrado na praia
O consumo de álcool costuma aumentar no Réveillon, especialmente em ambientes abertos. O problema é que o álcool desidrata, sobrecarrega o fígado e pode mascarar sinais de mal-estar.
Bebidas que merecem atenção:
- Destilados, pela alta concentração alcoólica
- Drinks adoçados, que aceleram a absorção do álcool
- Espumantes e bebidas gaseificadas, comuns na virada
Chás como hortelã, boldo e erva-doce ajudam na digestão, mas não neutralizam os efeitos do álcool.
“O fígado é resistente, mas exageros repetidos podem causar inflamação aguda e exigir atendimento médico. Hidratação antes, durante e após o consumo é indispensável”, alerta Justiniano Luna.
Atenção ao pâncreas e ao risco de emergências
O pâncreas é especialmente sensível ao excesso de gordura e álcool. Em situações extremas, pode ocorrer pancreatite aguda, uma condição grave.
Procure atendimento imediato se surgirem:
- Dor abdominal intensa e persistente
- Vômitos contínuos
- Febre
- Fraqueza extrema
Coma alcoólico: risco real no Réveillon
Durante a virada do ano, aumentam os atendimentos de emergência por coma alcoólico. A condição ocorre quando o álcool compromete o sistema nervoso central.
Sinais de alerta:
- Confusão mental
- Perda de consciência
- Dificuldade respiratória
- Incapacidade de ficar em pé
“Se a pessoa não responde a estímulos ou apresenta respiração irregular, o SAMU deve ser acionado imediatamente. Coma alcoólico é emergência absoluta”, reforça o médico.
Hidratação: o cuidado que salva a virada
A hidratação é o ponto central da prevenção. Água, água de coco, sucos naturais e chás frios ajudam a manter o equilíbrio do organismo, protegem o fígado e auxiliam na digestão.
O ideal é começar a hidratação antes da festa, mantê-la durante a virada e intensificá-la no dia seguinte.
“A água continua sendo o melhor remédio. Ela reduz o risco de ressaca, melhora a digestão e previne complicações”, conclui Justiniano Luna.

