Com Copa do Mundo, eleições e vários feriados prolongados, especialistas apontam que planejamento de marketing será decisivo para manter o desempenho do comércio
O ano de 2026 deve apresentar desafios incomuns para o varejo brasileiro. A combinação entre Copa do Mundo, eleições gerais e um calendário marcado por diversos feriados prolongados tende a reduzir os dias úteis e alterar o fluxo de consumidores nas lojas. Nesse contexto, empresários terão de lidar com mudanças no comportamento de compra e maior necessidade de planejamento para manter o faturamento.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o comércio varejista no país sofre forte influência de fatores sazonais, com variações mensais relacionadas a datas específicas e eventos de grande impacto. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) também aponta que períodos considerados atípicos podem tanto impulsionar quanto frear as vendas, dependendo do nível de preparação das empresas para lidar com essas mudanças.
Em 2026, a expectativa é de menos dias produtivos ao longo do calendário, além de ajustes nos horários comerciais em função dos jogos da Copa e maior dispersão da atenção do consumidor durante o período eleitoral. Esse cenário pode provocar tomada de decisão mais lenta, fluxo irregular nas lojas físicas e maior pressão sobre caixa, estoque e equipes, especialmente para pequenos e médios negócios.
Para o especialista em marketing da Agência Pontes, Rodrigo Pontes, o principal risco para o varejo está na falta de estratégia diante desse cenário. “O problema não é um ano difícil. O problema é atravessar um ano difícil sem planejamento. Em 2026, o marketing deixa de ser visto como despesa e passa a ser ferramenta de sobrevivência e crescimento. Quem não estruturar planos alternativos desde janeiro vai sentir o impacto diretamente no faturamento”, afirma.
Segundo ele, empresas podem transformar os chamados “dias perdidos” em oportunidades de negócio ao adaptar suas estratégias de venda e experiência do consumidor. “Em dias de jogos da Copa, é possível reorganizar o espaço, criar eventos temáticos, incluir música ao vivo e campanhas específicas. O consumidor não deixa de consumir; ele muda o contexto da compra. Cabe ao empresário adaptar a experiência”, explica.

