Adaptada da obra de João Ubaldo Ribeiro, comédia chega ao Recife dias 2 e 3 de setembro, celebrando 23 anos de sucesso e cerca de 3 milhões de espectadores
Depois de encantar o mundo com o filme “Ainda Estou Aqui”, que conquistou mais de 70 prêmios, entre eles o Globo de Ouro de Melhor Atriz, em 2025, a atriz Fernanda Torres está de volta aos palcos interpretando uma libertina baiana de 68 anos no espetáculo “A Casa Dos Budas Ditosos”, adaptação para o teatro do livro de João Ubaldo Ribeiro com direção de Domingos de Oliveira, uma comédia inebriante.
Com 23 anos de sucesso e a caminho dos 3 milhões de espectadores por todo o Brasil, a montagem chega ao Recife para duas sessões no Teatro Guararapes, dias 2 e 3 de setembro de 2026. O espetáculo rendeu o Prêmio Shell de Melhor Atriz a Fernanda, além do Prêmio Qualidade Brasil nas categorias Melhor Atriz, Melhor Diretor e Melhor Comédia, em 2004.
“A Casa dos Budas Ditosos” é um livro escrito em primeira pessoa, é o depoimento de uma mulher que deseja dizer ao mundo que ousou cumprir sua vocação libertina e foi feliz, não há danação na luxúria. Nasceu teatro porque é oral e é oral porque, segundo o próprio João Ubaldo, nas primeiras páginas do livro: “É impossível falar sobre sexo na terceira pessoa”.

Para viver a personagem, o diretor Domingos de Oliveira pensou que “precisava de alguém que soubesse transitar por todas as idades, pelas diversas fases da personagem”. Ao diretor, pareceu que uma atriz que estivesse “entre os trinta e cinco e os quarenta e poucos, a melhor idade na vida de qualquer mulher”. Segundo a baiana do livro, seria o ideal para criar essa diversidade.
Esse artifício, simples e não realista, de ter uma atriz de meia-idade, vivendo uma mulher de idade que se lembra de todas as suas idades, acabou por acentuar o discurso libertário da baiana de João Ubaldo. Quem prega, confessa, ri é a mulher no seu ideal, é uma imagem projetada e viva. Essa ilusão contribui para que a viagem sexo-sensorial, proposta por João Ubaldo, aconteça plenamente no teatro.
“A narrativa de João Ubaldo Ribeiro contém nítida importância filosófica, disfarçada em folhetins de peripécias sexuais. O personagem sem nome que Ubaldo criou é sem dúvida uma deusa. Ela possui uma liberdade divina almejada na imaginação por todos nós e, na prática, inalcançável por qualquer um de nós”, diz Domingos.
A contundência do discurso sexual da baiana e a qualidade do texto de João Ubaldo deram segurança aos dois, Domingos e Fernanda, de optar pela limpeza absoluta, de confiar na máxima de que quanto menos, mais.
Arriscaram deixar a personagem sentada, acompanhada apenas de alguns objetos, entre os quais, o maravilhoso livro “Nossa Vida Sexual”, de Fritz Khan, da Biblioteca do Avô da personagem, e os dois Budas Ditosos, estatuazinha em miniatura de dois budinhas praticando o sexo, “essas coisas milenares, de chinês”.
SERVIÇO
A Casa dos Budas Ditosos
Dias 2 e 3 de setembro de 2026, às 21h
Teatro Guararapes: Centro de Convenções de Pernambuco
Informações: (81) 4042-8400

