Material de construção e combustíveis lideram desempenho anual, mesmo com juros altos e crédito mais restrito. Foto: Rafael Dantas/Algomais
O varejo físico brasileiro registrou crescimento de 2,9% em 2025, segundo o Indicador de Atividade do Comércio da Serasa Experian, que mede o volume de consultas realizadas por cerca de 6 mil estabelecimentos em todo o país. O resultado aponta avanço da atividade comercial mesmo em um cenário de juros elevados e maior seletividade do crédito, especialmente no segundo semestre, reforçando a resiliência do consumo ao longo do ano.
Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o desempenho reflete a sustentação da demanda interna apesar do aperto monetário. “Apesar de um ambiente monetário mais restritivo, o mercado de trabalho aquecido e as medidas de suporte à renda contribuíram para manter a demanda em níveis positivos. Ainda assim, o consumo mostrou sinais de moderação ao longo do ano, com impactos distintos entre os segmentos.” A avaliação indica que fatores ligados à renda e ao emprego tiveram papel decisivo na manutenção do ritmo de compras.
Na análise setorial, o segmento de Material de Construção liderou o crescimento anual, com alta de 4%, seguido por Combustíveis e Lubrificantes (3,7%) e Móveis, Eletrodomésticos, Eletroeletrônicos e Informática (3,5%). Também apresentaram variação positiva Tecidos, Vestuário, Calçados e Acessórios (3,1%), Veículos, Motos e Peças (2,8%) e Supermercados, Hipermercados, Alimentos e Bebidas (1,8%), mostrando expansão disseminada entre os principais ramos do varejo físico.
Segundo Camila Abdelmalack, as diferenças entre os setores estão ligadas ao perfil de consumo e à dependência do crédito. “Segmentos menos sensíveis ao custo do crédito ou ligados a demandas mais estruturais conseguiram sustentar melhor o ritmo de crescimento, enquanto outros sentiram mais os efeitos do aperto monetário.” O comportamento desigual evidencia como o encarecimento do financiamento impactou mais fortemente áreas associadas a bens duráveis.
Na variação mensal, dezembro apresentou crescimento de 1,7%, avanço de 1,5 ponto percentual em relação a novembro. No recorte por atividades, apenas Veículos, Motos e Peças (13,1%) e Supermercados, Hipermercados, Alimentos e Bebidas (0,1%) fecharam o mês no campo positivo. Já Móveis e Eletroeletrônicos (-0,1%), Vestuário (-0,6%), Material de Construção (-2,2%) e Combustíveis (-3,3%) registraram retração, indicando desaceleração pontual no fim do ano, apesar do resultado anual favorável.

