Primeiro longa de ficção do realizador pernambucano, premiado duas vezes no festival, foi filmado no Vale do Catimbau, em Pernambuco, e em locações na Paraíba e no Rio Grande do Norte
Referência nacional em audiovisual, o cinema pernambucano marca presença na 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro com a estreia de Os Vivos Caminham a Terra, primeiro longa-metragem de ficção do realizador, roteirista, montador e produtor Pedro Maia de Brito. O festival acontece de 11 a 19 de setembro.
Filmado em preto e branco, em 4K, o filme parte de uma narrativa mítica sobre transformação para construir uma experiência de caráter visual, plástico e sonoro, em que os diálogos dão lugar à imagem, ao gesto e à atmosfera. Com Nivaldo Nascimento como protagonista e participação especial de Fernando Teixeira, o longa reúne ainda atores não profissionais das comunidades onde foi filmado. A produção percorre paisagens do Vale do Catimbau, em Pernambuco, o Castelo de Zé dos Montes, no Rio Grande do Norte, e a Pedra da Boca, na Paraíba.
A trilha sonora original é assinada pela compositora húngara Petra Szászi, enquanto o desenho de som e a mixagem são de Nicolau Domingues. A fotografia de Danilo Rosa e a direção de arte e figurino de Denise Vieira completam uma estética marcada pelo preto e branco, pela exploração das paisagens naturais e por uma construção em consonância dos elementos visuais e sonoros.
A realização é da Miúdo Cinematográfico, produtora criada por Pedro Maia de Brito, em coprodução com a Riacho, e conta com as produtoras associadas Cajamanga e Sound8. O projeto foi realizado com incentivo do Funcultura.

“Tudo o que existia era eternidade. Então, a vontade inconformada das coisas originou metamorfose.” A partir dessa premissa, Os Vivos Caminham a Terra constrói uma narrativa de transformação que entrelaça cinema espiritual e surrealismo mitológico, apostando na invenção formal para criar um universo em que a matéria, a paisagem e o corpo parecem estar em permanente mutação.
OUTROS PRÊMIOS
A passagem pelo Festival de Brasília também representa um reencontro de Pedro Maia de Brito com o festival. Em 2018, o diretor recebeu o Candango de Melhor Curta-Metragem pelo filme Conte Isso Àqueles Que Dizem Que Fomos Derrotados. Dois anos depois, em 2020, voltou à premiação com o Prêmio Abraccine de Melhor Longa-Metragem da Crítica pelo documentário Entre Nós Talvez Estejam Multidões.
Natural do Recife, Pedro Maia de Brito integrou o Berlinale Talents, participou da Residência Arché-Work e do programa Produire au Sud. Seus trabalhos já passaram por festivais e instituições como Doclisboa, Bienal Videobrasil, Rencontres Paris/Berlin, Festival des 3 Continents, Málaga, Valdivia, Beijing, Kassel e Márgenes.
Em seu primeiro longa de ficção, o realizador constrói um filme que prescinde de diálogos para contar uma história de caráter mítico. Entre paisagens do Nordeste, corpos, matéria e sons, Os Vivos Caminham a Terra propõe uma experiência cinematográfica em que o mundo se permite nascer, morrer e se transformar diante da câmera.
Ficha Técnica:
OS VIVOS CAMINHAM A TERRA – Through the Ground
Brasil, 2026 | 4K | Preto e branco | 2.20:1 | 5.1 SRD
Direção: Pedro Maia de Brito
Elenco: Nivaldo Nascimento, Fernando Teixeira, Maicon dos Santos, Guga Catimbau
Roteiro: Pedro Maia de Brito, Luiz Otávio Pereira, Yuri Lins e Thayná Almeida
Direção de fotografia: Danilo Rosa
Direção de arte e figurino: Denise Vieira
Montagem: Pedro Maia de Brito, com colaboração de Caio Sales e Ralph Antunes
Som direto: Lucas Caminha
Desenho de som e mixagem: Nicolau Domingues
Trilha sonora original: Petra Szászi
Efeitos visuais: Cajamanga

