Montagem premiada reúne gerações de atores, atualiza a crítica social de Luiz Marinho e reafirma a força da dramaturgia local em apresentação especial no Recife
Na celebração do Dia Mundial do Teatro, o Recife recebe, nesta sexta-feira (27), uma montagem que sintetiza tradição, memória e atualidade das artes cênicas pernambucanas. O clássico Um Sábado em 30, de Luiz Marinho, ganha apresentação única no Teatro de Santa Isabel, às 20h, reunindo um elenco premiado e reafirmando a força de uma dramaturgia que atravessa gerações sem perder relevância.
uma das mais longevas do teatro nacional. Nesta nova encenação, assinada por Galharufas Produções em parceria com o Teatro Raízes de Pernambuco, o espetáculo reafirma seu lugar como um marco cultural ao dialogar com o presente sem abrir mão de sua essência original.
A montagem recente chega respaldada pelo reconhecimento da crítica e do público. Vencedora do prêmio de Melhor Elenco no Janeiro de Grandes Espetáculos, a peça também concorre na categoria de Melhor Espetáculo. O destaque se deve, em grande parte, ao encontro potente entre gerações no palco: nomes consagrados como Clenira Melo, Ivanildo Silva e Renato Phaelante dividem cena com novos talentos, criando uma dinâmica que equilibra experiência e frescor.
Ambientada no contexto da Revolução de 1930, a narrativa acompanha uma família burguesa conservadora confrontada por transformações sociais e afetivas. Entre conflitos de classe e convenções morais, o enredo se constrói a partir de situações que expõem tensões ainda reconhecíveis na sociedade contemporânea. O humor, elemento central da obra, surge como ferramenta crítica — uma marca da comédia de costumes que sustenta o texto de Marinho.
Entre os personagens, destaca-se Sá Nana, figura octogenária que conduz o ritmo da peça com ironia e sagacidade. Interpretada por Iza Fernandes, a personagem rendeu à atriz uma indicação a Melhor Atriz no mesmo festival, consolidando-se como um dos pontos altos da encenação. Suas intervenções, carregadas de humor ácido, funcionam como comentário social e catalisador das tensões dramáticas.
Sob a direção de Roberto Oliveira, a montagem preserva o texto original de Luiz Marinho ao mesmo tempo em que o atualiza em termos de ritmo e encenação. O resultado é um espetáculo que não apenas reverencia a história do teatro pernambucano, mas também reafirma sua vitalidade no cenário contemporâneo.

