Galeria Marco Zero apresenta exposição “O Céu Não Cabe em Nenhum Paraíso”, de Ramonn Vieitez
O artista visual pernambucano Ramonn Vieitez em seu ateliê - Foto: Divulgação

O artista Ramonn Vieitez cria em suas obras uma atmosfera apocalíptica como a ideia de finitude e recomeço ao mesmo tempo. Esse universo imagético ganha destaque em O Céu Não Cabe em Nenhum Paraíso, individual que o artista abre no dia 06 de agosto, às 19h, na Galeria Marco Zero. Com curadoria de Yuri Quevedo, a mostra evidencia a pesquisa em torno do gesto, da luz e da matéria que guia o seu trabalho recente.

Com cerca de 30 obras inéditas, a individual registra o aprofundamento da investigação pictórica de Vieitez ao longo dos últimos anos. Para o artista, as paisagens funcionam como um universo imagético e simbólico no qual as explosões abrem espaço para o surgimento do novo — do mistério, afinal. Suas pinturas são permeadas por uma tensão, como se algo estivesse prestes a acontecer.

Atmosfera Ramon Vieitez 01

“Para mim, pintar é um estudo constante: entender o comportamento da tinta, experimentar diferentes gestos, pigmentos, acabamentos; enfim permitir que a matéria também participe da construção da imagem. Foi desse processo que começaram a surgir texturas, atmosferas e paisagens cada vez menos preocupadas em representar algo específico e mais interessadas em criar um estado, uma sensação”, reflete Vieitez.

O curador Yuri Quevedo ressalta que, em sua prática, o artista “apresenta cada elemento como signo, inteiro em sua potência e integrado a uma ordem superior”. Nesse sentido, “não há divisão estável de planos nem hierarquia do olhar; distâncias e tamanhos são simbólicos, pois todas as coisas da criação são fruto do mesmo gesto da mão.” Quevedo identifica ainda um erotismo presente nessas paisagens, que surge como “manifestação sensual daquilo que não está presente, mas cuja insinuação o corpo pressente.”

A partir das trocas com Yuri Quevedo, Ramonn Vieitez deu início à produção de obras de grandes dimensões, realizadas sobre alumínio, expandindo sua pesquisa que atravessa a arte medieval, manuscritos, fenômenos naturais, a arte e cultura do século XII e imagens religiosas. Na exposição, serão apresentados pela primeira vez três desses projetos que integram a série Nenhuma estrela é distante.

A serpente de fogo Ramon Vieitez 01

Para o curador, o alumínio é tratado “como artifício; sua superfície, trabalhada com a atenção de um ourives. Ao buscar na memória do próprio corpo aquilo que resta da luz, Vieitez transforma um fenômeno fugidio em objeto durável e oferece ao mundo aquilo que sua oficina sabe produzir de melhor.”

Para o artista, essa nova linha de produção é como uma espécie de pintura expandida, com o alumínio recebendo gestos, relevos, cores, matéria, refletindo a luz e participando da construção da obra. “É uma frente de pesquisa muito recente, a primeira vez que vou mostrar, e, justamente, por isso sinto que ainda existem inúmeras possibilidades para explorar.”

SERVIÇO:

Exposição O Céu Não Cabe em Nenhum Paraíso, de Ramonn Vieitez

Galeria Marco Zero — Av. Domingos Ferreira, 3393, Boa Viagem

Abertura: 06 de agosto de 2026

Visitação: até 25 de setembro, de segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 17h

Entrada franca

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