Diretora pernambucana afirma que a presença das mulheres no cinema cresceu nas últimas décadas com o apoio de políticas públicas, mas avalia que ainda há desafios para ampliar a participação feminina nas produções.
A participação das mulheres no audiovisual brasileiro avançou nas últimas duas décadas. É uma realidade incontestável e que tem nomes de peso no cinema pernambucano. Com 23 anos de atuação na direção, Tuca Siqueira lembra que iniciou a carreira em um ambiente predominantemente masculino e afirma que políticas públicas voltadas ao setor abriram espaço para que mais mulheres passassem a dirigir e produzir filmes. Muitos desafios persistem, mas o interesse feminino pela sétima arte vai vencendo essas barreiras.
Referências que abriram caminhos
Para Tuca Siqueira, a presença de diretoras no cinema foi determinante para que ela enxergasse a possibilidade de seguir a profissão. A cineasta cita como referências obras de Lúcia Murat, Laís Bodanzky e Anna Muylaert, que despertaram seu interesse pela direção ainda na juventude. “Foi muito importante ver uma diretora e uma roteirista nos créditos. Aquilo foi marcante para mim. Tudo isso para te dizer o quanto é importante para quem está começando agora ter nortes de outras mulheres fazendo cinema, porque isso encoraja, isso faz com que a gente possa sonhar com essa possibilidade.”

Avanços e desafios
Segundo a diretora, a criação de políticas afirmativas nos editais contribuiu para ampliar a presença feminina no audiovisual, embora ainda exista um déficit na participação das mulheres e no acesso aos recursos para produção. Ela afirma que muitas cineastas seguem realizando filmes com orçamentos reduzidos e buscando diferentes formas de financiamento para manter seus projetos. “A gente faz porque a gente quer fazer, porque a gente não quer perder espaço, porque a gente quer avançar. O desejo da mulherada de fazer filme é tão grande, e há tanto para falar, que a gente faz.”

Novos projetos
Entre os próximos trabalhos, Tuca Siqueira prepara o lançamento do longa de ficção Coração de Lona, que deve passar pelo circuito de festivais antes de estrear nos cinemas. Ela também destacou que o documentário Buenos Aires continua em circulação por meio de exibições no Circuito Sesc, no Canal Brasil e em mostras pelo país, além de ter previsão de estreia internacional nos próximos meses.

LEIA TAMBÉM

Mulheres avançam no cinema pernambucano, mas ainda enfrentam barreiras



