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Jademilson Silva

Câncer colorretal: morte de Lua Blanco aos 39 anos chama atenção para diagnóstico precoce

A morte da atriz e cantora Lua Blanco, aos 39 anos, em 18 de outubro de 2026, após enfrentar um câncer, chamou a atenção para a importância do diagnóstico precoce e da prevenção dos tumores. Conhecida por interpretar Roberta na versão brasileira da novela Rebelde, a artista teve a morte confirmada pela família. 

O episódio reacende o debate sobre o câncer de intestino, também chamado de câncer colorretal, que atinge o cólon e o reto. Esse tipo de câncer está entre os mais incidentes no Brasil e pode permanecer silencioso nas fases iniciais. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa para o triênio 2026–2028 é de 53.810 novos casos por ano no país, considerando homens e mulheres. Sem incluir os tumores de pele não melanoma, o câncer colorretal ocupa a terceira posição entre os tipos mais frequentes no Brasil.

“O câncer colorretal não deve ser visto como uma doença exclusiva de pessoas idosas. Embora o risco aumente com a idade, adultos jovens também podem receber esse diagnóstico. Por isso, é importante reconhecer sinais suspeitos e procurar avaliação médica diante de alterações persistentes”, afirma a médica endoscopista e gastroenterologista Eduarda Carneiro Gomes Ferreira, da Endogastro Recife.

Um dos desafios no enfrentamento da doença é a ausência de manifestações nas fases iniciais. Quando aparecem, os sinais e os sintomas podem incluir sangue nas fezes, mudanças persistentes no hábito intestinal, diarreia ou constipação prolongadas, dor abdominal, sensação de evacuação incompleta, perda de peso sem explicação e cansaço frequente.

O sangue nas fezes nem sempre indica câncer. Hemorroidas e fissuras anais, por exemplo, também podem provocar sangramento. No entanto, não é recomendável atribuir o sintoma automaticamente a essas condições sem avaliação profissional. Alterações persistentes no formato das fezes também merecem investigação quando acompanhadas de outros sintomas.

A anemia por deficiência de ferro sem causa aparente é outro sinal que pode estar relacionado à doença. Alguns tumores provocam pequenas perdas de sangue ao longo do tempo, nem sempre perceptíveis a olho nu.

“Nem todo sangramento significa câncer, mas nenhum sangramento persistente deve ser ignorado. O mesmo vale para mudanças no funcionamento intestinal que não melhoram ou para uma anemia cuja causa não foi identificada. A avaliação médica ajuda a definir quais exames são necessários”, explica  a médica endoscopista e gastroenterologista Eduarda Carneiro Gomes Ferreira

Estudos internacionais apontam aumento da incidência de câncer colorretal em adultos com menos de 50 anos em diferentes países. Esse fenômeno tem mobilizado pesquisadores, embora as causas ainda não estejam completamente esclarecidas e as tendências variem entre populações.

Entre os fatores associados ao risco estão histórico familiar de câncer colorretal, determinadas alterações genéticas, doenças inflamatórias intestinais, obesidade, sedentarismo, tabagismo e consumo de álcool. A alimentação também tem relevância: o consumo frequente de carnes processadas, como salsicha, presunto, salame e bacon, está associado ao aumento do risco.

Uma pessoa que mantém uma alimentação equilibrada, pratica atividade física e tem peso adequado também pode desenvolver a doença. Além disso, muitos pacientes não apresentam histórico familiar conhecido, o que reforça a importância de observar sintomas e seguir as recomendações de rastreamento adequadas a cada perfil de risco.

A microbiota intestinal, conjunto de microrganismos que vivem no intestino, também é objeto de pesquisas. Estudos investigam associações entre alterações dessa comunidade e o câncer colorretal, mas ainda não é possível atribuir o desenvolvimento de um tumor a um desequilíbrio intestinal isolado.

A colonoscopia é um dos principais exames para investigar o câncer colorretal. O procedimento permite examinar a mucosa do intestino grosso, identificar lesões suspeitas, realizar biópsias e retirar determinados pólipos durante o próprio exame.

Os pólipos são crescimentos anormais da mucosa intestinal. Nem todos se transformam em câncer, mas alguns, como determinados adenomas, podem evoluir para tumores malignos ao longo do tempo. A retirada dessas lesões pode interromper esse processo, embora o tempo de evolução varie de acordo com as características de cada pólipo.

“A colonoscopia permite examinar diretamente o intestino grosso, identificar alterações e, em muitos casos, retirar pólipos antes que evoluam para um câncer. Por isso, é uma ferramenta importante tanto na investigação diagnóstica quanto na prevenção”, afirma a médica endoscopista e gastroenterologista Eduarda Carneiro Gomes Ferreira

A colonoscopia é considerada uma referência para o rastreio do câncer colorretal, mas não é a única estratégia de rastreamento. Testes de pesquisa de sangue oculto nas fezes também podem ser utilizados em pessoas sem sintomas, conforme as recomendações aplicáveis. Quando o resultado é positivo, a colonoscopia costuma ser necessária para investigar a origem do sangramento.

A idade para iniciar o rastreamento e a escolha do exame dependem das diretrizes adotadas, do histórico pessoal e familiar e dos fatores de risco. Pessoas com familiares de primeiro grau diagnosticados com câncer colorretal, síndromes hereditárias ou doenças inflamatórias intestinais podem precisar de acompanhamento mais precoce.

Quem apresenta sinais suspeitos deve procurar avaliação médica independentemente da idade. O rastreamento é destinado a pessoas sem sintomas; já o surgimento de alterações persistentes exige investigação diagnóstica.

A prevenção do câncer colorretal combina medidas relacionadas ao estilo de vida com estratégias de rastreamento e diagnóstico oportuno. Manter uma alimentação rica em fibras, consumir frutas, verduras e legumes, praticar atividade física, evitar o tabagismo e limitar o consumo de álcool são medidas que contribuem para reduzir riscos.

Esses cuidados, porém, não eliminam totalmente a possibilidade de desenvolver a doença. Por isso, conhecer o histórico familiar, conversar com profissionais de saúde sobre o momento adequado para iniciar os exames e não negligenciar sintomas são atitudes importantes.

“O diagnóstico em fases iniciais amplia as possibilidades de tratamento. A informação sobre a doença, o acesso aos exames e a investigação de sinais suspeitos são partes fundamentais da estratégia de prevenção e cuidado”,  a médica endoscopista e gastroenterologista Eduarda Carneiro Gomes Ferreira.

Informações para reconhecer sintomas e saber quando procurar avaliação médica.

Números no Brasil

  • 53.810 novos casos por ano estimados para 2026–2028, segundo o INCA.
  • É o terceiro câncer mais incidente no país quando excluídos os tumores de pele não melanoma.
  • A doença pode atingir homens e mulheres e também ocorrer em adultos com menos de 50 anos.

Sinais que merecem investigação

  • Sangue nas fezes.
  • Diarreia ou prisão de ventre persistentes.
  • Mudanças duradouras no hábito intestinal.
  • Sensação de evacuação incompleta.
  • Dor ou desconforto abdominal persistente.
  • Perda de peso sem explicação.
  • Cansaço ou anemia sem causa identificada.

Quem deve ter atenção especial?

Pessoas com histórico familiar de câncer colorretal, pólipos intestinais, doenças inflamatórias intestinais ou síndromes genéticas hereditárias podem precisar de rastreamento antecipado e acompanhamento individualizado.

Como prevenir e detectar precocemente?

  • Manter uma alimentação equilibrada, com frutas, verduras, legumes e fibras.
  • Praticar atividade física regularmente.
  • Evitar tabagismo e limitar o consumo de álcool.
  • Conversar com um profissional de saúde sobre o rastreamento adequado.
  • Realizar os exames indicados para o perfil de risco.

Colonoscopia: permite visualizar o intestino grosso, investigar lesões, realizar biópsias e retirar determinados pólipos. Testes de sangue oculto nas fezes também podem ser usados no rastreamento, conforme indicação.

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