Mulheres e negros ampliam presença na liderança pública, mas seguem minoria no topo da administração federal

A participação de mulheres e pessoas negras em cargos de liderança da administração pública federal aumentou nas últimas décadas, mas a composição do alto escalão ainda está distante de refletir a diversidade da população brasileira. Levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, realizado em parceria com o Movimento Pessoas à Frente e a Fundação Lemann, mostra que, entre 1999 e 2025, homens ocuparam 75% dos cargos de direção, enquanto pessoas brancas representaram 78% dos ocupantes dessas funções.

Os estudos indicam que a presença feminina avançou de forma mais acelerada nos últimos anos e atualmente se aproxima de 40% dos cargos de direção. Apesar disso, pesquisadores apontam que mulheres e negros permanecem sub representados nas posições mais elevadas da estrutura federal. Ministérios ligados às pautas de igualdade racial e de gênero concentram os maiores níveis de diversidade.

A pesquisa também revela que a ocupação dos cargos de liderança ocorre majoritariamente por servidores concursados. No período analisado, 63% dos ocupantes dos antigos cargos de Direção e Assessoramento Especial de níveis mais altos eram servidores públicos de carreira. Entre eles, 75% já possuíam experiência prévia no setor público antes de assumir funções de comando e 86% concluíram o ensino superior.

Outro dado destacado pelos pesquisadores é que a aparente rotatividade nas funções de liderança muitas vezes representa circulação dentro da própria administração pública. O estudo identificou que 79% dos dirigentes permanecem em posições de chefia em outros órgãos dois anos após deixarem determinado cargo. Além disso, 44% retornam ao órgão em que já atuaram anteriormente, fenômeno denominado pelos pesquisadores como “efeito bumerangue”.

“Toda discussão sobre capacidade estatal passa, em algum momento, por sabermos quem governa a máquina pública e qual a lógica de seleção das pessoas que ocupam posições dirigentes”, afirmou Felix Lopez, coordenador do projeto. Segundo ele, os resultados mostram que a composição da alta burocracia federal é mais complexa do que as interpretações que atribuem os cargos exclusivamente à lógica política ou apenas ao mérito técnico.

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