Gente & Negócios

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Rafael Dantas

Mercado global: Um pé na Irlanda, um pé em Pernambuco

O empresário recifense Felipe Antunes, 29 anos, há cinco anos deixou Pernambuco para experimentar a vida no continente europeu. Após trabalhar por um tempo no setor de vendas em Dublin, na capital da Irlanda, ele decidiu criar seu próprio negócio. Antenado às tendências do mercado e conectado aos profissionais do setor de TI do Brasil, ele fundou um conjunto de empresas: a Client Hall (no segmento de desenvolvimento de websites e aplicativos), a Eat & Repeat (que faz marketing digital para restaurantes), a Via Brasil (um marketplace para fornecedores brasileiros no exterior) e a Ondway (serviço de delivery on-demand, uma plataforma que ainda está em desenvolvimento).

Com um bom networking em solo irlandês, ele percebeu uma brecha no mercado. Com o avanço da digitalização dos negócios, em especial durante a pandemia, muitos microempresários e pequenos empresários não conseguiam desenvolver um site ou aplicativo porque o custo era muito alto. Daí suas empresas passaram a criar soluções para esses clientes. “Eu sabia fazer sites de forma mais simples e comecei a contratar pessoas do Brasil para fazer esse serviço. Eu era curioso da área, adoro tecnologia, mas não era um desenvolvedor profissional. Contratei algumas pessoas e comecei a vender o serviço. Hoje consigo fazer um site e reduzir bastante o preço para o mercado local”.

Com o câmbio do euro bem valorizado, o empresário conseguiu atrair mão de obra qualificada de Pernambuco e de outros Estados do Brasil e prestar um serviço a preços competitivos para o mercado irlandês. “O custo da prestação de serviços daqui é muito grande. No Brasil, temos profissionais com boa expertise nesse mercado digital para desenvolver sites e aplicativos. Mantemos assim um serviço de qualidade a preço justo de venda para a Irlanda”, afirma Felipe.

Ele conta que o Brasil e a Índia são dois países que começam a fornecer profissionais ao mercado internacional dentro dessa modalidade. As empresas do seu grupo hoje trabalham apenas com trabalhadores brasileiros nesse modo remoto. Sua equipe que está em home office no Brasil conta com profissionais em Pernambuco, no Rio Grande do Sul, no Ceará, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte.

Além de atrair a mão de obra de brasileiros interessados no mercado internacional, para ganhar em dólar ou euros, Felipe afirma que há muitas pessoas que moram hoje na Europa e que desejam voltar ao Brasil, mas seguir conectados ao mercado de trabalho do Velho Mundo. As possibilidades do trabalho remoto abrem um caminho para isso. “É bem evidente a quantidade de brasileiros que desejam retornar para o Brasil e continuar trabalhando para o mercado europeu”.

O novo negócio em construção, o On the Way, está focado na maior necessidade dos empreendedores locais que é qualificar a entrega no segmento de alimentação e restaurante. “É um serviço bem semelhante ao iFood, mas atua apenas na prestação de serviços de delivery, sem o marketplace, e por metade dos valores que eles cobram. Ofereceremos assim um custo mais barato e resolvemos o que realmente é o problema do mercado local”, conta Felipe.

Para quem deseja acessar o mercado europeu de forma remota, Felipe indica que as áreas com maior atratividade de profissionais são de desenvolvimento de softwares, vendas, Business Development, logística e até de contabilidade. O primeiro passo que ele indica, porém, é dominar a língua inglesa e se possível um outro idioma também. “Além da construção de um bom networking, a conexão com as vagas pode acontecer também através do LinkedIn. Funciona bastante aqui na Europa. Pode adicionar sem medo os profissionais que você deseja se conectar, as pessoas aqui são muito abertas. Ser mais ativo no LinkedIn, gerando valor nas redes sociais para chamar atenção dos headhunters, pode ser uma boa estratégia”, sugere o empresário.

*Rafael Dantas é repórter da Revista Algomais (rafael@algomais.com)

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