Ela começou a fazer cinema quando praticamente não havia mulheres atrás das câmeras. Ela lembra que tudo começou depois de ganhar uma câmera dos pais, sem imaginar que poderia construir uma carreira no audiovisual.
PIONEIRISMO
“Cinema, para a gente, era a tela. Ninguém imaginava que podia fazer aquilo. Eu fui fazendo filmes experimentais em Super 8, mandava revelar em São Paulo e até no Panamá, esperava meses para receber de volta”, recorda. Para ela, o maior legado desse percurso não foi o pioneirismo em si, mas o exemplo deixado para outras realizadoras.
NOVAS TECNOLOGIAS E OUTROS OLHARES
Ao acompanhar mais de meio século de transformações no audiovisual, Kátia vê um cenário muito diferente daquele que encontrou no início da carreira. Ela avalia que o acesso às tecnologias facilitou a entrada de novas gerações e ampliou a presença feminina. “Hoje as mulheres têm muito mais acesso à tecnologia. Elas estão fazendo trabalhos muito interessantes, inclusive com inteligência artificial”. Embora reconheça que exista um olhar feminino particular sobre muitas produções, ela prefere não limitar essa identidade. “Sempre me coloquei como ser humano, como indivíduo. O gênero é um detalhe. Mas percebo que os filmes feitos por mulheres costumam tratar seus personagens de forma menos violenta e trazer outras perspectivas.”
NOVOS PROJETOS
Mesmo após mais de cinco décadas de carreira, Kátia Mesel segue produzindo. Seu principal projeto atualmente é Recife de Clarices, longa-metragem que retrata a juventude de Clarice Lispector na capital pernambucana a partir dos próprios textos da escritora. O filme apresenta quatro atrizes interpretando diferentes dimensões da autora durante a infância e adolescência. As gravações aconteceram em locais históricos do Recife e de Olinda e a previsão é concluir a obra até o fim do ano. “Tem muita coisa ainda engavetada. São projetos inéditos em Pernambuco que espero conseguir realizar.”


