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Jademilson Silva

Falta de vitaminas: quando os sintomas indicam deficiência e quais exames fazer


Vitaminas são essenciais para o funcionamento do organismo, mas nem todo sintoma de cansaço, indisposição ou fraqueza significa deficiência nutricional. Embora as hipovitaminoses, condições caracterizadas pela falta de uma ou mais vitaminas, merecem atenção, a investigação precisa considerar o histórico clínico, a alimentação, o uso de medicamentos e as condições de saúde de cada pessoa.

Entre as deficiências encontradas na prática clínica estão as de vitamina D e vitamina B12. A primeira está relacionada, entre outros fatores, à baixa exposição solar e à ingestão insuficiente. Já a deficiência de B12 pode ocorrer por alterações na absorção intestinal, gastrite atrófica, anemia perniciosa e uso prolongado de determinados medicamentos, como a metformina.

“Mais importante do que pedir dezenas de exames é associar a história e o quadro clínico do paciente a exames específicos, bem validados e solicitados quando realmente existe indicação”, afirma Leo de Belli Claudino Martins, médico com residência em Clínica Médica e em Endocrinologia e Metabologia. O especialista atua no serviço de Endocrinologia do Real Hospital Português, no Recife, e é membro associado da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Endocrine Society.

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As manifestações de uma hipovitaminose variam conforme o nutriente em falta, a intensidade da deficiência e o tempo de evolução. Algumas pessoas permanecem assintomáticas, enquanto outras apresentam alterações que afetam diferentes sistemas do organismo.

“A deficiência de vitamina B12, por exemplo, pode provocar manifestações neurológicas, como formigamento, perda de sensibilidade e alterações do equilíbrio. Já determinadas deficiências podem comprometer a saúde óssea ou interferir na coagulação sanguínea”, diz o médico Leo de Belli Claudino Martins.

O problema é que esses sinais não são exclusivos das carências vitamínicas. Por isso, a avaliação médica é importante para diferenciar uma deficiência nutricional de outras doenças e definir a necessidade de exames laboratoriais.

A dosagem de 25-hidroxivitamina D é utilizada para avaliar o estado nutricional relacionado à vitamina D. Para investigar a vitamina B12, pode ser solicitada sua dosagem sanguínea, com exames complementares em situações específicas.

Segundo o endocrinologista Leo de Belli Claudino Martins, a realização de painéis extensos de vitaminas sem indicação clínica pode gerar resultados de interpretação difícil. Nem todos os marcadores disponíveis refletem adequadamente os estoques ou a disponibilidade de determinado nutriente no organismo.

A investigação deve considerar fatores como idade, sintomas, alimentação, medicamentos utilizados e doenças que possam prejudicar a absorção. Essa estratégia também contribui para evitar exames desnecessários e direcionar os recursos para quem realmente precisa de acompanhamento.

Pessoas submetidas à cirurgia bariátrica, pacientes com doenças que comprometem a absorção intestinal, gestantes e indivíduos com dietas muito restritivas merecem atenção especial. Vegetarianos e, principalmente, veganos também precisam avaliar o risco de deficiência de vitamina B12, cujas fontes alimentares naturais são predominantemente de origem animal.

Para o médico Leo de Belli Claudino Martins:

“Nesses grupos, o acompanhamento deve ser planejado de acordo com as necessidades individuais. A investigação preventiva pode ser indicada mesmo antes do aparecimento de sintomas, desde que existam fatores de risco que justifiquem a avaliação”.

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A reposição depende da vitamina envolvida, da intensidade da deficiência, dos sintomas e da causa do problema. Em algumas situações, ajustes na alimentação são suficientes. Em outras, a deficiência diagnosticada exige reposição em doses e períodos específicos. Quando há comprometimento da absorção ou deficiência importante, pode ser necessária uma via de administração diferente da oral.

“O uso indiscriminado de suplementos, por outro lado, não é isento de riscos. Doses elevadas podem provocar toxicidade, interações medicamentosas e efeitos adversos. O excesso de vitamina D, por exemplo, pode causar aumento do cálcio no sangue e na urina, favorecendo cálculos renais e, em situações graves, comprometimento da função renal”, alerta Leo de Belli Claudino Martins.

O médico também chama a atenção para evidências que contrariam a ideia de que suplementar sempre faz bem. No estudo SELECT, a suplementação com altas doses de vitamina E foi associada a um aumento de 17% no risco de câncer de próstata. O resultado reforça que as vitaminas não devem ser utilizadas indiscriminadamente, sem considerar indicação, dose e duração.

Para o endocrinologista Leo de Belli Claudino Martins, a investigação de hipovitaminoses na Atenção Primária à Saúde não deve se basear em grandes painéis laboratoriais para toda a população saudável e assintomática. A conduta mais adequada é identificar quem apresenta maior probabilidade de deficiência e solicitar os exames pertinentes.

“Na Atenção Primária, considero mais adequado trabalhar com uma avaliação individualizada: idade, alimentação, medicamentos, sintomas e condições que aumentem o risco de deficiência”, explica.

A prevenção também passa pela alimentação variada e equilibrada, com fontes de vitaminas e minerais adequadas às necessidades de cada pessoa. Quando há suspeita de deficiência, a orientação é procurar avaliação profissional, em vez de iniciar a suplementação por conta própria. O objetivo é corrigir carências reais, investigar suas causas e evitar que o excesso de nutrientes se transforme em outro problema de saúde.

  • Vitamina D: a avaliação pode ser indicada diante de fatores de risco ou condições clínicas específicas.
  • Vitamina B12: atenção a alterações de absorção, cirurgia bariátrica, dietas restritivas e uso prolongado de determinados medicamentos.
  • Sinais de alerta: formigamento, perda de sensibilidade e alterações de equilíbrio precisam de avaliação, pois podem ter diferentes causas.
  • Suplementação: a dose e a duração devem considerar a necessidade individual e os riscos de excesso.
  • Exames: devem ser solicitados conforme o histórico clínico e os fatores de risco, evitando painéis indiscriminados.

MODA FITNESS


Pedro do Flamengo
Verão 2027 – Foto: Vinícius Nascimento

A Rota do Mar celebra seus 30 anos de trajetória com várias ações, e uma delas será o lançamento da campanha de Verão 2027, protagonizada pelo jogador Pedro Guilherme, do Flamengo. A marca começa a apresentar os blocos da coleção masculina da temporada, que traduz o lifestyle do verão em uma narrativa que transita entre movimento e pausa, com encontros entre amigos, partidas de altinha, momentos de descontração e o fim de tarde diante do pôr do sol.

Ao completar três décadas de atuação, a marca pernambucana reforça uma trajetória construída a partir da conexão com o universo do esporte, da praia e do lifestyle casual. Para a temporada, essa identidade ganha novos elementos por meio de uma campanha que reúne moda, arte e participação de um dos principais nomes do futebol brasileiro.

“A campanha acompanha Pedro em diferentes situações que fazem parte da estação e traduz muito da essência da Rota do Mar, com peças versáteis, confortáveis e conectadas a um estilo de vida que combina praia, amizade e descanso. A presença dele ajuda a contar essa história de maneira natural, mostrando como a coleção transita por diferentes momentos do dia, com peças casuais e de lazer, em uma proposta marcada por tons naturais e modelagens confortáveis”, explica o CEO do Grupo Rota do Mar, Arnaldo Xavier.

Um dos destaques da coleção é uma estampa exclusiva criada a partir do traço manual do artista Nill (@nillyork), convidado para uma colaboração especial com a marca. Cada detalhe da arte foi pintado à mão, preservando texturas e nuances que dão personalidade à estampa e reforçam a atmosfera solar e descontraída da temporada.

“A cartela de cores foi construída a partir de uma proposta suave, natural e comercial, com predominância de branco, off-white, areia, bege natural e diferentes tonalidades de azul. Ocre, caramelo, marrom e verde também aparecem na coleção, enquanto as estampas recebem pontos de amarelo solar, azul e pequenos acentos alaranjados”, destaca a estilista Cíntia Graziela.

Entre as peças que ganham destaque estão shorts volley, shorts de linho, camisetas, regatas, polos, camisas casuais de manga curta e modelos com inspiração vintage. Recortes laterais, frisos, viés, blocos de cor, aplicações em silk e detalhes em relevo aparecem como elementos de diferenciação.

A coleção combina materiais como algodão, modal com elastano, linho e malhas texturizadas em uma proposta que valoriza conforto e praticidade. Em uma cápsula funcional, o nylon WR UV50+ reúne proteção contra os raios UV e característica repelente à água, acrescentando tecnologia à temporada sem se sobrepor à estética casual que caracteriza a coleção.

As modelagens seguem linhas confortáveis e retas, com shorts acima do joelho e pernas mais soltas, cós com elástico e cadarço, bolsos funcionais e diferentes recortes. Camisetas de modelagem regular, regatas de visual contemporâneo, polos de releitura clássica e camisas casuais de manga curta completam a proposta. O pareô também integra a coleção como acessório, reforçando a atmosfera de praia e lazer.

A temporada aposta ainda em peças versáteis e atemporais, pensadas para permanecer por mais tempo no guarda-roupa e acompanhar diferentes ocasiões. O uso de fibras de origem natural, como algodão, modal e linho, também integra essa proposta.



Mounjaro Ozempic Wegovy
Ainda não há estudos suficientes que comprovem as sequelas do uso das canetas emagrecedoras nas gestantes

Já ouviu falar nos “bebês de Ozempic” ou “bebês de Monjauro”? Há vários relatos circulando pela internet de mulheres que afirmam terem engravidado após o uso das canetas emagrecedoras. Mas esses medicamentos também são indicados para tratamento da fertilidade? Segundo a médica Natália Fischer, especialista em reprodução humana, doenças, como a obesidade e a Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), podem causar infertilidade. Assim, a partir do momento que essa mulher emagrece e melhora sua saúde metabólica (seja sem ou com o uso das canetas emagrecedoras), o corpo “desinflama” e aumenta as chances de engravidar. 

“A perda de peso é muito importante, pois as pacientes com essas comorbidades apresentam repercussões endócrinas que podem atrapalhar a ovulação, como diminuição de qualidade de óvulos ou a própria ausência de ovulação, entre outras riscos alterações endócrinas e metabólicas que podem gerar alterações no processo ovulatório e de implantação embrionária. Então, é importante melhorar a saúde metabólica dessa paciente para que ela consiga engravidar”, detalha a médica Natália Fischer.  

De acordo com a ginecologista e especialista em reprodução humana, mulheres que têm resistência à insulina – que é quando as células respondem menos à insulina, dificultando a entrada da glicose nas células e aumentando o risco de pré-diabetes e diabetes tipo 2 -, obesidade, que cursa com hiperandrogenismo (excesso de hormônios masculinos), que é a parte metabólica e endócrina, ela não ovula. Consequentemente, ela não engravida. “Então, não é apenas um processo de inflamação e oxidação, é um processo, realmente, hormonal. Logo, a paciente não tem ovulação, não engravida. Principalmente na SOMP e também em casos de obesidade”.

Porém, o processo de emagrecimento com o uso dessas medicações – se houver prescrição médica –, deve ser realizado antes do início das tentativas de engravidar. “A orientação é suspender o uso das canetas emagrecedoras oito a 12 semanas antes de engravidar. Já para a mulher que engravidou usando as canetas emagrecedoras, é recomendada a suspensão imediata do medicamento”, orienta Natália Fischer, especialista em reprodução humana. 

Ainda não há estudos suficientes que comprovem as sequelas do uso das canetas emagrecedoras nas gestantes, mas seu uso durante a gravidez não é recomendado, pois pode acarretar em complicações obstétricas, como restrições de crescimento do bebê. Já em testes com ratos, foram observadas alterações no parto prematuro,  malformações e restrição de crescimento. “Por isso, a recomendação é interromper a medicação, caso a paciente descubra a gravidez”, reforça a especialista. 

“Caso esteja no uso da medicação e receba a surpresa de um positivo para gravidez, o ideal é que a paciente pare imediatamente a medicação e consulte seu médico, pois ele vai fazer as orientações necessárias”, reforça a médica. Assim, as canetas emagrecedoras não são um medicamento para a fertilidade, porém, em pacientes com obesidade, o uso desses medicamentos antes do início das tentativas de engravidar pode ser benéfico.  

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A médica Natália Fischer

Então, o emagrecimento é importante para quem deseja engravidar, seja naturalmente ou através de fertilização in vitro (FIV). A especialista em reprodução humana lembra, porém, que avaliar o fator tempo é essencial nesses casos. Isso porque, o declínio natural da fertilidade da mulher se inicia aos 35 anos e se acentua aos 40, quanto teremos menos quantidade e qualidade de óvulos. Ou seja, em pacientes mais jovens, o processo de emagrecimento pode ser priorizado antes da gestação, mas a recomendação é essa paciente buscar orientação de um médico especialista em reprodução humana para avaliar cada caso e traçar um planejamento de fertilidade individualizado, seja através de gravidez natural ou via FIV.

Para as mulheres que vão passar pela FIV, as canetas emagrecedoras podem ser usadas até duas semanas antes da etapa da coleta de óvulos, pois não se deve fazer anestesia em pacientes em uso das canetas. 

“Como as canetas emagrecedoras diminuem o tempo de esvaziamento gástrico, se a paciente vai fazer uma anestesia, ela pode ainda ficar com alguns resquícios alimentares, sendo arriscado. Por isso, pedimos para que ela tenha, pelo menos, essas duas semanas sem o uso desses medicamentos, como a semaglutida e tirzepatida, para fazer a anestesia”, detalha a especialista em reprodução humana.

Já na etapa da implantação do embrião, a recomendação, assim como na gravidez natural, é interromper o uso de oito a 12 semanas antes. “É importante respeitar o que chamamos de washout, que é liberar o efeito da medicação, o tempo que o corpo leva para eliminar a medicação no organismo”, explica a médica Natália Fischer. 

“Para aquelas mulheres que têm ‘médio tempo’, as que estão na faixa dos 37 aos 40 anos, terão menos tempo para emagrecer. Porém, podemos fazer um protocolo junto com o endócrino para organizar o tratamento de emagrecimento, inclusive com o uso das canetas emagrecedoras, se houver indicação, antes de iniciar o de fertilidade”, detalha a médica Natália Fischer. Além do controle de peso corporal, a especialista lembra que manter bons hábitos, como não fumar, não fazer o consumo excessivo de álcool, praticar atividade física e ter uma alimentação saudável, evitando ultraprocessados, comidas industrializadas e fast foods, são fundamentais para melhorar as chances de gravidez.  

No último mês de maio (2026), a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) passou a ser chamada de Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP). Após mais de uma década de discussões no ambiente acadêmico, o novo nome evidencia outros sinais e condições de saúde associados à síndrome, que vão além de apresentar cistos nos ovários. 

Para definir se uma mulher tem SOMP, ela precisa apresentar ao menos dois fatores, entre: irregularidade menstrual; desregulação hormonal; e presença de cistos nos ovários. A SOMP está relacionada ainda a uma série de problemas endocrinológicos e metabólicos, como: resistência insulínica, diabetes tipo 2, obesidade, dislipidemia (colesterol e triglicerídeos altos) e doenças cardiovasculares (hipertensão, AVC e infarto). 

Como explica a médica ginecologista e especialista em reprodução humana Natália Fischer, “o desequilíbrio dos hormônios sexuais também altera o metabolismo de outros hormônios e enzimas do nosso corpo, elevando o risco de acúmulo de gorduras e diminuindo a resposta à insulina”. Segundo a especialista, muitas vezes aquela paciente que tem SOMP e não ovula está tendo uma sobrecarga hormonal e também pode apresentar um problema sério de metabolismo porque tem resistência à insulina, o que causa uma série de processos inflamatórios. 

“Então, tudo isso vai piorar as taxas dela conseguir ovular. Se ela não ovula, não engravida. Assim, se eu passo um análogo ao GLP-1, como a semaglutida, ou de GLP-1 e GLP-2, no caso da tirzepatida, ela vai metabolizar muito melhor. Essa paciente vai diminuir a inflação e as células vão reagir, produzindo as substâncias necessárias para poder ovular. Tendo uma regulação metabólica de forma geral, guiada por um processo de emagrecimento, podemos ter mais sucesso em conseguir a tão almejada gravidez”, detalha Natália Fischer.

Como nas mulheres, o controle da obesidade melhora a saúde metabólica do homem e sua fertilidade, consequentemente. Até o momento, não há evidências científicas consistentes que comprovem uma piora na qualidade dos espermatozoides. Na verdade, as evidências mostram que a redução da obesidade aumenta os níveis de testosterona de forma natural em homens. Isso porque a obesidade, a resistência insulínica e a inflamação crônica podem prejudicar o ambiente hormonal e a produção dos espermatozoides. 

Então, quando o homem perde gordura e melhora metabolicamente, pode melhorar também a sua saúde reprodutiva. Porém, o uso das canetas emagrecedoras sem acompanhamento médico e nutricional pode levar a uma série de prejuízos, como a perda substancial de massa magra e de micronutrientes, que pode afetar na qualidade dos espermatozoides. 

“Assim como para as mulheres, as canetas emagrecedoras não são um tratamento para a infertilidade, mas podem ajudar na melhora da obesidade e saúde metabólica, desde que haja orientação médica. Em ambos os gêneros, emagrecimento sem planejamento pode levar à deficiência de nutrientes e desnutrição, causando prejuízos na fertilidade feminina e masculina”, finaliza a médica Natália Fischer, especialista em reprodução humana.


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