Considerada um dos transtornos mentais mais comuns da atualidade, a ansiedade pode ultrapassar os limites da preocupação cotidiana e comprometer a qualidade de vida. O médico com especialização em Medicina de Família e Comunidade, Psiquiatria e Neurologia clínica, Jonathan Thiêgo explica os sinais de alerta, os impactos na rotina e a importância de buscar tratamento
Preocupação, medo, insegurança e expectativa fazem parte da vida. São respostas naturais diante dos desafios do cotidiano. Mas quando esses sentimentos passam a ser intensos, frequentes e começam a interferir no trabalho, nos relacionamentos, no sono e na rotina, podem indicar que algo precisa de atenção.
A ansiedade está entre os principais motivos que levam pessoas a buscar atendimento em saúde mental. Segundo Jonathan Thiêgo, que há mais de uma década acompanha pacientes no Cabo de Santo Agostinho, compreender a diferença entre uma reação emocional comum e um transtorno é fundamental para iniciar o cuidado adequado.
“A ansiedade faz parte do funcionamento humano. Ela nos prepara para situações de desafio e perigo. O problema acontece quando deixa de ser uma resposta pontual e passa a dominar a vida da pessoa, trazendo sofrimento e prejuízos no dia a dia”, explica o médico.
Entre os sinais que merecem atenção estão preocupação excessiva, pensamentos acelerados, dificuldade de concentração, irritabilidade, sensação constante de alerta, alterações no sono, cansaço frequente e sintomas físicos como palpitações, falta de ar e tensão muscular.
“Nem sempre a pessoa percebe que está passando por um problema de saúde mental. Muitas vezes ela acredita que é apenas estresse, uma fase difícil ou uma característica da própria personalidade. O diagnóstico correto permite compreender o que está acontecendo e buscar o tratamento mais adequado”, destaca. Jonathan Thiêgo
Uma realidade presente no consultório e no SUS
Atuando na rede pública de saúde do Cabo de Santo Agostinho e também na iniciativa privada, o médico Jonathan Thiêgo acompanha diferentes perfis de pacientes que enfrentam transtornos relacionados à ansiedade.
Segundo ele, a procura por atendimento aumentou nos últimos anos, especialmente após a pandemia da Covid-19, quando muitas pessoas passaram a lidar com perdas, isolamento, insegurança e mudanças profundas na rotina.
“Observamos uma maior procura por ajuda. A pandemia trouxe impactos emocionais importantes e também ajudou a ampliar o debate sobre saúde mental. Muitas pessoas passaram a entender que procurar um profissional não significa fraqueza, mas cuidado”, afirma.
Quando procurar ajuda?
Um dos maiores desafios, segundo o especialista, ainda é combater o preconceito em torno da saúde mental. Muitas pessoas adiam o atendimento por medo ou por acreditarem que precisam enfrentar sozinhas determinadas situações.
“O sofrimento emocional também precisa de cuidado. Assim como procuramos um médico quando sentimos uma dor física, devemos buscar ajuda quando percebemos mudanças persistentes no nosso comportamento, nos pensamentos ou na forma como lidamos com a vida”, ressalta.
O tratamento pode envolver acompanhamento psicológico, mudanças de hábitos, estratégias de enfrentamento e, quando necessário, o uso de medicação indicada pelo médico.
Cuidar da mente é cuidar da vida
Para o médico Jonathan Thiêgo, saúde mental envolve muito mais do que tratar doenças. Envolve construir uma rotina de equilíbrio, fortalecer vínculos, cuidar do sono, praticar atividades físicas e desenvolver uma relação mais saudável consigo mesmo.
“A psiquiatria não olha apenas para o transtorno, mas para a pessoa. Cada paciente tem uma história, uma realidade e uma forma diferente de vivenciar suas dificuldades. O cuidado precisa ser individualizado e humanizado”, afirma.
O médico reforça que falar sobre saúde mental é uma forma de prevenção e transformação.
“A informação ajuda a diminuir o preconceito e faz com que mais pessoas procurem ajuda no momento certo. Cuidar da mente é uma parte essencial do cuidado com a vida”, conclui.
Acontece
Livro sobre condutas médicas

O médico José Roberto de Almeida, professor da Afya Jaboatão, reúne experiência e conhecimento da prática clínica no livro Condutas Ambulatoriais, que será lançado nesta quarta-feira (2). A publicação apresenta orientações voltadas à tomada de decisões no atendimento ambulatorial, aproximando o conhecimento médico da rotina dos profissionais. O evento, para convidados, será realizado às 19h, no Restaurante Famiglia Giuliano, em Boa Viagem.
Reprodução assistida

A Clínica Art Fértil, de Altina Castelo Branco, no Recife, recebe, no próximo dia 15/09, a partir das 19h, o encontro “Doadoras e Receptoras Day”, promovido pelo “Nós Tentantes”, de Karina Steiger, para falar sobre os desafios da Reprodução Assistida. Na mesma noite, o “Ninho Solidário”, braço social do Nós Tentantes, anunciará uma família contemplada com uma Fertilização In Vitro pelo projeto. Desta vez, a iniciativa se volta a casais homoafetivos femininos que sonham em construir uma família e encontram no custo do tratamento uma das principais barreiras para realizar esse projeto de vida.
Congresso debate autismo na vida adulta no Recife

A quarta edição do Congresso Autismo na Vida Adulta será realizada nos dias 17 e 18 de outubro, no Mar Hotel Conventions, em Boa Viagem, no Recife. O evento reúne especialistas, autistas adultos, familiares, pesquisadores e profissionais para discutir temas como autonomia, trabalho, saúde, relacionamentos e inclusão. As inscrições estão abertas pelo site Autismo na Vida Adulta.
É grátis
Clínica-Escola oferece atendimento odontológico gratuito
A Clínica-Escola de Odontologia do Centro Universitário UniFBV Wyden oferece atendimento gratuito à comunidade, com procedimentos realizados por estudantes e supervisionados por professores. A unidade, na Imbiribeira, atende de segunda a sexta-feira, em diferentes especialidades, mediante agendamento na recepção.
Estácio Recife oferece atendimento psicológico gratuito
O Centro Universitário Estácio Recife oferece atendimento psicológico gratuito à população por meio do Serviço de Psicologia Aplicada (SEP), no Prado. O serviço atende crianças, adolescentes, adultos e idosos, com acompanhamento realizado por estudantes de Psicologia e supervisão de professores. Os atendimentos acontecem de segunda a quinta-feira, em diferentes horários, mediante agendamento prévio. O serviço funciona na Avenida Engenheiro Abdias de Carvalho, nº 1771. Informações: (81) 3226-8848. Agendamento online.
Mais Saúde
Visão embaçada não é normal: saiba quando o sintoma exige avaliação oftalmológica
| Alteração pode ser causada por problemas simples, como grau desatualizado, mas também indicar doenças oculares e até condições sistêmicas

A visão embaçada é uma queixa comum e, muitas vezes, acaba sendo ignorada, principalmente quando surge de forma gradual. Embora possa estar relacionada a situações passageiras, como cansaço visual, olho seco ou uso prolongado de telas, o sintoma também pode ser um sinal de doenças oculares que exigem diagnóstico e tratamento precoces.
De acordo com a oftalmologista Marcela Valença, do Instituto de Olhos do Recife (IOR), nem todo episódio de visão embaçada representa uma emergência, mas é importante investigar a causa. “O mais importante é observar como esse embaçamento acontece. Apareceu de repente ou aos poucos? É constante ou vai e volta? Está piorando? Existem outros sintomas associados? Essas informações ajudam bastante na investigação.”
As causas da visão embaçada variam conforme a idade. Em crianças e jovens, os erros refrativos, como miopia, hipermetropia e astigmatismo são as principais causas, especialmente quando ainda não foram diagnosticados ou o grau dos óculos está desatualizado. A partir dos 40 anos, torna-se comum o surgimento da presbiopia, dificuldade para enxergar de perto, além do aumento dos casos de olho seco e fadiga visual relacionados ao uso intenso de dispositivos eletrônicos. Já entre os idosos, a catarata figura entre as principais causas da perda progressiva da nitidez da visão. O glaucoma e as doenças da retina também se tornam mais frequentes nessa fase da vida e podem comprometer a visão.
Doenças oculares exigem atenção
Segundo a especialista, diferentes doenças podem provocar visão embaçada, mas cada uma apresenta características próprias. Na catarata, por exemplo, a visão costuma piorar progressivamente. Já o glaucoma, muitas vezes é silencioso e pode comprometer inicialmente a visão periférica sem que o paciente perceba. Algumas doenças da retina podem causar embaçamento, distorção das imagens ou alteração da visão central. “Por isso, não dá para descobrir a causa apenas pelo sintoma. É necessário examinar”, alerta.
Diabetes e hipertensão também podem afetar a visão
Nem sempre a origem da visão embaçada está nos olhos. Algumas doenças sistêmicas também podem provocar alterações visuais. O diabetes, principalmente quando está descompensado, pode causar oscilações da visão e também alterações na retina, como a retinopatia diabética. Já a hipertensão arterial pode afetar os vasos da retina. “Em alguns casos, uma alteração visual pode inclusive ajudar a identificar uma doença sistêmica que ainda não havia sido diagnosticada”, ressalta Marcela Valença.
Uso excessivo de telas pode provocar embaçamento temporário
O uso prolongado de computadores, celulares e tablets pode provocar visão embaçada temporária. Isso ocorre porque, durante o uso das telas, a frequência do piscar diminui, favorecendo o ressecamento da superfície ocular. Além da perda temporária de nitidez, também podem surgir ardência e sensação de cansaço nos olhos.
Para reduzir esse desconforto, a médica orienta seguir uma recomendação simples. “Uma orientação é a regra 20-20-20: a cada 20 minutos, olhar durante cerca de 20 segundos para alguma coisa a aproximadamente 6 metros de distância.” Marcela Valença reforça, porém, que o sintoma não deve ser ignorado. “Se a visão continuar embaçada mesmo depois do descanso ou estiver piorando, é importante investigar outras causas”.
Grau desatualizado e automedicação também merecem cuidado
O grau desatualizado dos óculos ou das lentes de contato também está entre as causas mais frequentes da visão embaçada. Isso é comum principalmente durante a infância e adolescência, quando o olho ainda está em desenvolvimento, e também após os 40 anos, com o surgimento da presbiopia. No entanto, a oftalmologista alerta que não é indicado atribuir automaticamente o sintoma apenas à necessidade de trocar os óculos. “Não é interessante simplesmente assumir que ‘é só o grau’. O exame oftalmológico é que vai confirmar a causa.”
Outro alerta diz respeito ao uso indiscriminado de colírios. Esses medicamentos podem aliviar sintomas momentaneamente, mas também mascarar doenças e retardar o diagnóstico correto. Além disso, colírios com corticoides, quando utilizados sem orientação médica, podem aumentar a pressão intraocular e favorecer o desenvolvimento de glaucoma e catarata. “Por isso, quando o sintoma é persistente ou recorrente, o ideal é procurar avaliação oftalmológica antes de começar qualquer tratamento”.
A especialista também chama atenção para o fato de que muitas pessoas acabam negligenciando a visão embaçada, principalmente quando a perda da qualidade visual acontece de forma lenta. “Quando a perda de nitidez é gradual, muitas vezes a pessoa vai se acostumando e só percebe a diferença quando faz um exame ou corrige o problema. Além disso, algumas doenças oculares podem evoluir durante bastante tempo com poucos sintomas. O glaucoma é um exemplo clássico. Por isso, o acompanhamento oftalmológico periódico continua sendo importante mesmo para quem acha que está enxergando bem”, afirma Marcela Valença.
Quando a visão embaçada é uma emergência
Embora muitos casos possam ser avaliados em consulta, alguns sinais exigem atendimento oftalmológico imediato. Segundo a oftalmologista, é importante procurar assistência quando a visão embaçada aparecer de forma súbita; vier acompanhada de dor ocular intensa ou vermelhidão importante; surgir junto com flashes de luz ou sensação de uma “cortina” na visão; provocar perda repentina de parte do campo visual; acontecer de repente em apenas um olho; surgir após um trauma ocular. “Esses sintomas podem estar relacionados a situações como descolamento de retina, alterações vasculares ou aumento importante da pressão ocular, nas quais o tempo para avaliação pode fazer diferença no prognóstico visual”.
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