Fundado em 1947, o bloco atravessa gerações preservando o frevo, a identidade popular e a ocupação cultural das ladeiras históricas
A Pitombeira dos Quatro Cantos nasceu em Olinda, em 1947, a partir do encontro entre amigos, música e rua, e se transformou em um dos símbolos mais duradouros do carnaval pernambucano. Desde o início, o bloco se afirmou como expressão legítima da cultura popular, levando às ladeiras a irreverência, a alegria e a força do frevo. Seus desfiles sempre funcionaram como atos de pertencimento, onde passado e presente se encontram ao som das orquestras, dos estandartes e do povo.
Ao longo das décadas, a Pitombeira consolidou-se como referência cultural e afetiva para foliões, músicos e moradores de Olinda. Mesmo diante das mudanças no carnaval e da expansão de formatos mais comerciais, manteve sua essência popular, reafirmando a ocupação do espaço público e a autonomia criativa. Esse percurso rendeu ao bloco o reconhecimento como Patrimônio Vivo de Pernambuco, reforçando seu papel na preservação da memória, das tradições e da identidade cultural do estado.
Nos últimos tempos, a Pitombeira ganhou novo fôlego no imaginário contemporâneo ao aparecer no cinema: no filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, o personagem interpretado por Wagner Moura surge vestindo a camisa do bloco. O gesto simbólico ampliou a visibilidade da agremiação e reacendeu o interesse do público, provocando um frisson em torno da Pitombeira e da própria camisa, hoje disputada como peça cult do carnaval pernambucano.









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