Gente & Negócios

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Rafael Dantas

Empreendedorismo feminino ganha força e reúne quase 300 mil mulheres à frente de negócios em Pernambuco

O empreendedorismo feminino tem ampliado sua presença na economia de Pernambuco e consolidado o protagonismo das mulheres no ambiente de negócios. Representando quase 52% da população do estado, o equivalente a 4,97 milhões de pessoas, elas também avançam no comando de empresas. Dados da Receita Federal indicam que cerca de 294 mil mulheres estão à frente de negócios em Pernambuco, sendo 96% delas inseridas no universo das micro e pequenas empresas.

Ao todo, são quase 290 mil pequenos negócios geridos por mulheres em todo o estado, dos quais 54% estão formalizados como microempreendedoras individuais (MEI). A participação feminina aparece de forma relativamente equilibrada entre os principais setores econômicos: Comércio (45,5%), Serviços (45,1%) e Indústria (44,9%). Em algumas atividades, no entanto, essa presença se torna ainda mais evidente, especialmente nas áreas de Saúde e Bem-estar (19,2%), Moda e Confecção (14,2%) e Serviços de Alimentação (9,1%).

O avanço feminino também se reflete na criação de empresas. Nos últimos dois anos, o número de novos negócios liderados por mulheres cresceu de forma consistente. Em 2024, foram registrados 34,9 mil empreendimentos, enquanto em 2025 o volume avançou para 47,9 mil novos registros.

Para a Líder de Inteligência de Mercado do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Pernambuco, Sylvia Siqueira, o movimento revela mudanças importantes no papel do empreendedorismo na vida das mulheres. “O crescimento do empreendedorismo feminino em Pernambuco demonstra a capacidade das mulheres transformarem desafios em oportunidades. Quando uma mulher empreende, ela gera impacto não apenas para si, mas também para sua família, sua comunidade e toda a economia local”, destaca.

A presença feminina nos negócios também se expande fora dos grandes centros urbanos. O arquipélago de Fernando de Noronha lidera em representatividade, com 55,7% dos empreendedores sendo mulheres. Em seguida aparecem municípios do Sertão, como Dormentes (49,9%), Granito (49,1%), Itacuruba (48,6%) e Carnaubeira da Penha (47,6%), todos com participação feminina próxima à metade do total de empreendedores.

O perfil das empreendedoras pernambucanas mostra maior concentração entre mulheres de 30 a 49 anos, faixa que reúne 146,5 mil empresárias no estado. Também chama atenção a presença de 29,7 mil empreendedoras entre 60 e 80 anos, indicando que abrir ou manter um negócio próprio tem se tornado uma alternativa de geração de renda em diferentes fases da vida.

Apesar do crescimento do empreendedorismo, a informalidade continua sendo um desafio. Muitas mulheres ainda atuam sem registro formal ou sem CNPJ, o que limita o acesso a crédito, proteção social e oportunidades de expansão. “A formalização é um passo fundamental para que essas mulheres tenham acesso a proteção social, crédito e novas oportunidades de crescimento no mercado, além de garantir mais segurança para o negócio”, reflete Sylvia.

mulheres di2win

Apesar do crescimento recente, a participação feminina na área de Tecnologia da Informação ainda é reduzida no Brasil. De acordo com o relatório W-Tech 2025, do Observatório Softex, as mulheres representam 19,2% dos especialistas em TI no país — cerca de 89,7 mil profissionais em um universo de quase 470 mil. A desigualdade começa na formação: apenas 17,8% dos concluintes de cursos de tecnologia são mulheres. Mesmo com maior escolaridade média, elas ainda recebem cerca de R$ 1.618 a menos por mês do que os homens no setor.

No Recife, empresas instaladas no Porto Digital têm ampliado a presença feminina em funções técnicas. A deep tech Di2win, por exemplo, registra 25% de mulheres em cargos de liderança estratégica e prepara a política interna Di2Women para elevar a representatividade para 30% até 2026. A iniciativa também prevê diretrizes para garantir que candidatas qualificadas participem das etapas finais dos processos seletivos, ampliando a entrada de talentos femininos em diferentes níveis da área de tecnologia.

Foto Francisca Melo

A presença feminina em posições estratégicas nas empresas brasileiras tem crescido nos últimos anos, embora ainda enfrente desafios de representatividade. Levantamento da consultoria Bain & Company aponta que, entre 2019 e 2024, a participação de mulheres como CEOs nas 250 maiores empresas do país dobrou, passando de 3% para 6%. No mesmo período, a presença feminina em cargos de gestão subiu de 23% para 34%, enquanto nos conselhos de administração avançou de 5% para 10%.

Em Pernambuco, a Tambaú Alimentos aparece como exemplo de ampliação desse espaço. Entre mais de 800 colaboradores, 22% são mulheres, muitas delas em posições estratégicas, como diretoria industrial e gerências de pesquisa e desenvolvimento, marketing, recursos humanos e contabilidade. À frente da diretoria industrial está Francisca Melo, engenheira química formada pela Universidade Católica de Pernambuco, que iniciou a carreira na empresa em 1989 e destaca a importância da presença feminina no setor: “Podemos ser sim, mulheres que transformam na indústria, o sucesso não tem gênero, precisa ter coragem para enfrentar desafios, ter conhecimento, inteligência e visão estratégica. Conduzir a produção com mãos firmes e ao mesmo tempo ter a sensibilidade de desenvolver talentos”.

cesar fachada

A CESAR School, no Recife, sediará neste mês de março a Game Jam das Minas, maratona criativa dedicada a estimular a presença feminina no desenvolvimento de jogos digitais. A iniciativa reúne estudantes, profissionais e entusiastas da área para uma jornada de criação colaborativa que inclui workshops preparatórios e uma imersão de 48 horas para concepção de jogos. Criado em 2018 pela produtora e mestre em Game Design Catarina Macena, o evento tornou-se uma das ações mais relevantes de incentivo à diversidade na indústria de games no Brasil.

A programação começa no dia 14 de março com oficinas abertas ao público sobre Pixel Art e desenvolvimento de jogos com a ferramenta no-code Bitsy. Já a maratona principal acontece entre os dias 20 e 22 de março, quando equipes multidisciplinares terão três dias para desenvolver e apresentar um jogo completo. Ao final, os projetos serão apresentados em um playtest aberto ao público, permitindo que participantes testem os jogos e compartilhem feedbacks sobre as criações.

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