Regulamentação Da Cannabis Medicinal Anima Associações De Pacientes E Pode Destravar Oferta No SUS - Revista Algomais - A Revista De Pernambuco
Regulamentação da cannabis medicinal anima associações de pacientes e pode destravar oferta no SUS

A aguardada regulamentação do cultivo da cannabis medicinal no Brasil entra em uma nova fase nesta semana e gera expectativa entre associações de pacientes. Nesta quarta-feira (28), a Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) realiza sua primeira Reunião Pública para discutir a proposta que regulamenta todas as etapas de produção da cannabis para fins exclusivamente medicinais e farmacêuticos, em cumprimento à determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de novembro de 2024.

Entre as entidades diretamente impactadas está a Aliança Medicinal, primeira fazenda urbana de cannabis medicinal do país, instalada em Olinda (PE). A associação atua há três anos com base em liminar judicial que autoriza o cultivo da Cannabis sativa, a produção do óleo medicinal e a dispensação dos medicamentos a cerca de 17 mil associados em todo o Brasil, atendendo pacientes que dependem do tratamento para diferentes patologias.

A proposta de regulamentação da Anvisa inclui uma Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) específica para associações de pacientes, considerada fundamental para garantir segurança jurídica e acesso ao tratamento a pessoas que não conseguem arcar com os altos custos de medicamentos importados ou produzidos pela indústria farmacêutica. “Mesmo sem parâmetros regulatórios claros, associações como a nossa assumiram a responsabilidade de atender pacientes diariamente, garantindo tratamento, orientação e continuidade terapêutica quando o Poder Público ainda não oferecia respostas estruturadas”, afirma o diretor-executivo da Aliança Medicinal, Ricardo Hazin Asfora.

Engenheiro agrônomo, Ricardo Hazin Asfora é responsável pelo desenvolvimento do modelo de cultivo em contêineres climatizados adotado pela associação, além do processo de padronização que assegura a qualidade farmacêutica dos medicamentos produzidos. Com o aumento da demanda, a Aliança vem ampliando sua capacidade instalada e diversificando a produção, que hoje inclui óleo medicinal, pomadas e cremes à base de cannabis, lançados em 2025.

Em Pernambuco, a expectativa é que a regulamentação federal acelere a implementação das leis já aprovadas no Recife e no Estado, viabilizando o fornecimento de medicamentos derivados da cannabis pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A lei municipal foi sancionada em novembro de 2024 pelo prefeito João Campos, e a lei estadual, promulgada em dezembro de 2025 pela Assembleia Legislativa de Pernambuco, ainda aguarda regulamentação para entrar em vigor.

Deixe seu comentário

Assine nossa Newsletter

No ononno ono ononononono ononono onononononononononnon