Foto de Fitness e Wellness

Fitness e Wellness

Jademilson Silva

O futuro da medicina começa antes dos sintomas

João Bosco de Oliveira Filho é médico e diretor da NeoGenomica

Durante quase toda a sua história, a medicina foi uma ciência da reação. Esperávamos a febre, o nódulo, a dor no peito, o exame alterado. O médico entrava em cena depois que a doença já havia se instalado, e o melhor que podíamos fazer era tratar o que já estava acontecendo. Foi assim por milênios, e salvou incontáveis vidas. Mas essa lógica tem um limite evidente: quando os sintomas aparecem, boa parte do estrago muitas vezes já está feito. A boa notícia é que estamos vivendo uma virada silenciosa. Pela primeira vez, temos ferramentas para agir antes. E a principal delas é a leitura do nosso genoma, o manual de instruções que carregamos em cada célula do corpo desde o momento em que nascemos.

Sequenciar o DNA de uma pessoa deixou de ser ficção científica ou privilégio de laboratórios de pesquisa. O que há vinte anos custava bilhões e levava mais de uma década hoje é feito em dias, com custo acessível e alta precisão. E o que encontramos ali muda a maneira como pensamos a saúde.

Alguns exemplos concretos. Mulheres que herdam certas alterações nos genes BRCA têm risco muito elevado de câncer de mama e de ovário — mas, sabendo disso com antecedência, podem adotar um acompanhamento intensivo e estratégias que reduzem esse risco de forma drástica. Pessoas com predisposição hereditária a doenças cardiovasculares podem mudar o rumo da própria história com medidas tomadas anos antes do primeiro sintoma. E há a farmacogenômica, que analisa como cada organismo metaboliza os medicamentos: ela nos permite acertar a dose e o remédio certos desde o início, evitando reações adversas e tratamentos que não funcionariam para aquela pessoa.

No campo das doenças raras, o impacto é ainda mais profundo. Milhões de brasileiros convivem com condições sem diagnóstico, peregrinando por anos entre consultórios. Para muitos deles, um único exame de genoma encerra essa jornada e abre caminho para um tratamento que finalmente faz sentido.

É preciso desfazer um mal-entendido comum. Descobrir uma predisposição genética não é receber uma sentença. Nossos genes carregam probabilidades, não certezas. Eles interagem o tempo todo com aquilo que comemos, com o ambiente em que vivemos, com o sono, o estresse e os hábitos que cultivamos.

Saber de uma vulnerabilidade é, na verdade, um ato de poder. É a diferença entre ser surpreendido por uma doença e ter tempo de se preparar, vigiar e prevenir. A informação genética não substitui as escolhas de vida saudáveis — ela dá a elas um alvo e um propósito claros.

Essa transformação traz responsabilidades. A primeira é a do acesso. Não faz sentido construir uma medicina preventiva de ponta que fique restrita a poucos. O Brasil, com sua população geneticamente diversa e miscigenada, tem inclusive uma razão científica adicional para investir nisso: boa parte do conhecimento genético mundial foi construída sobre populações europeias, e precisamos de dados que representem quem realmente somos para que os exames funcionem bem para todos os brasileiros.

A segunda responsabilidade é o cuidado com a informação. Dados genéticos são dos mais íntimos que existem, e sua proteção — garantida por lei — precisa ser levada a sério por quem os manipula. Confiança é a base de tudo.

A medicina do futuro não vai abandonar o hospital, o pronto-socorro ou o tratamento das doenças já instaladas. Mas vai deslocar cada vez mais o seu centro de gravidade para antes: para a prevenção, a antecipação e o cuidado personalizado, desenhado para o organismo único de cada pessoa.

Estamos deixando de perguntar apenas “o que você tem?” para começar a perguntar “o que podemos fazer juntos para que você nunca chegue a ter?”. Essa é, talvez, a mudança mais humana que a tecnologia já ofereceu à medicina. E ela já começou.

Por João Bosco de Oliveira Filho é médico e diretor da NeoGenomica


Acontece


Afya1
“Doe Sangue, Doe Esperança”

No dia 27 de agosto, o Hempe e a Afya Jaboatão promovem, a partir das 8h, uma campanha de doação de sangue em Piedade. A ação será realizada no Campus 2 da faculdade e pretende mobilizar alunos, professores, colaboradores e moradores da região para contribuir com o abastecimento dos estoques de sangue do hemocentro. Com o lema “Doe Sangue, Doe Esperança”, a campanha reforça o impacto de um gesto simples, capaz de salvar até quatro vidas por doação. Para participar no dia da ação, é preciso se inscrever pelo link https://tinyurl.com/n82hnhf7, levar documento oficial com foto e observar as orientações de aptidão estabelecidas pelos órgãos de Saúde, como ter entre 16 e 69 anos, estar bem alimentado, não ter ingerido bebida alcoólica até 12h antes da doação, entre outros.

Serviço

  • Campanha de Doação de Sangue – Afya e Hemope
  • Data: 27 de agosto
  • Local: Campus 2 – Afya Jaboatão dos Guararapes. Rua José Braz Moscow, nº 252, Piedade.
  • Inscrições: https://tinyurl.com/n82hnhf7

Transformar
As vagas são limitadas e é necessário realizar inscrição antecipadamente pelo Instagram @espacotransformarcaruaru

O Espaço Transformar Caruaru realiza, no dia 22 de agosto, das 8h às 12h, uma manhã gratuita de atendimento e orientação para crianças neurodivergentes e suas famílias. A ação marca a chegada da clínica ao município e tem como objetivo ampliar o acesso à avaliação e às orientações especializadas sobre o desenvolvimento infantil. A programação contará com a participação de neuropediatra, além de profissionais de psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, fisioterapia, terapia ABA e nutrição. As famílias poderão receber orientações e participar de uma avaliação multidisciplinar, enquanto as crianças terão acesso a atividades lúdicas. Com atuação no Recife e em Olinda, o Espaço Transformar reúne profissionais de diferentes áreas voltados ao atendimento e acompanhamento de crianças neurodivergentes. A unidade de Caruaru amplia a atuação da clínica para o Agreste pernambucano. As vagas são limitadas e é necessário realizar inscrição antecipadamente pelo Instagram @espacotransformarcaruaru.

Serviço

Atendimento e orientação gratuita para crianças neurodivergentes
22 de agosto de 2026
8h às 12h
Espaço Transformar Caruaru, Rua Luzia Florêncio Porto, 180, Maurício de Nassau
@espacotransformarcaruaru


Mais Saúde


Mais Saude
Ortopedista e especialista em HealthTech, Sormane Britto

A Inteligência Artificial (IA) já faz parte da rotina da medicina, auxiliando na análise de exames, no planejamento de cirurgias, na identificação de padrões e até na previsão de riscos para determinadas doenças. Mas, apesar dos avanços tecnológicos, ela ainda está longe de substituir o médico.

O tema ganhou ainda mais relevância após a Conferência Internacional de Alto Nível “Shaping AI in Health”, promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Governo de Portugal, realizada nos dias 15 e 16 de julho de 2026, em Lisboa. O encontro reuniu representantes de 37 países para discutir o uso ético, seguro e responsável da Inteligência Artificial nos sistemas de saúde. Entre os consensos, está o de que a tecnologia deve servir como apoio à tomada de decisão clínica, mantendo sempre a supervisão humana.

Para o ortopedista e especialista em HealthTech, Sormane Britto, a IA representa uma das maiores transformações da medicina nas últimas décadas, mas não substitui as competências exclusivamente humanas.

“A Inteligência Artificial consegue processar milhões de informações em poucos segundos, identificar padrões e oferecer suporte ao diagnóstico. Mas ela não examina o paciente, não percebe nuances durante uma consulta nem cria a relação de confiança que existe entre médico e paciente”.

Segundo o especialista, na ortopedia a tecnologia já auxilia no planejamento cirúrgico, na reconstrução tridimensional de estruturas ósseas, na análise de exames de imagem e na personalização de próteses e implantes.

“Hoje conseguimos planejar cirurgias com uma precisão muito maior graças à tecnologia. Isso aumenta a segurança e pode melhorar os resultados. Porém, a decisão sobre o melhor tratamento continua sendo médica. A IA é uma ferramenta poderosa, não um substituto.”

O médico destaca que outro desafio é combater a falsa sensação de segurança gerada por aplicativos e plataformas de IA, que levam algumas pessoas a acreditarem que podem obter diagnósticos definitivos sem procurar atendimento especializado.

“Receber uma informação produzida por Inteligência Artificial não significa receber um diagnóstico. O contexto clínico, o exame físico, o histórico do paciente e diversos outros fatores só podem ser avaliados por um profissional habilitado. A tecnologia deve aproximar o paciente da medicina, nunca afastá-lo”.

De acordo com o Sormane Britto, o futuro da saúde será marcado pela integração entre inovação tecnológica e conhecimento médico.

“A tendência é que a Inteligência Artificial torne a medicina mais eficiente, personalizada e preventiva. Mas o elemento humano continuará sendo insubstituível, porque cuidar da saúde vai muito além da interpretação de dados”.

A própria OMS tem defendido que a incorporação da Inteligência Artificial aos sistemas de saúde deve respeitar princípios como transparência, segurança, responsabilidade e supervisão humana, garantindo que as decisões clínicas permaneçam sob responsabilidade dos profissionais de saúde.

SERVIÇO

  • Sormane Britto
  • Ortopedista e traumatologista – CRM-PE 16339
  • Metabolismo e Fisiologia do Esporte – CFMDL1
  • Co-fundador Health Sync Solutions e Novvus Healthtech
  • Instagram: @drsormanebritto

Algomais Fitness e Wellness – viver bem é uma escolha diária

Deixe seu comentário

Assine nossa Newsletter

No ononno ono ononononono ononono onononononononononnon

ezstandalone.cmd.push(function() { ezstandalone.showAds(125) });