Foto de Fitness e Wellness

Fitness e Wellness

Jademilson Silva

Pé de galinha faz bem? Alimento antes cercado de preconceito ganha espaço na nutrição esportiva e na saúde das articulações

O nutricionista Rogério Gomes alerta sobre a falta de nutrientes no prato do autista

Durante décadas, o pé de galinha ocupou um espaço curioso na cultura alimentar brasileira. Presente em caldos antigos, receitas afetivas e mesas populares, o alimento carregou por muito tempo o estigma de “comida de quem não tinha opção”. Bastava aparecer um prato fumegante com pés de galinha numa reunião de família para surgirem piadas, caretas e comentários bem-humorados. Em muitos casos, o ingrediente era associado à escassez, improviso culinário ou às receitas resistentes das avós que transformavam quase tudo em sopa.

O tempo passou, as redes sociais transformaram hábitos alimentares em tendência e o pé de galinha atravessou um caminho improvável: saiu do preconceito culinário para virar protagonista em vídeos fitness, receitas proteicas e debates sobre colágeno, articulações e envelhecimento saudável.

Hoje, o alimento aparece em caldos funcionais, marmitas esportivas e até no discurso de influenciadores ligados ao universo wellness. A mudança de percepção não aconteceu por acaso. Embora muitas promessas feitas na internet sejam exageradas, especialistas reconhecem que o pé de galinha possui composição nutricional relevante e pode, sim, integrar uma alimentação equilibrada.

Segundo o nutricionista Rogério Melo, o alimento concentra nutrientes importantes para tecidos conjuntivos, saúde articular e suporte metabólico.

“O pé de galinha realmente ganhou muita popularidade por causa do colágeno, mas, do ponto de vista nutricional, ele oferece outros nutrientes importantes também. Além do colágeno, encontramos proteínas, minerais como cálcio, fósforo, magnésio e potássio, além de vitaminas do complexo B”, explica.

O grande destaque continua sendo o colágeno, proteína estrutural fundamental para o organismo humano. É ele que participa da formação de tendões, ligamentos, cartilagens, ossos, pele e diversos tecidos responsáveis por sustentação e resistência mecânica do corpo.

Com o envelhecimento, porém, a produção natural de colágeno diminui progressivamente. Esse processo contribui não apenas para alterações estéticas, mas também para perda de elasticidade tecidual, desgaste articular e maior vulnerabilidade musculoesquelética.

Foi justamente essa associação que ajudou o pé de galinha a ganhar notoriedade recente. Mas Rogério Melo faz uma ressalva importante: o alimento não pode ser tratado como solução milagrosa.

“Existe uma romantização muito grande em torno do colágeno nas redes sociais. A ciência sustenta alguns benefícios possíveis, especialmente relacionados às articulações e aos tecidos conjuntivos, mas não existem evidências de que o pé de galinha sozinho vá rejuvenescer a pele, eliminar flacidez ou regenerar cartilagem de maneira extraordinária”, afirma.

Uma das dúvidas mais comuns envolve a comparação entre o pé de galinha e os suplementos industrializados de colágeno. Embora ambos forneçam aminoácidos importantes, existem diferenças relevantes na forma como o organismo processa cada um.

“O colágeno presente no pé de galinha é natural, encontrado em tecidos conjuntivos, pele, tendões e cartilagens. Já os suplementos normalmente utilizam colágeno hidrolisado, que passa por um processo industrial capaz de quebrar a proteína em partículas menores”, explica Rogério.

Segundo ele, isso interfere diretamente na velocidade de digestão e absorção.

“No suplemento, a proteína já chega parcialmente quebrada em pequenos peptídeos, o que facilita a digestão e oferece uma absorção mais previsível. Já no alimento, o organismo precisa realizar todo o processo digestivo normalmente”, afirma.

Ainda assim, o nutricionista ressalta que o alimento continua sendo nutricionalmente interessante.

“Isso não significa que o pé de galinha não funcione. Ele continua fornecendo proteínas e aminoácidos importantes para tecidos conjuntivos. A diferença é que a quantidade absorvida varia mais conforme preparo, concentração e contexto alimentar”.

O avanço do interesse pelo pé de galinha também acompanha o crescimento das preocupações com saúde articular. Em academias, grupos de corrida e esportes de impacto, caldos ricos em colágeno passaram a circular como aliados da recuperação física.

Existe fundamento científico parcial para isso.

“Para quem pratica atividade física, principalmente exercícios de impacto ou alta carga, o pé de galinha pode colaborar com a manutenção de tendões, ligamentos, cartilagens e outros tecidos conjuntivos”, explica Rogério Melo.

Ele destaca que os aminoácidos glicina e prolina, abundantes no colágeno, participam da estrutura desses tecidos.

“Isso pode ser interessante especialmente para corredores, praticantes de musculação, esportes de contato e modalidades com sobrecarga repetitiva”, afirma.

No entanto, ele faz um alerta importante sobre exageros frequentemente divulgados nas redes sociais.

“Muitas pessoas confundem colágeno com proteína ideal para hipertrofia. O colágeno possui baixo teor de aminoácidos essenciais importantes para síntese muscular, especialmente leucina. Por isso, ele não substitui proteínas mais completas como ovos, carnes magras, leite ou whey protein”, pontua.

Na prática, o pé de galinha funciona melhor como complemento alimentar do que como protagonista absoluto da dieta esportiva.

“Ele pode enriquecer caldos nutritivos, contribuir para ingestão proteica e participar de uma alimentação equilibrada. Mas não existe alimento isolado capaz de prevenir lesões ou transformar performance sozinho”, observa.

Embora o marketing nutricional frequentemente exagere promessas, algumas evidências científicas envolvendo colágeno têm chamado atenção de pesquisadores.

“As pesquisas mostram benefícios modestos, mas reais, especialmente relacionados à saúde articular”, explica Rogério Melo.

Segundo ele, estudos e meta-análises apontam melhora discreta na hidratação e elasticidade da pele após uso contínuo de colágeno hidrolisado, embora os resultados sejam variáveis.

“No caso das articulações, as evidências parecem mais consistentes. Alguns trabalhos mostram melhora em desconforto articular, dor relacionada ao exercício e função articular em pessoas fisicamente ativas ou com osteoartrite leve”, afirma.

Por outro lado, ele reforça que a literatura científica não sustenta promessas radicais frequentemente divulgadas na internet.

“A ciência não confirma que colágeno elimine flacidez sozinho, substitua tratamentos dermatológicos, regenere cartilagem severamente desgastada ou provoque hipertrofia muscular relevante”.

Outro ponto importante envolve a forma de preparo. Dependendo da receita, um alimento potencialmente nutritivo pode se transformar em bomba de gordura e sódio.

“O problema não costuma ser o pé de galinha em si, mas a forma como ele é preparado”, alerta Rogério Melo.

Segundo ele, frituras, excesso de sal, caldos industrializados e molhos ultraprocessados podem comprometer completamente o perfil nutricional da refeição.

“As melhores opções costumam ser preparações cozidas, especialmente caldos caseiros feitos com legumes, ervas naturais e baixo teor de sódio”.

O nutricionista também chama atenção para os cuidados rigorosos de higiene.

“O pé de galinha é uma região muito exposta do animal e exige higienização adequada, retirada das unhas, armazenamento correto e cozimento completo para reduzir riscos de contaminação bacteriana”, explica.

Além disso, ele reforça que exagerar no consumo não aumenta proporcionalmente os benefícios.

“Muita gente acredita que consumir enormes quantidades de colágeno gera resultados mais rápidos. O organismo possui limite de aproveitamento proteico. Saúde nutricional não funciona na lógica do excesso”.

Miolo pe de galinha

• Colágeno natural

• Proteínas

• Cálcio e fósforo

• Magnésio e potássio

• Vitaminas do complexo B

• Aminoácidos importantes para tecidos conjuntivos

• Suporte nutricional para articulações e tendões

• Complemento alimentar para praticantes de atividade física

| Receita de caldo nutritivo de pé de galinha

• 6 a 8 pés de galinha higienizados

• 1 cebola picada

• 2 dentes de alho

• 1 cenoura em rodelas

• 1 pedaço pequeno de gengibre

• 1 folha de louro

• 1 litro e meio de água

• Cheiro-verde a gosto

• Sal moderado e pimenta-do-reino

Refogue cebola e alho com um fio de azeite. Acrescente os pés de galinha, a cenoura, o gengibre e o louro. Adicione a água e cozinhe por aproximadamente 40 a 50 minutos na panela de pressão. Retire o excesso de gordura da superfície, ajuste o sal e finalize com cheiro-verde.

Consumir o caldo junto de fontes de vitamina C, como limão, acerola ou laranja, pode favorecer a síntese de colágeno pelo organismo.

Algomais Acontece
26.05 Acontece
Escala de Régis

O fisioterapeuta Régis Noaves, que se divide entre os EUA e Recife, criou a “Escala de Régis”, um software inovador para acompanhar os pacientes em Fisioterapia, a fim de tornar mais eficientes as intervenções de tratamento, com número correto de sessões, evolução, entre outras diretrizes de acompanhamento. Esse software foi validado através de publicação de artigo científico, testado nos Estados Unidos, e agora está sendo trazido para o Brasil.

Vitrine 1
FW Revista Algomais
Médico e esritor: Eduardo Jorge da Fonseca

O médico pediatra e vacinólogo Eduardo Jorge da Fonseca lança sua nova publicação, “O País das Filas”, no dia 30 de maio, às 16h30, na Livraria Jaqueira Recife Antigo. Será um livro de crônicas, que vai apresentar uma situação comum da, a espera na “fila”, em suas diferentes formas: fila da adoção, do atendimento médico,  para pagar contas, nos aeroportos, para entrar no camarote, entre outras versões. Um livro sensível, um olhar crítico e atencioso à nossa sociedade, que vem abordar uma temática presente no cotidiano. 

Livraria Jaqueira do Recife Antigo: rua Madre de Deus, 110.

Mais Saude

Foto Marina Melo Easy Resize.com
Oftalmologista Clovis Freitas

Considerado uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo, o glaucoma continua sendo uma doença cercada por desinformação e diagnóstico tardio. Caracterizado pelo aumento da pressão intraocular e pela lesão progressiva do nervo óptico, o problema costuma evoluir silenciosamente durante meses ou até anos, sem provocar sintomas perceptíveis nas fases iniciais.

A perda visual geralmente começa pela visão periférica, fazendo com que muitos pacientes só descubram a doença em estágios avançados, quando parte importante da capacidade visual já foi comprometida.

Uma pesquisa divulgada pela Sociedade Brasileira de Glaucoma revelou que 41% dos brasileiros não sabem exatamente o que é glaucoma. O levantamento também mostrou que 53% desconhecem que a doença pode causar cegueira irreversível e 47% não sabem ou não acreditam que o glaucoma pode ter caráter hereditário.

Outro dado que chama atenção envolve os grupos de risco. Segundo a pesquisa, 90% dos entrevistados desconhecem que pessoas negras possuem maior predisposição ao desenvolvimento da doença. Considerando os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mais da metade da população brasileira está inserida em grupos de maior risco para o glaucoma ao longo da vida.

De acordo com o oftalmologista Clovis Freitas, sócio da Viw Oftalmologia, a grande dificuldade do glaucoma está justamente em sua evolução silenciosa.

“A doença pode se desenvolver durante muito tempo sem provocar sintomas. Em muitos casos, o paciente só percebe alterações quando já existe perda importante da visão periférica”, explica.

Segundo ele, a consulta oftalmológica periódica continua sendo a principal ferramenta de prevenção.

“A consulta oftalmológica regular, associada a exames complementares de última geração, pode diagnosticar precocemente o glaucoma e mudar radicalmente o curso da doença, evitando perda visual”, afirma.

Embora o glaucoma seja frequentemente associado ao envelhecimento, especialistas alertam para o crescimento da atenção sobre formas mais precoces da doença, como o glaucoma juvenil, que pode atingir crianças, adolescentes e adultos jovens.

Diferente do glaucoma congênito, identificado ainda no nascimento, o glaucoma juvenil possui características semelhantes às formas observadas em adultos, mas frequentemente apresenta níveis muito elevados de pressão intraocular.

Segundo Clovis Freitas, a realização de consultas oftalmológicas regulares desde a infância ajuda na identificação precoce de alterações oculares importantes.

“Quando existem casos de glaucoma na família, o acompanhamento oftalmológico se torna ainda mais necessário. O nervo óptico lesionado pelo glaucoma não se recupera. Por isso, o diagnóstico precoce faz toda a diferença”, ressalta.

Entre os principais fatores associados ao desenvolvimento do glaucoma estão idade avançada, hipertensão arterial, diabetes, miopia elevada, histórico familiar e pertencimento à população negra.

O diagnóstico ocorre por meio de avaliação oftalmológica detalhada, incluindo medição da pressão intraocular e exames específicos capazes de avaliar o nervo óptico e o campo visual.

Entre as tecnologias utilizadas para rastreamento e acompanhamento da doença está a Tomografia de Coerência Óptica do nervo óptico, considerada padrão ouro para detecção precoce de alterações relacionadas ao glaucoma.

Na Viw Oftalmologia, um dos equipamentos utilizados é o Dream OCT, angiotomógrafo de retina de alta resolução voltado à investigação de doenças oculares e alterações do nervo óptico.

Embora o glaucoma não tenha cura, o controle adequado permite estabilizar a doença e reduzir significativamente o risco de perda visual. O tratamento pode incluir colírios específicos para redução da pressão ocular, procedimentos a laser e cirurgias, dependendo do estágio clínico de cada paciente.

• Histórico familiar da doença

• Idade avançada

• Hipertensão arterial

• Diabetes

• Miopia elevada

• População negra

• Pressão intraocular elevada

• Perda da visão periférica

• Sensação de visão em túnel

• Visão embaçada

• Dor ocular em alguns casos

• Dificuldade de adaptação à luz

• Redução progressiva da capacidade visual

• Realizar consultas oftalmológicas regularmente

• Fazer exames preventivos mesmo sem sintomas

• Informar histórico familiar ao oftalmologista

• Controlar doenças como hipertensão e diabetes

• Seguir corretamente o tratamento quando houver diagnóstico

Algomais Assinatura
Deixe seu comentário

Assine nossa Newsletter

No ononno ono ononononono ononono onononononononononnon

ezstandalone.cmd.push(function() { ezstandalone.showAds(125) });