ExpoRenováveis debateu o futuro da energia limpa e apontou desafios para tornar Pernambuco mais competitivo
ExpoRenováveis 2026

O último dia da ExpoRenováveis 2026, realizado na quinta-feira (5) no Museu Cais do Sertão, no Recife, marcou o encerramento de três dias de debates sobre o futuro da energia limpa no Brasil. Reunindo empresários, investidores, pesquisadores, gestores públicos e representantes do setor produtivo. Entre os destaques da programação final esteve o painel dedicado ao marco legal das energias renováveis e aos desafios legislativos para tornar Pernambuco mais competitivo na corrida por investimentos e inovação no setor.

Em sua terceira edição, a feira foi idealizada pela Associação Pernambucana de Energias Renováveis e trouxe como tema “Energia Limpa Agora”. A programação reuniu congresso técnico, feira de inovação, salão de mobilidade elétrica e experiências digitais voltadas à aplicação de tecnologias sustentáveis na matriz energética brasileira. 

No último dia, o debate sobre o marco legal das energias renováveis reuniu representantes do setor produtivo, da advocacia e do poder público para discutir os entraves regulatórios e as oportunidades de crescimento para o estado. Participaram da mesa o deputado estadual Mário Ricardo, o presidente do Sindicato das Indústrias de Energia de Pernambuco, Bruno Câmara, e o presidente da associação organizadora do evento, Rudinei Miranda. A mediação ficou por conta da advogada Ana Manuela, que abriu a discussão destacando a importância de construir pontes entre o setor energético e o Parlamento.

Segundo Ana Manuela, a proposta do painel foi justamente aproximar as demandas do mercado das decisões políticas que impactam diretamente o desenvolvimento da energia renovável no estado. “Há muito tempo o setor busca esse diálogo mais próximo com o Legislativo. Precisamos transformar o potencial que temos em desenvolvimento econômico e social para Pernambuco”, afirmou.

Durante sua apresentação, a advogada contextualizou o cenário atual das energias renováveis no Brasil e destacou o papel estratégico do Nordeste nesse processo. A região concentra grande parte da produção de energia limpa do país, impulsionada principalmente pela energia solar e eólica. Ainda assim, segundo ela, existe um descompasso entre a capacidade de geração e os benefícios econômicos efetivamente percebidos pela população local.

“O Nordeste hoje é responsável por grande parte da energia que abastece polos industriais do país, inclusive em regiões como o Sudeste. Apesar disso, o desenvolvimento econômico não acompanha essa importância energética”, destacou.

Um dos principais gargalos apontados durante o debate está relacionado à infraestrutura de transmissão. Mesmo com grande capacidade de geração, muitos parques solares e eólicos da região enfrentam dificuldades para escoar a energia produzida devido à limitação da rede elétrica. Esse cenário tem provocado perdas significativas para o setor.

De acordo com dados apresentados no painel, bilhões de reais já deixaram de circular na economia devido à necessidade de cortes na geração de energia provocados pela falta de capacidade de transmissão. A expansão da infraestrutura elétrica, portanto, aparece como um dos principais desafios para consolidar o crescimento das energias renováveis no país.

Além da infraestrutura, os especialistas também destacaram a necessidade de políticas públicas mais estruturadas para estimular o desenvolvimento da cadeia produtiva ligada às energias limpas. Incentivos fiscais, programas de capacitação profissional e linhas de crédito específicas foram apontados como instrumentos capazes de impulsionar investimentos no setor.

A comparação com outros estados brasileiros também foi tema da discussão. Minas Gerais, Bahia e Ceará, por exemplo, já avançaram na criação de programas específicos para estimular a geração distribuída e atrair investimentos na área de energia renovável. Essas iniciativas incluem incentivos tributários, simplificação de processos de licenciamento e programas voltados à formação de mão de obra especializada.

Em Pernambuco, apesar do crescimento recente da geração distribuída, o estado ainda enfrenta desafios para ampliar sua competitividade nacional. Atualmente, o território pernambucano figura entre os dez maiores do país nesse segmento, com centenas de megawatts instalados. Ainda assim, especialistas apontam que o potencial do estado permanece subaproveitado.

Durante o painel, também foram discutidas propostas para fortalecer a posição de Pernambuco no cenário energético brasileiro. Entre as sugestões está a criação de um programa estadual de incentivo às energias renováveis que integre universidades, setor produtivo e governo. A ideia é estabelecer metas de longo prazo e construir um ambiente regulatório mais seguro para investidores.

Outro ponto destacado foi o papel estratégico de estruturas já existentes no estado, como o Porto de Suape e o Porto Digital, considerados polos importantes para o desenvolvimento de novas tecnologias ligadas à economia verde, como o hidrogênio verde e soluções voltadas à mobilidade elétrica.

Para os participantes do debate, a transição energética representa uma oportunidade histórica de desenvolvimento para o Nordeste. A expansão de projetos eólicos e solares, por exemplo, tem potencial para transformar economias locais, gerar empregos e impulsionar novas cadeias produtivas em regiões que antes tinham poucas perspectivas de crescimento econômico.

Experiências anteriores já demonstram esse impacto. Projetos de energia renovável instalados no interior do Nordeste contribuíram para melhorar indicadores econômicos em municípios antes pouco desenvolvidos, ampliando renda, infraestrutura e oportunidades de trabalho.

Durante sua participação, o deputado Mário Ricardo ressaltou que o avanço do setor depende de planejamento técnico e diálogo constante entre governo e iniciativa privada. Segundo ele, decisões políticas precisam considerar estudos e dados concretos para evitar erros de planejamento que historicamente prejudicaram projetos estratégicos no país.

“O desenvolvimento de infraestrutura e de políticas públicas precisa ouvir quem entende do assunto. Quando decisões são tomadas sem base técnica, o resultado muitas vezes é atraso ou desperdício de recursos”, afirmou o parlamentar.

Ao final , os participantes reforçaram que o desafio para Pernambuco não está apenas em ampliar a geração de energia renovável, mas em transformar esse potencial em desenvolvimento econômico sustentável. Para isso, será necessário fortalecer o marco regulatório, ampliar investimentos em infraestrutura e estimular a inovação tecnológica.

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