Regulamentação abre caminho para avanço das pesquisas com cannabis e mobiliza universidades em Pernambuco
Foto: Freepik

A recente atualização das normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 1.013/2026) inaugura uma nova etapa para a pesquisa com cannabis no Brasil, com reflexos diretos em Pernambuco. A possibilidade de autorizações institucionais e regras mais claras para estudos científicos tem acelerado a mobilização de universidades, como a Universidade Federal Rural de Pernambuco, que já articula projetos e busca viabilizar o cultivo experimental.

UFRPE estrutura grupo e lidera articulação local

Na universidade, a pauta ganhou força a partir de uma articulação institucional que hoje reúne 10 projetos de pesquisa, com 43 docentes e 24 discentes envolvidos, além de colaboradores externos. A professora Letícia da Costa e Silva, do Departamento de Administração da UFRPE e representante da reitoria para o tema, atua como interlocutora do grupo e acompanha o processo de regulamentação. “Essa regulamentação dá uma segurança institucional para que os pesquisadores consigam pesquisar com mais tranquilidade”, afirma.

Novas regras ampliam possibilidades de estudo

Com a regulamentação mais recente, pesquisadores passam a ter maior clareza sobre os limites e possibilidades dos estudos. Agora, é permitido trabalhar com diferentes níveis de THC, múltiplas vias de administração e tecnologias como a nanotecnologia. “A gente consegue agora saber que a gente pode pesquisar cannabis com qualquer nível de THC, cultivo ou produto. A gente pode pesquisar com qualquer via de administração”, explica a professora, destacando o avanço em relação às normas anteriores.

Pesquisa avança, mas cultivo ainda é desafio

Apesar da evolução regulatória, o cultivo ainda depende de autorizações específicas, em processo de estruturação pelas instituições. Na UFRPE, grupos já se organizam para atender às exigências técnicas e burocráticas da Anvisa, com expectativa de avanço nos próximos meses. Os estudos abrangem desde cultivo e extração de óleo até o desenvolvimento de produtos e aplicações pré-clínicas, com forte presença da área veterinária.

Estado busca consolidar ecossistema e ampliar acesso

O movimento também reflete uma tentativa de estruturar um ecossistema mais amplo em Pernambuco, envolvendo universidades, poder público, associações e possíveis investidores. Para Letícia, o avanço depende de articulação e amadurecimento das políticas.

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