OMS estima que doenças bucais atingem 45% da população mundial; no Brasil, 41,53% dos adultos de 35 a 44 anos avaliados apresentaram sangramento gengival, segundo levantamento nacional
Sangramento na gengiva durante a escovação ou ao usar o fio dental é um sinal que merece atenção. Embora muitas pessoas considerem o problema comum, ele pode indicar inflamação gengival e a necessidade de avaliação profissional. No Dia Nacional da Saúde Bucal, celebrado em 25 de outubro, a cirurgiã-dentista Isabella Duarte, especialista em reabilitação oral, alerta que alterações na boca podem revelar problemas que vão além da saúde bucal e reforça a importância da prevenção e do acompanhamento odontológico regular.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 3,5 bilhões de pessoas em todo o mundo são afetadas por doenças bucais, o equivalente a aproximadamente 45% da população mundial. No Brasil, os dados do levantamento epidemiológico SB Brasil 2023, do Ministério da Saúde, apontam que 41,53% dos adultos de 35 a 44 anos avaliados apresentaram sangramento gengival. Os números reforçam a importância de ampliar a conscientização sobre os cuidados com a boca e a identificação precoce de alterações.
“A gengiva não deve sangrar rotineiramente durante a escovação ou o uso do fio dental. Esse sinal pode indicar uma inflamação, como a gengivite, e precisa ser investigado. Muitas vezes, as pessoas se acostumam com o sangramento e deixam de procurar atendimento, permitindo que um problema inicialmente simples evolua”, explica Isabella Duarte.
Segundo a especialista, a saúde bucal está diretamente relacionada à saúde geral. O diabetes, por exemplo, apresenta uma relação bidirecional com as doenças periodontais: pessoas com diabetes podem ter maior risco de desenvolver problemas na gengiva, especialmente quando a glicemia não está controlada, enquanto a inflamação periodontal pode dificultar o controle dos níveis de açúcar no sangue.
A saúde cardiovascular também merece atenção. Estudos científicos identificam uma associação entre doenças periodontais e problemas cardiovasculares, embora essa relação não signifique que uma condição necessariamente cause a outra. Por isso, o cuidado com a gengiva integra uma abordagem mais ampla de prevenção e promoção da saúde.
Além do sangramento, outros sinais merecem avaliação odontológica, como gengivas inchadas ou avermelhadas, mau hálito persistente, retração gengival, mobilidade dos dentes e feridas na boca que não cicatrizam. Alterações na língua e na mucosa oral também devem ser examinadas, especialmente quando persistem ou apresentam mudanças de aspecto.
“Cuidar da saúde bucal não é apenas uma questão estética. É uma forma de preservar a qualidade de vida e identificar alterações que precisam de tratamento. A prevenção começa com uma higiene adequada, alimentação equilibrada e consultas regulares ao dentista. Ao perceber qualquer mudança, o paciente deve procurar avaliação profissional, sem esperar que o problema se agrave”, reforça a dentista.
Neste Dia Nacional da Saúde Bucal, vale reforçar que o sangramento gengival é um sinal de alerta que merece atenção. A avaliação odontológica e os cuidados preventivos ajudam a identificar possíveis problemas precocemente, preservar a saúde das gengivas e manter a saúde bucal em dia.