Consultor da TGI Fábio Menezes aponta ausência de planejamento de longo prazo como principal gargalo da gestão pública e defende articulação política e eficiência na execução como pilares para transformar o Estado
A ausência de um projeto estruturado de longo prazo é, na avaliação do consultor e sócio da TGI Fábio Menezes, o principal erro da gestão pública. Sem essa diretriz, governos tendem a operar de forma fragmentada, com iniciativas desconectadas entre si. “Sem um projeto, qualquer coisa serve”, afirma. Para ele, a falta de uma visão clara de futuro transforma políticas públicas em ações pontuais, muitas vezes sem continuidade.
Esse cenário, segundo Menezes, gera um efeito recorrente na administração pública brasileira: a descontinuidade. “Quando troca o governo, troca tudo e até boas ideias não sobrevivem ao período de um mandato”, diz. O resultado é uma gestão marcada mais por improvisos do que por estratégia, com baixo impacto estrutural ao longo do tempo.
Planejamento como eixo central
Para o consultor, uma gestão pública eficaz precisa estar orientada por um projeto maior, capaz de guiar decisões, investimentos e prioridades. “Gestão pública eficaz é aquela que tem como um dos principais orientadores um projeto de futuro”, resume. Esse planejamento, no entanto, não deve ser restrito a governos ou partidos, mas construído de forma mais ampla.
Ele defende que a formulação desse projeto precisa envolver a sociedade e diferentes atores políticos. “A principal marca é a capacidade de formular um projeto de futuro envolvendo a sociedade”, afirma. Sem isso, o debate público tende a se reduzir a disputas superficiais. “Sem um projeto, a discussão vira pequena: é contra ou a favor de qualquer coisa.”
O gargalo: falta de visão de futuro
Ao analisar o cenário de Pernambuco, que não é um fenômeno apenas local, Menezes aponta um problema central: a incapacidade de coordenar uma visão estratégica de longo prazo. “O gargalo é a falta de condição dos entes públicos de coordenar a construção de uma ideia de futuro”, afirma.
Sem esse “guarda-chuva”, como define, as decisões ficam dispersas. “Se não tiver isso, não tem nada, porque todo o resto é acessório”, diz. Nesse contexto, temas importantes acabam sendo debatidos de forma isolada, sem conexão com um objetivo maior de desenvolvimento.
Eficiência não é gastar mais ou menos
Outro ponto destacado pelo consultor é a qualidade do gasto público. Para ele, o debate sobre o tamanho do Estado é secundário diante da necessidade de eficiência. “A discussão não é gastar muito ou pouco, é gastar com o quê”, afirma. O foco, segundo ele, deve estar nos resultados efetivos das políticas públicas.
Menezes reforça que a eficiência precisa ser medida de forma ampla. “Qual é o resultado e resultado de forma ampla”, pontua. Isso inclui não apenas indicadores financeiros, mas impactos reais na vida da população e na transformação estrutural do território.
Entre o curto e o longo prazo
Como caminho para uma gestão mais eficiente, o consultor aponta três prioridades: a construção de um projeto de longo prazo, a capacidade de articulação política e a eficiência na execução. Esses elementos, segundo ele, precisam caminhar juntos para que políticas públicas saiam do papel e gerem resultados concretos.
A síntese dessa visão está no equilíbrio entre estratégia e entrega. “Tem que ter farol alto e farol baixo”, afirma. Para ele, não adianta pensar apenas no futuro sem resolver demandas imediatas, nem executar bem ações desconectadas de um projeto maior. “Não adianta formular um projeto maravilhoso e ele não acontecer”, conclui.

