Levantamento da Serasa Experian aponta desigualdade regional e alto nível de despesas financeiras no orçamento das famílias
O comprometimento da renda das famílias brasileiras varia entre 71,9% e 80,5% nas diferentes regiões do país, segundo levantamento da Serasa Experian. O maior nível foi registrado no Norte, onde os consumidores destinam, em média, 80,5% da renda a despesas financeiras, enquanto o menor índice aparece no Sul, com 71,9%, resultando em uma diferença de 8,6 pontos percentuais.
O Nordeste apresenta o segundo maior comprometimento, com 78% da renda, seguido pelo Centro-Oeste (74,7%). Já o Sudeste (72,7%) e o Sul concentram os menores percentuais, indicando maior margem no orçamento. Os dados consideram tanto despesas básicas, como contas de água e energia, quanto gastos financeiros, incluindo empréstimos e uso de cartão de crédito.
A disparidade também se reflete na renda média das regiões. O Sudeste lidera com R$ 4.448, seguido pelo Sul (R$ 4.308) e Centro-Oeste (R$ 4.296). Em contraste, o Norte registra renda média de R$ 3.018, enquanto o Nordeste tem o menor valor, de R$ 2.821 — uma diferença de R$ 1.627 entre os extremos.
Na prática, o cenário revela que regiões com menor renda comprometem uma fatia maior do orçamento com despesas, reduzindo a capacidade de consumo, poupança e enfrentamento de imprevistos. “Em finanças pessoais, um comprometimento de renda na casa dos 80% é um risco elevado sobre o orçamento. Isso é um sinal de alerta, uma vez que a margem de manobra praticamente desaparece. Com tão pouca renda disponível após pagar despesas financeiras, cresce a dificuldade de absorver imprevistos, planejar compras maiores ou acessar crédito em condições mais favoráveis “, explica Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian.
A análise histórica mostra que esse nível elevado de comprometimento persiste desde 2022, mesmo com o crescimento da renda média em todas as regiões — ainda que de forma desigual. “Os dados mostram que renda e despesas financeiras evoluíram praticamente no mesmo ritmo nos últimos anos, mantendo o comprometimento em patamares elevados. Esse cenário exige modelos de crédito cada vez mais precisos e responsáveis, baseados em inteligência de dados, para apoiar decisões alinhadas à realidade financeira de cada região”, afirma Eduardo Mônaco, vice-presidente de crédito e plataformas da Serasa Experian.

