No mês de conscientização da síndrome de Down, especialistas destacam nutrição, psicomotricidade e fisioterapia como pilares para autonomia e inclusão desde os primeiros meses de vida, além de outras terapias
Há quem diga que o cromossomo 21 carrega mais do que uma alteração genética. Carrega afeto, potência e humanidade. Conhecida como a trissomia do 21, a Síndrome de Down vem sendo ressignificada ao longo das últimas décadas, deixando de ser vista sob o viés da limitação para ocupar um espaço de protagonismo, desenvolvimento e qualidade de vida. No mês dedicado à conscientização sobre essa neurodivergência, o olhar se volta não apenas para o diagnóstico, mas principalmente para as possibilidades.
E é nesse território de possibilidades que a qualidade de vida ganha centralidade. Intervenções precoces, acompanhamento multidisciplinar e suporte familiar estruturado são determinantes para que crianças com síndrome de Down desenvolvam autonomia, habilidades funcionais e participação social plena. Entre os pilares desse cuidado estão a nutrição, a psicomotricidade, a fisioterapia, a psicologia, a terapia ocupacional e a fonoaudiologia, áreas que, quando integradas, potencializam resultados e ampliam horizontes.
O Instituto Maria, iniciativa mantida pela Faculdade de Medicina de Olinda (FMO), desenvolve trabalho gratuito para pacientes com síndrome de Down.
Nutrição como base para o desenvolvimento

A alimentação é um dos primeiros e mais decisivos fatores na construção da qualidade de vida de pessoas com síndrome de Down. De acordo com a nutricionista Laryssa Agra, o acompanhamento nutricional vai muito além da escolha dos alimentos.
“A nutrição atua diretamente no desenvolvimento global da criança, influenciando desde o crescimento até aspectos cognitivos e imunológicos. No caso da síndrome de Down, precisamos ter um olhar ainda mais atento para o metabolismo e para as particularidades hormonais”, explica.
Um dos pontos de atenção é a tendência ao sobrepeso e à obesidade, condição frequente nesse público. “Existe uma predisposição metabólica, associada, entre outros fatores, à taxa basal de hormônios ligados ao metabolismo lipídico, como a leptina. Isso exige monitoramento constante e estratégias nutricionais individualizadas”, detalha.
A introdução alimentar também demanda cuidado técnico e sensibilidade familiar. É o que vivencia Íris Miguel, mãe de Ially Miguel, que iniciou acompanhamento no Instituto Maria com apenas 36 dias de vida. Hoje, com um ano e seis meses, Ially apresenta evolução consistente.

“Desde o começo, eu aprendi que cada conquista é única. A alimentação dela é acompanhada de perto, e eu observo tudo, a aceitação dos alimentos, a mastigação, o interesse. A gente entende que não é só comer, é desenvolver”, relata.
Laryssa Agra reforça que o papel da família é estratégico. “Os responsáveis são parte ativa do processo. A gente orienta, acompanha e ajusta, mas é no dia a dia que a nutrição se concretiza. Quando há esse alinhamento, os resultados aparecem de forma mais consistente”, afirma.
Psicomotricidade e a construção da autonomia

Se alimentar bem é essencial, movimentar-se com consciência é igualmente determinante. A psicomotricidade surge como um eixo estruturante no desenvolvimento de crianças com síndrome de Down, trabalhando a integração entre corpo, mente e emoção.
Segundo o psicomotricista Wilson Souza, o trabalho é focado na construção da autonomia funcional. “A psicomotricidade atua na base do desenvolvimento humano. A gente trabalha coordenação, equilíbrio, lateralidade, percepção corporal e organização espacial. Tudo isso impacta diretamente na capacidade da criança de interagir com o mundo”, explica.
Ele destaca que crianças com síndrome de Down podem apresentar hipotonia muscular e atrasos no desenvolvimento motor, o que torna a intervenção ainda mais relevante. “Quando estimulamos de forma adequada, conseguimos ganhos importantes na postura, no controle motor e na independência. Isso se reflete em atividades simples do cotidiano, como sentar, andar, brincar e se comunicar”, afirma.

Além dos aspectos físicos, a psicomotricidade também atua na dimensão emocional. “O corpo é a primeira forma de expressão. Quando a criança se reconhece e se apropria do próprio corpo, ela ganha confiança. E confiança é essencial para o desenvolvimento global”, completa Wilson Souza.
Fisioterapia e ganho funcional

Complementando esse cuidado, a fisioterapia desempenha papel central na promoção de funcionalidade e prevenção de complicações. A fisioterapeuta Lais Martins destaca que o acompanhamento deve ser contínuo e personalizado.
“A fisioterapia atua no fortalecimento muscular, no alinhamento postural e na melhoria da mobilidade. No caso da síndrome de Down, trabalhamos muito para minimizar os efeitos da hipotonia e prevenir alterações ortopédicas”, explica.
Entre os principais benefícios estão a melhora do equilíbrio, da coordenação motora e da resistência física. “Quanto mais cedo iniciamos, maiores são as chances de promover independência. O objetivo é que essa criança consiga realizar atividades do dia a dia com o máximo de autonomia possível”, afirma.
Lais Martins ressalta que o trabalho é integrado com outras áreas. “Nenhuma intervenção acontece de forma isolada. A fisioterapia conversa com a nutrição, com a psicomotricidade e com outras especialidades. É esse olhar multidisciplinar que garante resultados mais efetivos”, pontua.
A atuação integrada de áreas como psicologia, fonoaudiologia e terapia ocupacional amplia o olhar sobre o desenvolvimento, considerando aspectos emocionais, comunicacionais e funcionais que são determinantes para a autonomia e a inclusão social.
Psicologia e fortalecimento emocional

A psicologia atua como um eixo estruturante tanto para a criança quanto para a família. O acompanhamento envolve o desenvolvimento emocional, o estímulo à socialização e o suporte aos responsáveis, especialmente no processo de adaptação ao diagnóstico.
Segundo a psicóloga e coordenadora multidisciplinar do Instituto Maria, Pauline Freitas, o trabalho começa desde os primeiros contatos com a família. “A chegada do diagnóstico mobiliza muitas emoções. Nosso papel é acolher, orientar e ajudar essa família a compreender que existe um caminho possível, com desenvolvimento e qualidade de vida”, afirma. No atendimento às crianças, o foco está no estímulo das habilidades socioemocionais. “Trabalhamos aspectos como vínculo, interação, regulação emocional e construção da autonomia. Cada avanço, por menor que pareça, tem um impacto significativo no desenvolvimento global”, explica. Pauline destaca ainda que o suporte contínuo às mães e responsáveis é fundamental. “Quando a família está fortalecida emocionalmente, ela se torna uma aliada potente no processo terapêutico. Isso muda completamente a trajetória da criança”, pontua.
Fonoaudiologia e desenvolvimento da comunicação
A comunicação é uma das áreas que mais demandam atenção em crianças com síndrome de Down, e a fonoaudiologia atua diretamente nesse processo, desde os primeiros meses de vida. As intervenções envolvem estímulos para sucção, mastigação e deglutição, além do desenvolvimento da linguagem oral e da comunicação não verbal. O objetivo é ampliar a capacidade de expressão e compreensão, facilitando a interação social.
“A comunicação é um direito básico. Quando estimulamos desde cedo, conseguimos avanços importantes na fala, mas também na intenção comunicativa, no olhar, no gesto. Tudo isso contribui para que a criança se faça entender e participe mais ativamente do ambiente em que vive”, ressalta Pauline Freitas.
Terapia ocupacional e autonomia no cotidiano
A terapia ocupacional foca na funcionalidade e na independência da criança nas atividades do dia a dia. Desde tarefas simples, como segurar objetos e se alimentar, até habilidades mais complexas, como vestir-se e organizar rotinas, tudo é trabalhado de forma progressiva.
A abordagem é centrada na prática e na repetição orientada, respeitando o tempo e as particularidades de cada criança. “A terapia ocupacional ajuda a transformar conquistas em rotina. Não é apenas aprender a fazer, mas conseguir incorporar aquilo no dia a dia, com autonomia e segurança”, explica Pauline. Ela reforça que essas intervenções impactam diretamente no futuro. “Quando pensamos em inclusão social e até em inserção no mercado de trabalho, estamos falando de habilidades que começam a ser construídas na infância, dentro dessas terapias”, afirma.
Instituto Maria amplia acesso gratuito
| Projeto oferece atendimento multidisciplinar

O Dia Internacional da Síndrome de Down, celebrado em 21 de março passado, reforça a importância de iniciativas que saem do discurso e promovem transformação concreta. É o caso do Instituto Maria, que oferece atendimento gratuito a crianças com síndrome de Down em Pernambuco. Criado em maio de 2023, o Instituto nasceu da história de Maria, filha de Inácio de Barros Melo Neto e Raissa Alcoforado de Barros Melo. A experiência da família, marcada por desafios e descobertas, se transformou em propósito coletivo. Hoje, o projeto atende crianças desde os primeiros dias de vida até os 12 anos, com uma abordagem multidisciplinar que inclui nutrição, psicomotricidade, fisioterapia, psicologia, fonoaudiologia e odontologia, além de suporte às mães e responsáveis. De acordo com a psicóloga e coordenadora multidisciplinar Pauline Freitas, o foco é ampliar oportunidades. “Nosso compromisso é garantir que essas crianças tenham acesso a estímulos de qualidade, respeitando suas individualidades e promovendo desenvolvimento real. A inclusão começa no cuidado”, afirma.
Reconhecimento - O reconhecimento do trabalho já ultrapassou fronteiras. O Instituto Maria foi convidado a participar da 18ª Conferência dos Estados Partes da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, realizada na sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York.
Como entrar em contato?
Crianças de todo o Estado podem ter acesso às terapias multidisciplinares oferecidas pelo Instituto Maria. O primeiro passo é entrar em contato por meio do perfil oficial no Instagram, onde a equipe disponibiliza um formulário para triagem inicial. A partir desse cadastro, são avaliadas as demandas da criança e a possibilidade de inclusão no programa de atendimento.
Serviço
- Instituto Maria Projeto
- Atendimento multidisciplinar gratuito para crianças com síndrome de Down
- Informações: @instituto.maria

Startup do Recife conquista Prêmio Finep de Inovação com projeto de biobancos digitais

A startup Nuclearis, empresa do grupo Klar sediada no Recife, foi vencedora do Prêmio Finep de Inovação na categoria Transformação Digital da Indústria para Ampliar a Produtividade. A premiação, concedida pela Financiadora de Estudos e Projetos, reconhece projetos apoiados entre 2023 e 2025 e é considerada uma das mais relevantes do setor no país. O projeto premiado integra biobancos digitais com uso de inteligência artificial para análise de exames de imagem e suporte diagnóstico, reunindo biomarcadores e dados clínicos padronizados. A solução permite a geração de insights clínicos, desenvolvimento de estudos epidemiológicos e maior eficiência nos fluxos hospitalares. A tecnologia já foi incorporada por instituições como o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco e o Hospital Sírio-Libanês, além de impulsionar a internacionalização da empresa, que avança com tratativas para implementação do sistema no Panamá. O projeto recebeu subvenção de R$ 2 milhões por meio da chamada Startup IA, fortalecendo a infraestrutura e ampliando a oferta de soluções tecnológicas na área da saúde.
Recife sedia II Simpósio Nacional de Reabilitação Intensiva e Cuidados Paliativos

A Clínica Florence realiza, nos dias 27 e 28 de março de 2026, no Mar Hotel Conventions, o II Simpósio Nacional de Reabilitação Intensiva e Cuidados Paliativos. O evento deve reunir cerca de 300 profissionais de saúde de diversas regiões do país, com foco na discussão de modelos de cuidado centrados no paciente. Voltado para médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicólogos, gestores e estudantes, o simpósio abordará temas como reabilitação intensiva no pós-UTI, pós-AVC e pós-fratura de quadril em idosos, além de cuidados paliativos, desospitalização, gestão em saúde e comunicação entre equipes assistenciais.
Serviço
Evento: II Simpósio Nacional de Reabilitação Intensiva e Cuidados Paliativos
Data: 27 e 28 de março de 2026
Local: Mar Hotel Conventions, Recife
Informações e inscrições: link oficial do evento
Uso de inteligência artificial na saúde é tema de workshop no Recife

O Sebrae Recife recebe, no dia 28 de março, o workshop “Aplicando Dados e IA na Gestão de Clínicas e Consultórios”, voltado para médicos, empresários e profissionais da área da saúde. O evento aborda gestão baseada em dados e aplicação de inteligência artificial na gestão financeira, com foco em otimização de processos, análise de cenários e tomada de decisões estratégicas. A programação inclui credenciamento às 8h, seguido das palestras às 9h e 10h30, com encerramento ao meio-dia. A condução será do consultor Jorge Paixão, especialista em gestão baseada em dados, com atuação nos setores financeiro e de saúde. As inscrições estão abertas pela internet, com investimento de R$ 197,00 e opção de ingresso duplo. As vagas são limitadas.
Serviço
Workshop Aplicando Dados e IA na Gestão de Clínicas e Consultórios
Data: 28 de março
Local: Sebrae Recife – Rua Tabaiares, 360, Ilha do Retiro
Horário: das 8h às 12h
Inscrições: https://www.economedica.com.br/dados-ia
Informações: (48) 9 8812-9078

MedHandsOn chega ao Recife com foco em mentoria médica "mão na massa" dentro do centro cirúrgico

O cenário da educação médica em Pernambuco ganha nova abordagem com a chegada da MedHandsOn. A plataforma nasce com a proposta de colocar o médico em aperfeiçoamento diretamente no "campo de batalha" que é o ambiente cirúrgico real, ao lado de mentores consolidados na área.
Fundada pelo otorrinolaringologista Gustavo Motta, pelo estrategista de posicionamento André Hunter e pelo especialista em marketing médico Arthur Eickmann, a MedHandsOn foi lançada oficialmente no início do mês em um evento exclusivo na Audi Center Recife. A iniciativa surge para preencher uma lacuna crítica na medicina: a distância entre a conclusão da especialização e o domínio de técnicas de alta performance.
O grande diferencial da MedHandsOn é o conceito de educação aplicada. Em vez de salas de aula, o aprendizado ocorre onde a medicina acontece. O médico participante acompanha e atua em procedimentos reais, absorvendo táticas, tomadas de decisão e refinamento técnico que só a vivência prática proporciona.
"A medicina evolui em uma velocidade absurda. Muitos procedimentos de ponta só são dominados anos após a formação oficial. A MedHandsOn traz o médico para o lado de quem já é autoridade no assunto, dentro do centro cirúrgico", explica o médico Gustavo Motta.
Para além da técnica, a plataforma se posiciona como um ecossistema de desenvolvimento contínuo. Segundo André Hunter, o foco está na construção de uma rede de mentoria que sustenta o profissional ao longo de toda a jornada. "Não entregamos apenas um curso isolado; fomentamos uma troca de experiências entre quem já está no exercício da profissão e quem busca o próximo nível de excelência", afirma.
Arthur Eickmann reforça que o projeto atende a uma demanda crescente por experiências bem estruturadas. "O mercado exige segurança e precisão. Unir mentores experientes a situações reais de cirurgia cria um ambiente de aprendizado de altíssimo impacto, que reflete diretamente na qualidade do atendimento ao paciente", pontua.
Embora tenha iniciado suas atividades no Recife, a MedHandsOn já possui planos de expansão. A proposta é capilarizar essa rede de mentores e centros parceiros por outras capitais do Brasil, consolidando-se como o principal hub de atualização cirúrgica prática do país.
Sobre a MedHandsOn - A MedHandsOn é uma plataforma de educação médica focada em mentoria prática e vivência cirúrgica. Através de uma rede selecionada de mentores e centros de excelência, a iniciativa oferece a médicos em aperfeiçoamento a oportunidade de dominar novas técnicas através do acompanhamento direto em procedimentos reais.
Mais informações: https://medhandson.com.br/ @medhandson

