Entrevista com o cônsul geral dos Estados Unidos: Richard Reiter

Richard Reiter, diplomata de carreira do Departamento de Estado dos EUA e Cônsul Geral no Recife desde 2014, conversou com o repórter Rafael Dantas sobre as perspectivas para 2017 e acerca da atuação do consulado americano em Pernambuco. Na sua opinião, a relação com o Brasil não terá grandes alterações após a posse de Donald Trump. Sobre o momento de retomada da economia, ele aposta que é uma “boa hora para o investidor estrangeiro vir para o Brasil”.

Quais as perspectivas econômicas para o ano de 2017?
Os analistas acreditam que a economia brasileira chegou ao fundo do poço e vai começar a sair. Esperamos mais movimento em 2017. E que a coisa vai se aquecer em 2018. A economia brasileira é sólida e forte. Todo mundo. A coisa vai voltar. Mas por enquanto ainda tem muita gente sofrendo com o desemprego e economia está em baixa. Mas estamos aqui, as empresas trabalhando muito. Essa é uma boa hora para investidor estrangeiro vir aqui para o Brasil, procurar oportunidade, gerar emprego e gerar movimento econômico. Essa é a nossa mensagem para os americanos.

Perspectiva americana é melhor para 2017, mas há uma sinalização de mudança na política econômica com a eleição do novo presidente. Como deve ficar a relação com o Brasil?
Bom, eu acho que não vai mudar muito. Donald Trump foi eleito em novembro, toma posse em 20 de janeiro. Estamos acompanhando de perto. Ele está montando o time, escolhendo os ministros, desenhando a política econômica dele, mas a relação bilateral com o Brasil tem mais de 200 anos. É forte e profunda, vai muito além do Governo-Governo. Temos um milhão de brasileiros morando nos EUA (trabalhando, estudando…) e temos centenas de empresas americanas aqui. Esses laços vão além dos canais governamentais. Podem ter alguns ajustes quando o Trump tomar posse, mas acho que a maioria da relação já é histórica. Continuará forte. Sou otimista.

O que mudou na atuação do Consulado Americano no Recife quando teve seu status elevado para Consulado Geral?
Aumentou as oportunidades aqui. Assim que Washington nos deu os recursos para trabalhar, fazer mais projetos, estamos fazendo. Temos seis departamentos aqui, sendo uma política-econômica, a de diplomacia e cultura, a seção comercial, que trata de empresas e mercados. E como todo mundo sabe, temos o acesso consular, que atua com vistos, essa é seção é a nossa face mais conhecida pelo público.

Como é a atuação da seção política-econômica e do departamento comercial?
Nós temos que explicar o que está acontecendo aqui no Nordeste e interpretar para a nossa embaixada em Brasília e para Washington. Pode ser o desenvolvimento de energias renováveis, pode ser uma eleição estadual, a situação econômica, comercial. Fazemos relatórios para explicar isso. E fazer nossos projetos. E também sobre o que está acontecendo lá, sentar com os brasileiros e explicar. Estamos criando inclusive uma parceria de energia solar com o Estado da Califórnia. Temos um elenco de projetos que estamos desenvolvendo.

Qual projeto você destaca?
Estou muito empolgado com essa parceria sobre energias renováveis. O Estado de Califórnia recentemente assinou acordo com Paulo Câmara. A ideia é que a Califórnia e Pernambuco possam colaborar e enfrentar o futuro juntos, em termos de soluções frente as mudanças climáticas. Já trouxemos 10 especialistas americanos em vários setores de mudanças climáticas ao Brasil. Estamos trabalhando bem juntos ao Governo do Estado, mas também com empresas particulares e junto a outros parceiros regionais. Tenho muito orgulho desse trabalho. Estamos criando um projeto bem interessante para o futuro.

Além dessa atuação mais econômica, que outros projetos o Consulado Geral desenvolve?
Vários. Por exemplo, estamos trabalhando com direitos humanos, mulheres, vários projetos sociais. Trabalhamos com crianças. Minha paixão é beisebol. Então: Como explorar beisebol como sinal da cultura americana, mas associando a um projeto social para promover melhorias em comunidades carentes? Em Recife temos um projeto bem interessante, também em Fortaleza. Apoiamos times de beisebol, desde que os jogadores trabalhem nas comunidades, com crianças carentes, formando times e fomentando o conhecimento da cultura americana. Outro projeto aconteceu no Compaz, no Alto Santa Terezinha. Além de apoiar o treino de beisebol com crianças, promovermos um evento cultural diplomático, em parceria com outros consulados de carreira. Foi um dia espetacular. Pessoas da comunidade vieram entender e nos conhecer… Ajudamos a ensinar inglês aos jovens do programa Ganhe o mundo também e temos várias parcerias culturais, trazendo músicos, por exemplo. Houve um programa que trouxe uma violinista para um trabalho com a Orquestra Cidadã.

Como é a relação de vocês com a Amcham?
É um grande parceiro, trabalhamos muito bem com eles. Além disso, tem mais de 100 empresas americanas fazendo negócios no Nordeste. São muitas e geram muitos empregos aqui. Temos muito orgulho de trabalhar com eles e enfrentar os desafios juntos. Eles fazem vários projetos também. A Amcham é um parceiro nosso de longo prazo.

 

Como instituições locais podem fomentar essa relação com o EUA?
Estamos sempre lá fora. Sempre estou numas faculdades palestras, temos um time na rua, trabalhando bem. Não podemos nos esconder atras dos muros do consulado. Mas depende do projeto, tem empresas brasileiras querendo se comunicar com empresas americanas também, podem falar com a gente. Se tem acadêmicos que queiram saber de oportunidades, podemos ajudar. Tem pessoas especializadas em vários setores, quem quer trabalhar , entender , atuar no EUA, podemos conversar.

Algum plano para 2017?
Estamos planejando algumas estratégias, mas esperando dicas de Washington, do novo presidente. Estamos trabalhando muito nesse setor cultural e comercial com as empresas. Na emissão dos vistos, são mais de 50 mil por ano. Uma fábrica em pleno vapor.

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