Livro reúne memórias indigenistas no Nordeste das décadas de 70 e 80
Publicação é resultado de 15 anos de pesquisas sobre o acervo do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Regional Nordeste.

Ressaltar a força da memória é o ponto de partida do livro “Retomada – Memórias Indigenistas no Nordeste: uma mirada sobre o acervo do CIMI de 1978 a 1988”. A publicação, com 220 páginas, traz no centro de sua narrativa os processos de luta por direitos protagonizados pelos povos indígenas no Nordeste, a partir do acervo do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) – Regional Nordeste. O livro tem organização assinada pelos pesquisadores/as e antropólogo/as Lara Erendira A. de Andrade (professora da Licenciatura Intercultural Indígena do CAA/UFPE), Manuela Schillaci (Nepe/UFPE) e Alexandre Gomes (professor de Etnologia Indígena do Instituto de Humanidades/UNILAB). A publicação tem incentivo do Funcultura / Governo de Pernambuco, através da Secretaria de Cultura e Fundarpe.

Neste próximo dia 12 de agosto, o livro-álbum  será lançado em Caruaru, e no dia 14 de agosto no Recife, dentro da programação da IX Jornada de Estudos sobre Etnicidade, organizada pelo Núcleo de Estudos sobre Etnicidade da UFPE. Os autores dedicam a obra a Alcilene Bezerra (1975 – 2026), vice-presidente do CIMI e ex-coordenadora do Regional Nordeste, que recebeu a equipe do projeto e tornou possível a pesquisa. 

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Com tiragem de mil exemplares, a obra será distribuída entre escolas indígenas de Pernambuco e terá versão digital disponibilizada nos sites a partir do dia 07 de setembro: https://memoriaindigenista.wixsite.com/mine  e https://cimi.org.br/  

A publicação apresenta trajetórias dos povos indígenas do Nordeste em defesa e retomada de seus territórios, registros de personagens emblemáticos,  a vida cotidiana nas aldeias e o protagonismo destes povos na construção de um movimento nacional indígena. São mais de uma centena de fotografias, recortes de jornal e documentos, dentre estes, muitos que foram reunidos pela Comissão Nacional da Verdade, disponíveis no Sian (Sistema de Informação do Arquivo Nacional) e que mostram  como  a ditadura civil-militar espionou integrantes do CIMI e lideranças indígenas. 

O livro integra o projeto Memórias Indigenistas no Nordeste, que desde 2013 pesquisa, recupera e organiza acervos por meio de processos de tratamento técnico, incluindo a digitalização, o inventário e a catalogação. “Este livro nasce de uma pesquisa engajada. A partir do acervo, buscamos evidenciar como o apagamento da presença indígena no Nordeste foi uma estratégia de subordinação, dando visibilidade às inúmeras violências e violações de direitos sofridas. Nosso intuito é contribuir com a luta dos povos indígenas por seu direito à Memória, à Verdade, à Justiça – somando no coro que vem se construindo nacionalmente por uma Comissão Nacional da Verdade Indígena”, explica Manuela Schillaci, coordenadora executiva do projeto Memórias Indigenistas no Nordeste e uma das organizadoras da publicação.

Por meio de uma linha do tempo, o livro-álbum apresenta a atuação do CIMI e parte das trajetórias dos povos indígenas Xokó (SE), Kariri-Xokó (AL), Truká (PE), Kambiwá (PE), Pankararé (BA), Kaimbé (BA), Kapinawá (PE), Pankararu (PE), Kiriri (BA), Potiguara (PB), Tuxá (BA), Wassu Cocal (AL), Xukuru Kariri (AL), Geripankó (AL), Fulni-ô (PE), Xukuru do Ororubá (PE).

A publicação aborda desde a criação do CIMI, que tem como marco a realização da 1ª Assembleia de Pastoral Indigenista do Nordeste, em 1978 em Garanhuns/PE, as primeiras assembleias indígenas na região, passando por um série de retomadas indígenas, que sofreram repressão, assassinatos e violações de direitos, com ameaças e espionagem direta dos órgãos da ditadura civil-militar.  

O acervo apresentado no livro foi reunido ao longo dos anos com a contribuição das diversas equipes envolvidas nas atividades de acompanhamento e apoio às mobilizações indígenas. Embora sua atuação tenha se expandido para outros estados, o trabalho do CIMI-NE na região concentrou-se prioritariamente, nesses primeiros anos, em Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e Paraíba.

CONTEXTO
É importante destacar que desde a década de 1960, a região Nordeste esteve no centro de transformações profundas que culminaram na fundação do CIMI. Impulsionada pela atuação política do então arcebispo de Recife e Olinda, Dom Hélder Câmara, a capital pernambucana tornou-se uma referência nacional para os movimentos de resistência à ditadura civil-militar no Brasil. 

Fundado por Dom Hélder, o Instituto de Teologia do Recife (ITER) exerceu papel destacado na formação intelectual e teológica de várias gerações de religiosos e leigos, difundindo efetivamente os pressupostos marxista-cristãos da Teologia da Libertação. No ITER, ao final da década de 1970, formou-se parte do quadro de missionários que passaria a atuar pelo CIMI na região Nordeste. 

Nesse contexto, o CIMI passou a catalogar dados sobre a existência, a localização, a demografia e os conflitos envolvendo comunidades indígenas. Com base nessas informações, a entidade organizou a atuação missionária e conectou as lutas locais a outras em curso no país.

SERVIÇO:

Apresentação do livro Retomada – Memórias Indigenistas no Nordeste durantea IX Jornada de Estudos sobre Etnicidade do NEPE12 de agosto, às 16h, em Caruaru, no Centro Acadêmico do Agreste da UFPE14 de agosto, às 9h, no Recife, no Auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) da UFPE.

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