Copom diminuiu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual pela quinta vez consecutiva; entidades defendem continuidade e maior intensidade no ciclo de redução
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano. O corte de 0,25 ponto percentual, decidido por unanimidade, foi o quinto consecutivo e ocorreu em um cenário de desaceleração da inflação. O Banco Central, no entanto, apontou incertezas no ambiente externo relacionadas aos conflitos no Oriente Médio e à política monetária de economias avançadas.
Inflação desacelera, mas cenário exige cautela
Em agosto, o IPCA registrou queda de 0,32%, enquanto a inflação acumulada em 12 meses recuou de 4,44% em julho para 4,22%. A meta perseguida pelo Banco Central é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Apesar da desaceleração recente, o próprio BC afirma que a inflação permanece acima do centro da meta e avalia que o cenário exige cautela.
Indústria pede continuidade dos cortes
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considerou que houve excesso de prudência na decisão do Copom e defendeu a continuidade da redução da Selic. “Há trajetória consistente de desaceleração, alcançando 4,22% no acumulado em 12 meses até agosto, e melhora das expectativas de mercado, indicando convergência gradual em direção à meta de 3% ao ano no horizonte relevante para a política monetária”, diz a CNI em nota. Segundo a entidade, mesmo com o corte, o juro real permanece em torno de 9%, aproximadamente quatro pontos percentuais acima da taxa real neutra estimada pelo Banco Central.
Centrais trabalhistas consideram redução insuficiente
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) classificou a redução como um passo importante, mas insuficiente diante do atual nível dos juros. “A Selic influencia diretamente o custo de empréstimos e financiamentos e, mesmo quando a redução chega ao consumidor com defasagem, abre espaço para uma trajetória de crédito mais barato”, destaca Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo e diretora executiva da CUT. A Força Sindical também considerou o corte de 0,25 ponto percentual tímido e defendeu uma redução maior dos juros.
Construção aponta impacto sobre crédito e investimentos
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) avaliou positivamente a redução, mas afirmou que o movimento precisa continuar. Para a entidade, o atual patamar da Selic ainda representa uma dificuldade para o setor produtivo e limita a retomada do crédito e dos investimentos. “Estamos com juros de dois dígitos desde o início de 2022, o que representa um grande desafio para o empresário, especialmente em um setor como a construção, que trabalha com projetos de longo prazo e depende de crédito e previsibilidade. Precisamos avançar na construção de um ambiente macroeconômico estável, que permita a continuidade desse movimento de redução dos juros de forma sustentável e estimule novos investimentos”, afirmou o presidente da CBIC, Eduardo Almeida.

