Desinformação Sobre Sexualidade De Jovens Com Autismo Amplia Risco De Abuso, Aponta Estudo - Revista Algomais - A Revista De Pernambuco
Desinformação sobre sexualidade de jovens com autismo amplia risco de abuso, aponta estudo

Evitar ou negligenciar o debate sobre sexualidade entre adolescentes e jovens com Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode ampliar vulnerabilidades e riscos à saúde. O alerta é reforçado por um estudo publicado na revista Ciência & Saúde Coletiva, desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Outro levantamento, divulgado em 2023 na revista científica Trauma, Violence, & Abuse, aponta que 40% das pessoas com autismo já foram vítimas de abuso ou violência sexual, o que evidencia a urgência do tema.

A psicóloga Frínea Andrade, especialista em TEA e mãe de um jovem com autismo, afirma que a ausência de orientação adequada amplia a exposição a diferentes riscos. “São diversos fatores, infecções sexualmente transmissíveis, gravidez não planejada, violência e até não saber identificar abusos ou estupros. O risco é ainda maior para pessoas com nível 3 de suporte”, explica a especialista, que também é diretora do Instituto Dimitri Andrade.

A revisão científica desenvolvida pelos pesquisadores da UFAL mostra que a forma como as mudanças hormonais são percebidas por pessoas neurodivergentes pode ser diferente. Alterações corporais como crescimento de pelos, menstruação e mudança na voz nem sempre são imediatamente compreendidas. Somam-se a isso dificuldades na leitura de normas sociais, o que pode comprometer a interpretação de limites e privacidade.

Segundo Frínea Andrade, limitações na comunicação e na socialização também podem favorecer situações de violência. “As dificuldades de socialização e manutenção de vínculos podem fazer com que não percebam situações ou atitudes de risco e criem uma dependência emocional do agressor, ou ainda que impossibilite de nomear e comunicar o que aconteceu.” A psicóloga destaca ainda que a falta de compreensão sobre normas sociais pode levar a comportamentos inadequados, reforçando a importância de uma orientação estruturada desde a infância.

Para a especialista, falar sobre sexualidade é uma forma de proteção e não de estímulo precoce à prática sexual. “Falar sobre sexualidade não é ensinar sexo a crianças. Com crianças menores, ensinamos as partes do corpo, que as partes íntimas não devem ser acessadas se não for por ele mesmo ou por um responsável para fazer higienização. Quando cresce mais um pouco, sistema reprodutor, menstruação autocuidado íntimo. Na adolescência sobre métodos contraceptivos. Caso não se sinta confortável para abordar o assunto sozinho, a equipe multidisciplinar pode auxiliar.”

Ela ressalta ainda que estratégias claras e diretas, como histórias sociais e exemplos do cotidiano, ajudam na compreensão de consentimento e limites: “Ensinar consentimento é ajudar a pessoa a entender que tem direito sobre o próprio corpo e que pode dizer “sim” ou “não”, assim como precisa respeitar o direito do outro. A orientação passa por uma atuação integrada entre família, escola e profissionais de saúde. Informação acessível, linguagem adaptada e acompanhamento individualizado são fundamentais para garantir que adolescentes e jovens com TEA vivenciem a sexualidade com segurança e dignidade”.

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