*Por Juliana Maia
O Abril Azul foi estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) e tem o objetivo de conscientizar a sociedade sobre o autismo, principalmente sobre a importância do diagnóstico dessa neurodivergência. A escolha da cor foi resultado da maior prevalência do autismo em meninos que em meninas, numa proporção de 4:1. Dentro desse cenário, é importante lembrar que o diagnóstico tardio é muito comum em mulheres, pois muitas vezes, as meninas não apresentam as características mais comumente conhecidas no autismo, não sendo, assim, facilmente reconhecidas pelos pais ou responsáveis. Mas há uma explicação para esse fato.
Os primeiros sinais do Transtorno do Espectro Autista (TEA) começam a surgir na infância e, os mais marcantes são: atraso de fala e ausência de contato visual. Mas o autismo é um Espectro, e muitas vezes nas meninas sua manifestação não inclui atraso de fala. Em comparação com os meninos que recebem o diagnóstico, as meninas têm mais habilidade para a imitação e a percepção das regras e condutas sociais na interação, podendo mascarar suas dificuldades. Infelizmente, é comum haver relatos de mulheres que não conseguiam entender suas condições quando crianças e que, muitas vezes, eram submetidas a intervenções que não apresentavam resultados efetivos. Isso se deve ao fato de que, historicamente, pesquisas sobre autismo são concentradas no âmbito masculino e, portanto, há uma carência de estudos sobre o comportamento feminino nesse tipo de neurodivergência, criando padrões que não representam a subjetividade das mulheres.
Além disso, as mulheres e meninas apresentam a habilidade de camuflagem social e aprendem a imitar comportamentos e padrões para evitar discriminação e estresse psicológico. Essa estratégia é denominada de “masking” e faz com que elas reproduzam as atitudes de pessoas neurotípicas e assim consigam se adequar às expectativas e ter interações de qualidade. Infelizmente, por causa dessa habilidade, o diagnóstico nas meninas autistas acaba sendo tardio e isso pode gerar dificuldades ao longo da vida, como desenvolvimento de ansiedade e transtornos.
É fundamental que pais e responsáveis fiquem atentos aos primeiros sinais das crianças, pois o diagnóstico tardio implica em dificuldades na aprendizagem e desenvolvimento e os indivíduos podem crescer sem o suporte necessário para desenvolver habilidades emocionais e sociais.
*Juliana Maia é Fonoaudióloga, Terapeuta DIR Trainer e Sócia fundadora da Aprimore Terapia Integrada