Evento da Afya Educação Médica reuniu especialistas para discutir os avanços no tratamento da obesidade, os riscos da automedicação e o uso de terapias injetáveis com respaldo científico
O uso crescente das chamadas canetas emagrecedoras e os riscos da automedicação estiveram no centro dos debates da primeira edição do projeto “Médicos que Transformam Pernambuco”, promovido pela Afya Educação Médica Recife, na noite desta quinta-feira (23), no rooftop da instituição, em Boa Viagem. Voltado exclusivamente para médicos, o encontro reuniu especialistas para discutir as evidências científicas mais recentes sobre o tratamento da obesidade e o uso adequado das terapias injetáveis, além de alertar para os perigos do emprego indiscriminado desses medicamentos.
A abertura do projeto também marcou o início de uma série de encontros científicos que acontecerão periodicamente, reunindo professores da instituição e médicos reconhecidos em suas especialidades para discutir temas de grande impacto na prática clínica.
Atualização científica para uma prática médica mais segura

Segundo Cristiane Andrade, diretora da Afya Educação Médica Recife, a iniciativa foi criada para fortalecer a educação médica continuada e estimular o intercâmbio de conhecimento entre profissionais.
“O projeto ‘Médicos que Transformam Pernambuco’ nasceu com a proposta de estimular o compartilhamento de conhecimento e aproximar profissionais que acreditam na atualização científica como ferramenta essencial para uma prática médica de excelência. Queremos promover discussões qualificadas sobre temas que impactam diretamente a assistência em saúde e contribuir para a formação continuada dos médicos pernambucanos”, destacou.
O primeiro encontro teve como palestrantes a endocrinologista Renata Bussuan, coordenadora de Endocrinologia da Afya Educação Médica, e o médico nutrólogo Dyego Augusto, professor da pós-graduação da instituição.
Durante a palestra, Renata Bussuan destacou que a popularização das terapias injetáveis para emagrecimento trouxe benefícios importantes para o tratamento da obesidade, mas também aumentou significativamente o número de pessoas que utilizam esses medicamentos sem indicação clínica.
“As terapias injetáveis representam um dos maiores avanços no tratamento da obesidade dos últimos anos. Quando corretamente indicadas, elas oferecem benefícios importantes para o controle do peso e de doenças associadas. O problema é que muitas pessoas passaram a utilizar esses medicamentos sem avaliação médica, ignorando contraindicações e riscos que podem comprometer a saúde”, explicou.
Uso indiscriminado preocupa especialistas
Segundo a endocrinologista Renata Bussuan , embora muitas pessoas associem essas medicações apenas ao emagrecimento, elas foram inicialmente desenvolvidas para o tratamento do diabetes tipo 2 e posteriormente tiveram sua eficácia comprovada no tratamento da obesidade.
Ela ressaltou que o uso deve sempre considerar critérios clínicos rigorosos.
“Esses medicamentos não são indicados para todos os pacientes. Gestantes, mulheres que estão amamentando, pessoas com determinados tipos de doenças da tireoide e pacientes com algumas doenças da vesícula, por exemplo, precisam de uma avaliação criteriosa antes de iniciar o tratamento. A prescrição deve ser individualizada e baseada em evidências científicas”.
A médica Renata Bussuan também chamou atenção para o fato de que a exigência de receita médica para aquisição das canetas representa um avanço importante no combate ao uso indiscriminado.
“Mais do que uma discussão voltada aos médicos, esse também é um alerta para toda a sociedade. A automedicação pode mascarar doenças, atrasar diagnósticos e expor pacientes a riscos desnecessários”.
Benefícios vão além da perda de peso
Durante a apresentação, Renata Bussuan explicou que medicamentos como a semaglutida e a tirzepatida atuam em áreas do cérebro relacionadas ao controle da fome e do sistema de recompensa, reduzindo a compulsão alimentar e favorecendo mudanças no comportamento alimentar.
Segundo ela, pesquisas recentes também investigam possíveis benefícios dessas medicações em pacientes com outros transtornos relacionados ao sistema de recompensa, sempre dentro de protocolos científicos e sob acompanhamento especializado.
“Quando bem indicados, esses medicamentos são extremamente eficazes. O sucesso do tratamento depende da escolha correta do paciente, da realização de exames prévios e do acompanhamento multiprofissional durante todo o processo”.
Conhecimento compartilhado fortalece a assistência médica
Para o médico nutrólogo Dyego Augusto, participar da abertura do projeto representou uma oportunidade de compartilhar conhecimento e fortalecer a atualização científica dos profissionais de saúde.
“Foi uma satisfação participar da primeira edição do ‘Médicos que Transformam Pernambuco’. A troca de experiências entre especialistas e médicos da assistência fortalece a prática clínica e garante que os pacientes tenham acesso a tratamentos cada vez mais seguros, eficazes e baseados nas melhores evidências científicas”.

Lançamento
Ao final do encontro, também foi apresentado aos participantes o Ozivy, medicamento injetável da EMS à base de semaglutida, recentemente incorporado ao mercado brasileiro como mais uma alternativa terapêutica para o tratamento da obesidade, dentro das indicações médicas estabelecidas.
A Afya Educação Médica informou que o projeto terá continuidade, com novos encontros previstos para acontecer a cada dois meses. A próxima edição está programada para setembro e abordará outro tema relevante da prática médica.
| Conheça as principais substâncias das canetas emagrecedoras
Semaglutida
Presente em medicamentos como Ozempic®, Wegovy® e Ozivy®. Atua aumentando a sensação de saciedade, reduzindo o apetite e retardando o esvaziamento do estômago.
Tirzepatida
Substância do Mounjaro®. Atua em dois receptores hormonais relacionados ao controle da glicemia e da saciedade, proporcionando maior perda de peso em pacientes elegíveis.
Liraglutida
Presente no Saxenda®. Foi uma das primeiras terapias injetáveis aprovadas especificamente para o tratamento da obesidade.
Todas exigem prescrição médica
Esses medicamentos possuem indicações, contraindicações e possíveis efeitos adversos. O tratamento deve ser individualizado e realizado exclusivamente sob acompanhamento médico, associado à reeducação alimentar, prática de atividade física e mudanças no estilo de vida.
