Registros de conteúdos manipulados por inteligência artificial saltaram de 39 para 159 em um ano e ampliam alerta sobre desinformação nas redes digitais
O uso de inteligência artificial para criar vídeos, imagens e áudios falsos, conhecidos como deepfakes, avançou de forma expressiva no Brasil. Dados do Panorama da Desinformação no Brasil, elaborado pelo Observatório Lupa, mostram que os registros desse tipo de conteúdo passaram de 39 em 2024 para 159 em 2025, um crescimento de 308%. A maioria dos materiais analisados explorou a imagem ou a voz de pessoas conhecidas, sobretudo lideranças políticas, o que amplia o potencial de engano e de impacto social.
Segundo o estudo, mais de três quartos dos conteúdos checados com uso de inteligência artificial recorreram à simulação de situações reais, disseminadas principalmente em plataformas como Facebook, Instagram, Threads, WhatsApp, Telegram, X, Kwai e TikTok. A tecnologia utilizada nesses casos é treinada com grandes volumes de imagens, vídeos e áudios autênticos, aprendendo padrões de fala, expressões faciais e movimentos corporais para gerar versões falsas cada vez mais convincentes.
Para Josué Adil, CEO da Acadi-TI, o avanço está ligado à popularização das ferramentas e à dificuldade de identificação a olho nu. “Os deepfakes estão cada vez mais realistas e circulam com rapidez nas redes sociais e aplicativos de mensagens. A prevenção começa pela desconfiança e pela verificação”, afirma. O especialista aponta que ainda existem sinais de manipulação, como piscadas mecânicas, desalinhamento entre voz e movimento labial, textura artificial da pele e falhas em mãos, sombras e gestos.
Além da análise visual e sonora, a recomendação é avaliar o contexto da informação antes de compartilhar. “Mesmo que a imagem pareça real, é importante perguntar se aquela situação faz sentido. Há confirmação em veículos confiáveis? A cena é compatível com a rotina daquela pessoa? Muitas vezes, a inconsistência está na narrativa”, explica. A orientação é preservar provas, denunciar o conteúdo nas plataformas e registrar ocorrência policial, já que a responsabilidade recai tanto sobre quem produz quanto sobre quem divulga o material falso.
Serviço:
Evento: Acadi-TI Cyber Summit 2026
Data: 21 de março
Tema: Segurança na era da inteligência artificial, com debates sobre deepfakes e fraude de identidade
Mais informações: https://acaditi.com.br/

