Templo do século XVI passa a contar com proteção nacional e amplia reconhecimento cultural e histórico do município pernambucano de Goiana
A Igreja de São Lourenço, localizada no distrito de Tejucupapo, em Goiana, foi oficialmente reconhecida como patrimônio nacional após a aprovação do tombamento federal pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A decisão foi tomada durante a 112ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, realizada nesta terça-feira (10), no Rio de Janeiro, e garante proteção especial ao templo construído por volta de 1555, no século XVI.
Com a medida, a igreja e sua área de entorno passam a contar com salvaguardas que asseguram a preservação do imóvel e de sua ambiência histórica. O reconhecimento amplia a área de preservação cultural do município e reforça o papel de Goiana na conservação da memória histórica de Pernambuco e do Brasil, além de contribuir para o fortalecimento do turismo histórico e religioso na região.
O processo que resultou no tombamento teve início em 1987, após solicitação do então deputado federal Harlan Gadelha Filho. Desde então, o Iphan em Pernambuco conduziu pesquisas técnicas, levantamentos arquitetônicos e estudos históricos que confirmaram o valor cultural, social e arquitetônico do templo. “Fiz o pedido em 1987, por entender a importância histórica da Igreja de São Lourenço de Tejucupapo, a primeira Igreja de Goiana , de 1555, de origem Jesuíta. A Igreja de São Lourenço da Povoação de Tejucupapo, representa um marco histórico ainda da época da Capitania de Itamaracá. O tombamento representa um reconhecimento constitucional.”
De origem jesuítica, a Igreja de São Lourenço é considerada um exemplar relevante da arquitetura maneirista, estilo que marca a transição entre o Renascimento e o Barroco. A construção se destaca pela sobriedade e simplicidade características das edificações da Companhia de Jesus no período colonial e chegou aos dias atuais preservando elevado grau de integridade histórica.
Durante a instrução do processo, o Iphan também definiu a chamada poligonal de entorno, área destinada à proteção do monumento, além de estabelecer parâmetros urbanísticos para novas construções nas proximidades e diretrizes de manutenção preventiva. Administrada atualmente pela Diocese de Nazaré, a igreja integra um território historicamente simbólico, já que Tejucupapo é conhecido nacionalmente pela Batalha das Heroínas de Tejucupapo, episódio de resistência contra invasores holandeses ocorrido em 1646.

