Francisco Cunha Analisa Cenário Geopolítico E Alerta Para Bolha Da Inteligência Artificial - Revista Algomais - A Revista De Pernambuco
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Rafael Dantas

Francisco Cunha analisa cenário geopolítico e alerta para bolha da Inteligência Artificial

Francisco Cunha apresentou no Painel Mensal da Agenda TGI uma leitura estratégica do cenário internacional, nacional e pernambucano, além de um recorte específico sobre os impactos da inteligência artificial. Assim como na Agenda TGI, a exposição organizou os temas por eixos geopolíticos e econômicos, facilitando a compreensão das transformações em curso.

No plano internacional, o consultor apontou semelhanças entre a política adotada por Donald Trump e a Doutrina Monroe, sintetizada pelo lema “a América para os americanos”. Nesse contexto, citou a captura de Nicolás Maduro como um marco dessa orientação, caracterizando uma intervenção direta em um país que detém a maior reserva de petróleo do mundo.

O consultor da TGI também destacou que o avanço das potências globais sobre suas respectivas áreas de influência tem configurado um novo arranjo de poder internacional, no qual Trump lidera a América, Vladimir Putin se projeta sobre a Europa e Xi Jinping amplia sua presença na Ásia e na África. Segundo ele, é um movimento protagonizado por países que concentram elevado peso econômico e militar no sistema internacional. Em outras palavras, trata-se de um novo mundo multipolar.

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A tensão em torno da Groenlândia e a criação do Conselho da Paz foram citadas como novos episódios da agenda externa imprevisível de Donald Trump, marcada por iniciativas que ampliam as tensões globais.

Sobre o cenário nacional, Francisco Cunha ressaltou uma pesquisa da Ipsos sobre seis cenários críticos para o País. O estudo descreve que o Brasil chega a 2026 atravessado por um sentimento coletivo de exaustão emocional, descrença e nostalgia. Mais do que polarização política, o que se evidencia é uma sociedade cansada, que olha para o passado em busca de estabilidade e tenta compreender o que se perdeu no caminho. Nesse contexto, a eleição deixa de ser apenas uma disputa entre candidatos e passa a funcionar como um espelho das inseguranças, frustrações e expectativas dos brasileiros, revelando uma crise mais profunda de identidade e de projeto de futuro.

A pesquisa da Ipsos aponta também o avanço de uma nova onda conservadora, especialmente entre jovens, que veem no passado uma âncora emocional diante de um mundo percebido como instável e acelerado. Ao mesmo tempo, transformações culturais e tecnológicas reconfiguram comportamentos e valores: o crescimento do interesse por medicamentos como o GLP-1, a força das apostas digitais, o papel renovado da religião e a influência das redes sociais mostram como o consumo, a fé, o corpo e o entretenimento se tornaram arenas centrais de disputa simbólica e econômica.

Em meio a um país hiperconectado e emocionalmente fragmentado, cresce a sensação de solidão, sobrecarga e perda de vínculos reais. A confiança nas instituições segue abalada, e as marcas ainda não conseguiram ocupar esse vazio, sobretudo pela distância entre discurso e entrega. O cenário desenhado pela Ipsos revela, assim, um Brasil em encruzilhada: pressionado por mudanças rápidas, em busca de pertencimento e sentido, e cada vez mais exigente com líderes, instituições e organizações que prometem futuro, mas precisam provar resultados.

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Francisco Cunha avaliou que o atual ciclo de expansão da Inteligência Artificial reproduz dinâmicas já observadas em outras revoluções tecnológicas, marcadas por expectativas elevadas e forte valorização de mercado. Em sua análise, o momento exige cautela, uma vez que os efeitos econômicos dessa transformação ainda são incertos e tendem a provocar ajustes relevantes no sistema produtivo e financeiro.

Ele apresentou três considerações parciais sobre o cenário da Inteligência Artificial.

1 - Como todas as bolhas ocorridas na história, a da inteligência artificial também, inclusive pela sua magnitude, deve estourar mais cedo ou mais tarde.

2 - Por conta disso, deve haver, inclusive, uma perda de riqueza cujo tamanho é muito difícil de prever, mas não deve ser pequena.

3 - Todavia, assim como na bolha das empresas de internet, os avanços tecnológicos serão preservados e uns poucos players serão beneficiados.

Apesar do cenário de correção esperado no curto prazo, o consultor destacou que o processo não deve interromper a trajetória estrutural de inovação. Ao contrário, a tendência é que, após o ajuste, o setor se reorganize em torno de empresas mais sólidas e modelos de negócio sustentáveis, consolidando ganhos tecnológicos que continuarão a influenciar a economia global nos próximos anos.

O Painel Mensal da Agenda TGI é um encontro online que reúne análises estratégicas sobre política, economia, transformação digital e mudanças climáticas, conduzidas por Francisco Cunha, sócio fundador da TGI Consultoria. A cada edição, um tema central orienta a leitura do cenário internacional, do Brasil, de Pernambuco e do Recife, com recortes temáticos específicos para compreender o presente e refletir sobre os caminhos do futuro. Clientes da TGI e assinantes da Revista Algomais têm acesso gratuito mediante inscrição com o e-mail cadastrado. As orientações de participação são enviadas por e-mail e WhatsApp. Para mais informações, acesse: https://painelmensal.tgi.com.br

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