Muitos empreendedores começam na Fenearte

Entre 6 e 16 de julho acontece no Recife a 18ª edição da Fenearte, considerada a maior feira de artesanato da América Latina. Apesar do curto período em que os trabalhos dos artesãos são expostos, o evento garante aos expositores a chance de serem mais conhecidos e terem pedidos de compras de suas peças durante o ano inteiro. A feira, na verdade, tornou-se um pontapé inicial para muitos empreendedores que hoje têm uma clientela cativa e viram sua produção artesanal transformar-se num empreendimento próspero.

O designer de sapatos Jailson Marcos, por exemplo, começou a sua atividade na feirinha de Boa Viagem, por meio do Programa de Desenvolvimento do Artesanato (Prodarte). Eram tempos difíceis. “Precisei trabalhar por um momento em outra área, mas nunca deixei de produzir as minhas coisas. Mesmo sem condição, eu ia para os eventos em outros Estados com a passagem só de ida e sem saber como voltar, mas nunca desisti”, recorda.

Em 1996, ele ingressou no Mercado Pop, evento que reunia arte, moda e cultura e passou a produzir sandálias conceituais. Essa participação rendeu ao designer o convite da comissão de moda da Fenearte para expor na feira num espaço coletivo, juntamente com outros dois artesãos. O evento tornou-se uma grande vitrine. “Pessoas ligadas à moda local puderam conhecer minha arte. E, vendo de perto a qualidade das produções, pude levar o que vi e vivi como experiência e inspiração para aperfeiçoar o meu trabalho”.

Ele passou a participar de todas as edições da Fenearte, sendo que na terceira vez o Sebrae-PE (Serviço de Apoio as Micro e Pequenas Empresas) ofereceu um espaço, já que não tinha condições de bancar o custo. Na quarta, ele adquiriu um estande próprio. A partir daí, suas criações ganharam o mundo fashion, sendo, inclusive, comparado a artistas europeus. Seus sapatos descolados figuraram em editoriais de moda da Vogue, Claudia e Elle, graças à divulgação da mídia local na cobertura da feira.

“A Fenearte dá grande visibilidade ao trabalho do artista. Se hoje consigo me manter com minhas produções, ter dois espaços no Recife (um ateliê e fábrica na Torre e uma loja na Galeria Joana D’Arc), além de uma franquia no Rio de Janeiro, é porque a feira ajudou nisso”, reconhece. Jailson também emprega 13 funcionários, distribuídos na administração e produção.
Outro entusiasta do evento, Leo Pinheiro costuma dividir sua empresa em duas fases: antes e pós-Fenearte. Há 25 anos, o administrador de formação e artesão de coração, com o curso de confecções de peças, deu início ao trabalho com joias. De porta em porta, Leo carregava uma sacola, visitando os clientes para vender seus produtos. Em uma dessas visitas, na extinta Legião Assistencial do Recife (LAR), ele se encontrou com Jane Coelho Magalhães, advogada e mulher do ex-governador Roberto Magalhães.

Ela lhe apresentou a proposta da Fenearte e o projeto da Prefeitura do Recife que reunia num estande vários artesãos. De imediato ele aceitou a ideia. “Depois da estreia da feira, não paramos mais. Fazemos questão de participar todos os anos”, compara o artesão.

Melhor que as vendas no evento, ressalta, é a divulgação. “Você conquista uma clientela muito boa e tem o feedback o ano inteiro. À medida que o tempo passa, o público acompanha o seu trabalho”, relata. Hoje, ele e sua mulher vivem das produções do ateliê/joalheria localizado na Galeria Estação Jaqueira.

Outra empresa que teve seus negócios impulsionados pela Fenearte foi a Oficina de Formas, cujo trabalho envolve modelagem em argila, cerâmica e pinturas em telas. A estreia na feira foi em 2002, sob o comando das proprietárias Adelina Raquel de Figueiredo, a Delly, e 1901302_706245242730304_1173125086_nEduarda Figueiredo. Agraciada nacionalmente, em 2016, pelo Sebrae Nacional como prêmio Top100, pela qualidade e gestão, a empresa participa, hoje, de feiras e exposições no exterior e de publicações em revistas de decoração e catálogos de arte.

“A Fenearte abriu novos horizontes, porque antes as vendas eram restritas a um determinado grupo, mas com a visibilidade do evento observamos o potencial do nosso trabalho e com isso expandimos o negócio para o território nacional e internacional”, comemora Delly. No início, as proprietárias começaram como visitantes do evento e logo depois como expositoras. “Até hoje submetemos o nosso trabalho para ser exposto na Fenearte. Esse ano ainda terá um diferencial porque, devido à premiação, estaremos também no espaço do Top100 do Sebrae”, acrescenta.

Já a Trocando em Miúdos, loja de acessórios femininos, participou daJuliane, da Trocando em Miúdos, conta que a feira possibilitou a divulgação da marca
Fenearte, apenas em 2010. Mas foi o suficiente para alavancar as vendas. A marca surgiu quando as sócias Juliane Miranda e Amanda Braga cursavam design na UFPE e confeccionavam as bijouterias que usavam. Um dia resolveram se unir para produzir as peças. “Era mais como um hobby, tínhamos uma pequena demanda”, recorda Juliane. Mesmo não tendo perfil empresarial, por meio de uma exposição realizada na casa de Amanda, em 2006, cerca de 90% das peças foram vendidas.

A ideia de participar da Fenearte surgiu depois que as proprietárias perceberam que a proposta do negócio se aproximava com à da feira. “A produção era toda manual, com acabamento em linhas, tecidos e botões. Na época não tínhamos uma pegada tão industrial”, salienta Juliane.

Apesar de ter participado da Fenearte somente numa edição, a empresária confessa que após a feira a demanda aumentou. “Clientes que compraram nossos produtos durante a feira foram ao nosso ateliê para conhecer o espaço”, recorda. “Durante anos continuamos ouvindo comentários sobre a nossa participação na Fenearte. Colhemos muitos frutos do evento, foi muito bom para os negócios, porque apesar de a Trocando em Miúdos ser querida por amigas e parentes, não tínhamos uma visibilidade tão grande”, complementa a empresária.

Juliane reduzida
Juliane, da Trocando em Miúdos, conta que a feira possibilitou a divulgação da marca

Graças ao faturamento obtido nos 11 dias do evento, as sócias tiveram recursos suficientes para construir o ateliê. “Além disso, fizemos clientes em outros Estados”, acrescenta Juliane. Hoje, a Trocando em Miúdos possui quatro lojas físicas, uma loja virtual e 25 funcionários.

*Por Paulo Ricardo Mendes, repórter da Revista Algomais (algomais@revistaalgomais.com.br)

 

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