Brasil não aproveita potencial da biodiversidade

A falta de perspectiva de longo prazo e de políticas públicas adequadas são os principais motivos de o Brasil não aproveitar melhor a biodiversidade como diferencial competitivo. A pesquisa Retrato do uso sustentável de recursos da biodiversidade pela indústria brasileira feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que, para 84,2% dos empresários, o país não tem tirado proveito de todo o potencial desse mercado. Desses, 23,8% apontam a falta de perspectiva de maior aproveitamento da biodiversidade no longo prazo e 22,8% destacam a falta de políticas públicas estruturadas como os principais obstáculos ao desenvolvimento da bioeconomia.

O levantamento, que ouviu 120 executivos de pequenas, médias e grandes indústrias de 4 a 22 de julho, será apresentado aos participantes do encontro CNI Sustentabilidade, que ocorre nesta quinta-feira, 22 de setembro, no Rio de Janeiro. No evento, empresários e especialistas brasileiros e estrangeiros debatem como os valores ligados à sustentabilidade – como ética, transparência, respeito aos consumidores e conservação ambiental – podem impulsionar novos modelos de negócios, especialmente em mercados ligados ao uso da biodiversidade e das florestas.

Para 32,5% dos empresários, o grau de atenção da indústria para o uso sustentável da biodiversidade é alto ou muito alto. Outros 41,7% acham que o nível de atenção é regular. Apenas 23,3% dos executivos responderam que a atenção ao uso sustentável da biodiversidade é baixa ou muito baixa. No entanto, conforme 86,7% dos gestores, a importância dada ao tema aumentou nos últimos cinco anos. Isso se deve, especialmente, à maior conscientização das pessoas, a campanhas na imprensa e aos empresários estarem mais atentos ao uso sustentável da biodiversidade. O aspecto legal ocupou a quarta colocação entre os motivos citados.

ESTRATÉGIA DE NEGÓCIOS – A diretora de Relações Institucionais da CNI, Mônica Messenberg, destaca que a indústria brasileira reduziu consideravelmente o impacto de sua atividade no meio ambiente nas últimas duas décadas, desde a Eco-92. “As empresas não tratam a sustentabilidade como uma manifestação de boas intenções. Cada vez mais, incorporam seus princípios à estratégia de negócios e, hoje, sustentabilidade e competitividade andam juntas”, afirma Mônica.

Em relação à própria empresa, 65,8% respondem que a atenção dada ao tema é alta ou muito alta e 25% informam que é regular. Prova disso é que 78,3% das empresas investem em práticas e processos para o uso sustentável da biodiversidade, 52,5% investiram em produtos que utilizam recursos da biodiversidade e 50,8% financiaram ações e projetos voluntários de conservação nos últimos dois anos. Das empresas que fizeram esses investimentos, 74,4% estão satisfeitas com os resultados obtidos, sobretudo, em relação à reputação junto à sociedade e aos consumidores.

Além disso, 48,3% das indústrias pretendem aumentar os investimentos em práticas de uso sustentável nos próximos dois anos. O principal motivo para o crescimento de recursos destinados a essas ações é a preocupação com a sustentabilidade dos negócios, seguida de promoção da conservação do meio ambiente e da necessidade de adaptar-se às novas demandas do mercado.

CRESCIMENTO DAS EMPRESAS – Para 82,5% dos executivos, a redução da biodiversidade no Brasil afetaria a capacidade de crescimento das empresas. Entre as medidas que devem ser adotadas pelo setor industrial para estimular o uso sustentável da biodiversidade estão a promoção da consciência ambiental, assinalada por 35% dos empresários, e a busca de informações sobre financiamento, apontada por 12,5% dos entrevistados.

Já em relação a medidas a serem adotadas pelo governo para aumentar o engajamento e as ações empresariais no uso sustentável e na conservação da biodiversidade estão incentivos fiscais, assinalada por 26,7% dos empresários, fiscalização adequada e orientativa, apontada por 21,7% dos entrevistados, e disponibilização de recursos e linhas de crédito, citada por 14,2% dos respondentes.

O levantamento mostra ainda um elevado grau de desconhecimento dos gestores empresariais quanto às políticas e programas do governo voltados à conservação e ao uso sustentável da biodiversidade. Apenas 25,8% dos empresários conhecem iniciativas governamentais que incentivam essas práticas e, desses, apenas 22,6% se beneficiam delas. Apesar disso, 67,5% consideram que as linhas de financiamento são insatisfatórias para estimular o uso sustentável da biodiversidade pela indústria, especialmente, porque não há informação sobre os recursos governamentais disponíveis.

CNI SUSTENTABILIDADE – A CNI realizará no próximo dia 22 de setembro, no Hotel Sofitel, no Rio de Janeiro, a quinta edição do CNI Sustentabilidade, cujo tema será Biodiversidade e florestas: novos modelos de negócios para a indústria do amanhã. O evento reunirá empresários e especialistas brasileiros e estrangeiros para debater como os valores ligados à sustentabilidade podem impulsionar novos modelos de negócios, especialmente em mercados ligados ao uso da biodiversidade e das florestas.

Os encontros CNI Sustentabilidade ocorrem anualmente com debates sobre as tendências de mercado, tecnologias inovadoras e oportunidades de negócios que aliam a sustentabilidade e competitividade. A iniciativa é um desdobramento das articulações da indústria brasileira durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – a Rio+20. Desde 2012, a CNI realiza o evento, em parceria com o Serviço Social da Indústria (SESI) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), e coloca em pauta temas ambientais relevantes e atuais no cenário mundial. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) também apoia o evento.

Da CNI

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