Estimativa de avanço passa de 2,5% para 2,3%, com impacto da alta dos juros e cenário externo
A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda revisou para baixo a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2025. A nova projeção aponta alta de 2,3%, abaixo dos 2,5% estimados anteriormente. A redução foi influenciada pela elevação dos juros, pela desaceleração da economia no final de 2024 e pelo cenário internacional desafiador.
Segundo a subsecretária de Política Macroeconômica, Raquel Nadal, a decisão leva em conta os impactos da política monetária e o arrefecimento da atividade econômica. “A gente reduziu essa projeção, em parte, pesando o que a gente está vendo na política monetária. E, em parte, porque estamos vendo uma desaceleração mais acentuada da atividade agora no quarto trimestre de 2024”, explicou. Apesar disso, a estimativa considera um desempenho positivo do setor agropecuário, impulsionado pela expectativa de uma boa safra em 2025.
A SPE prevê que a indústria crescerá 2,2% no próximo ano, com retração na construção civil e na indústria de transformação, enquanto a indústria extrativa deve se beneficiar da entrada de novas plataformas de petróleo. No setor de serviços, o crescimento foi revisado para 1,9%, refletindo menor geração de empregos e uma redução no volume de crédito disponível. Já a agropecuária deve manter uma alta robusta de 6%, impulsionada por condições climáticas favoráveis e pelo aumento do abate de bovinos.
Sobre possíveis impactos da política comercial dos Estados Unidos sob o governo de Donald Trump, o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, afirmou que ainda não há elementos suficientes para ajustes na projeção econômica brasileira. “É muito cedo para incorporar esse tema em qualquer cenário”, ponderou. A equipe econômica seguirá monitorando os desdobramentos internacionais para eventuais revisões nas estimativas.