Por José Ricardo de Souza
Infelizmente, o Oscar deste ano não foi favorável ao cinema brasileiro. Apesar de cinco indicações, não trouxemos nenhuma estatueta, ao contrário de 2025 quando "Ainda Estou Aqui" ganhou como melhor filme estrangeiro. Apesar disso, ainda temos motivos para comemorar.
O longa "O Agente Secreto" está cumprindo bem seu papel. Despertou o interesse pelo cinema pernambucano, estimulou o turismo no centro da cidade do Recife, levou para a tela grande imagens de lugares que fazem parte do cotidiano dos pernambucanos. Não se trata apenas de assistir ao filme, mas de se ver nele representando, seja pela paisagem mostrada ou pela narrativa que lembrou dos ataques dos tubarões na Igrejinha de Piedade, da morte do menino Miguel, e da lenda icônica da perna cabeluda.
O filme dialogou com temas diversos, que vão desde a questão da repressão durante a ditadura civil-militar até a nostalgia de um Recife que infelizmente não existe mais.
Nunca falamos tanto de cinema em Pernambuco. Foram dezenas de publicações, de reportagens nos jornais a capas de revista, até um Globo Repórter só nosso teve, além é claro das inúmeras resenhas, postagens, artigos, etc. Nem vou citar as dezenas de prêmios nacionais e internacionais que "O Agente Secreto" conquistou.
Faltou o Oscar? Sim. Merecia pelo menos o de Melhor Filme Estrangeiro e de Melhor Ator (a atuação do Wagner Moura foi impecável). Mas vamos dar a César o que é de César: o Oscar é uma competição, como outra qualquer. Alguém vai ganhar, outros vão perder. E a vida segue igual às fitas de rolo dos antigos filmes que passavam no Cine São Luiz.
Pelo menos de uma coisa temos certeza: foi a maior torcida em linha reta desde que o Oscar foi inventado. Valeu Kléber Mendonça Filho. Você e todos que fizeram esta obra foram gigantes e merecem todas as nossas homenagens. Perdemos o Oscar, mas continuamos com molho de sempre: libertários, rebeldes e festivos!
*José Ricardo de Souza é professor da rede pública estadual de ensino, historiador e escritor. Membro da Academia de Letras e Artes da Cidade do Paulista (ALAP) e do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP). Criador do projeto Muita História pra Contar. @josericardope01 nas principais redes sociais.

