Confidências de Dr. Pollock à Rainha da Inglaterra (por Paulo Caldas) – Revista Algomais – a revista de Pernambuco

Confidências de Dr. Pollock à Rainha da Inglaterra (por Paulo Caldas)

Numa prosa nostálgica, prenhe de poesia, construída com o emprego da narrativa na primeira pessoa, mecanismo capaz de induzir o leitor a caminhar de mãos dadas com o autor pelas vias do seu vocabulário farto, a escrita do garanhuense Fernando Dourado Filho coleciona entre as virtudes marcantes, tons irônicos, românticos, divertidos e com vestígios de bom humor neste Confidências de Dr. Pollock à Rainha da Inglaterra – Chiado Editora – Lisboa.

Hábil na construção de metáforas e símiles, características próprias de quem escreve com sentimentos em punho, mas sereno, de forma madura e consciente, dono de um talento disponível sempre que requisitado, Dourado Filho possui um traçado fluido, ligeiro, com os dedos a tanger a pena de ladeira abaixo, do Monte Sinai ao Arraial, até ao Parque Euclides Dourado, ponto de origem das nossas raízes.

E tal fluidez se mostra por inteiro em todos os trechos do livro, entremeados de ricas imagens e ritmo agradável. No conto-crônica Confidências de Dr. Pollock à Rainha da Inglaterra, que motivou o título da obra, numa espécie de insolência gentil, se observa, sobretudo, traços de ironia mordaz, que seduz o leitor e, provavelmente, causaria o mesmo efeito com a Rainha Elizabeth, caso Sua Majestade tivesse chance de ler esse texto exuberante, digno da destinatária.

Nas confidências é possível notar o emprego de uma linguagem específica, posta com extrema habilidade, como o uso das diversas formas de conjunção somadas à adoção dos verbos no tempo condicional, artifício responsável pela sutileza que veste a escrita tal um lorde – bengala, casaca e cartola.

Outro momento soberbo está presente no capítulo Mitologia íntima da margem esquerda do Capibaribe no qual o cenário circunscreve-se aos arredores da Rua da Aurora, com um desfile de personagens cujo perfil psicológico vai do bizarro ao curioso, do ingênuo ao inusitado, e que ali contracenaram em certa época do cotidiano recifense.

*Paulo Caldas é escritor

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