Especialista defende que verificação de antecedentes no processo de contratação pode ajudar a evitar a repetição de casos de assédio no ambiente corporativo
No Dia Internacional da Mulher, os dados sobre a realidade feminina no mercado de trabalho revelam um cenário preocupante. Segundo levantamento da plataforma Infojobs, 74% das mulheres já sofreram assédio ou preconceito no ambiente corporativo. A situação é agravada pelo fato de que 49% delas relatam sentir insegurança no trabalho ou até no trajeto até ele, de acordo com informações da Deloitte, evidenciando que o problema ultrapassa cargos ou setores e se repete de forma estrutural nas organizações.
Os números também se refletem no aumento das disputas judiciais. Pesquisa do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Tribunal Superior do Trabalho (TST) mostra que as denúncias e processos por assédio moral cresceram mais de 20% em 2025, totalizando 142,8 mil novas ações trabalhistas no período. O crescimento reforça que, apesar da ampliação de canais de denúncia e políticas internas, muitas empresas ainda atuam apenas após a ocorrência do problema.
Para especialistas, a prevenção precisa começar antes mesmo da contratação. Nesse contexto, a verificação de antecedentes profissionais — conhecida como background check — surge como uma ferramenta para ampliar a segurança no ambiente corporativo. A análise pode incluir consultas a processos trabalhistas anteriores, além da checagem de referências com ex-empregadores, com foco na conduta e no relacionamento profissional do candidato.
"As empresas que negligenciam a verificação do histórico de conduta dos seus futuros colaboradores estão, na prática, assumindo o risco de expor suas equipes a agressores em potencial", afirma Augusto Duarte, CEO da BGC Brasil, empresa especializada em verificação de antecedentes de pessoas, empresas e ativos para gestão de riscos.
Segundo o executivo, o processo seletivo também deve refletir os valores da organização. “Quando uma empresa decide verificar o histórico profissional e a conduta ética de um candidato, ela está emitindo um recado claro interno e externo: aqui, o respeito é inegociável”, completa. Ele destaca que iniciativas contínuas, como comitês de ética, treinamentos sobre diversidade e respeito e a promoção de lideranças femininas, também são essenciais para fortalecer uma cultura corporativa mais segura e igualitária.

